Entrevista

Entrevista: As Olívias

“Para rir, é só não se levar a sério”

“Didi perdeu a graça depois da coisa UNICEF”

Por Neto Lucon (Metrópole Cultural)

Um bate-papo descontraído e extremamente humorado. Em um domingo de 2010, após a encenação da comédia teatral “As Olívias Palitam”, em Campinas, tive a oportunidade de conhecer e conversar com as atrizes Cristiane Wersom, Marianna Armellini, Renata Augusto e Sheila Friedhofer.

O tema, claro, foi o humor.

Especialistas no assunto, as atrizes confessaram os piores apelidos de infância, as piadas que sempre dão certo, os micos em cena e até as maiores referências que tiveram para o humor: Pedro Cardoso e Os Trapalhões.Confira:

Na infância, vocês eram comumente chamadas de Olívia Palito?
Todas: Ah, claro. E olha que Olívia era básico, quase um chamar de linda.
Mari: Já me chamaram de tábua, vara-pau, peixe, magrela, pantera cor-de-rosa. Tinha até um pai que cantava a música da Pantera cor-de-rosa quando eu chegava (risos).
Renata: Eu tinha o apelido de abajur, por causa do meu cabelo e da magreza. No cotidiano, era de Olívia para baixo.
Sheila: Lembro que o que mais me deixou triste foi um gordinho que me chamou de ossada (risos). Um gordinho!
Cris: Isso acontece porque, na época em que a gente era criança, os modelos de beleza eram de mulheres como Luciana Vendramini, Ana Paula Arósio, mulheres mais gostosas. Hoje em dia a magreza é vista com bons molhos.

Qual situação mais engraçada que vocês vivenciaram em cena?
Renata: Foi uma vez em que falamos o texto sobre a história do Brasil, misturandos vários nomes, períodos, para informar a Olívia “desinformada”. Eu esqueci uma fala, isso porque eram apenas três (risos), e a gente se confundiu. Tivemos que parar e recomeçar. E fomos falando meio pausadamente, só para ver onde erramos, até que eu percebi que era eu, levantei a mão e confessei. A platéia vibrou.

“O homem diz que a gente se apega. Mas é claro que está apegada:
está toda assada em casa”

Quais são as piadas que sempre dão certo?

Cris: A do “toda assada” (em que elas ensinam homens a lidar com a mulher depois do primeiro encontro). “O homem diz que a mulher se apega fácil. Mas é claro que ela está apegada: está toda assada em casa” (risos).
Mari: Eu até me seguro para não rir, vou falando bem lentamente, senão dou risada.
Cris: Mas sempre pode dar errado. Vai muito da identificação do público com o tema.
Quem é o brasileiro mais engraçado de todos os tempos?
Cris: Na minha opinião é o Pedro Cardoso. É extremamente inteligente. Gosto dele desde a época do “Tv Pirata”. Ele fala de coisas que não deveriam ser engraçadas, coisas do cotidiano, mas que consegue tirar o riso. É um humor inteligente.
Renata, Mari e Sheila: O quarteto dos Trapalhões dos anos 80, quando estavam o Mussum, o Zacarias. Eles não tinham a preocupação do politicamente correto: o Mussum bebia mesmo, o Zacarias era meio gay. Era genial. Hoje não tem mais. Depois da coisa Unicef estragou um pouco. O Didi perdeu a forma do coletivo.
Hoje em dia o que faz vocês rirem?
Cris: A vida tem duas coisas importantes: a tragédia e a comédia. É só mudar o olhar. A gente pode se olhar como divino ou patético. Se nos olharmos como patético, até as tragédias podem ser engraçadas. Para rir, é só não se levar a sério.


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