‘Não há LGBT em capa de revista gay’, comentam jornalistas em mesa redonda

Fátima, Laranja, Rafael e Neto
A mesa redonda “Vamos discutir a relação?”, promovida por Gabriela Cesar nesta quinta-feira [4], às 20h, na ECA/ USP, em São Paulo, abordou os discursos e estratégias de jornalistas e blogueiros para abranger e informar a população LGBT. Foram cinco convidados: Laranja Lima, Neto Lucon, Rafael Farias Teixeira, Jéssica Tauane e Fátima Frazão, que refletiram sobre relação da comunidade colorida com a mídia brasileira e a produção de conteúdo.
Laranja, da página Nada Errado, contou que a concepção do blog foi discutida com ninguém menos que a cartunista Laerte Coutinho e que procura se desvencilhar do “óbvio conteúdo dos demais sites”, que investem em homens descamisados e homoerotismo. “Não acho legal  abrir uma página com um homem de sunga no topo, que é o que geralmente acontece. Quero que as pessoas possam acessar em seus trabalhos e que se deparem com um conteúdo diferenciado”, contou. 
Entre ideias e posts de excelente conteúdo, ele falou sobre a campanha “Menos Carão, Mais Carinho” e do post em que apontou homofobia no comercial da cueca Lupo. Nela, o jogador Neymar aparece com diferentes cuecas para clientes mulheres, mas sai de fininho quando um homem pede para comprar. Para ele, Neymar não só se negou a aparecer de cueca, como fugiu do  comprador.  “Como se a Lupo dissesse: Este público a gente não atende.”
Exibindo alguns dos divertidos e informativos vídeos do Canal das Bee, Jéssica e Fátima disseram que procuram levar conteúdo e combater o preconceito por meio do humor.
Elas afirmaram que a divertida mensagem chega facilmente aos internautas e que recebem muitos comentários dos espectadores diariamente. Em um dos casos, um gay enfrentava problemas familiares e, após alguns conselhos da trupe, conseguiu se entender e estava muito melhor. “Muito do nosso público é héteros, pois deixamos tudo mastigadinho”, disse Jéssica.
“Só gay, gay, gay?”
Neto Lucon, criador desta página, comentou sobre o trabalho que desenvolve dentro mercado LGBT e destacou que as publicações atuais não contemplam lésbicas, trans e gays que fogem do padrão malhado, branco, consumidor e frequentador da The Week. “Dizem que é questão de mercado, mas trata-se de uma reprodução machista e de homofóbica internalizada. Afinal, o que eles vendem é um gay muito parecido com o comportamento padrão e hétero, haja vista que geralmente não há gays em capas de revistas gays”.

Laranja lembrou a edição da revista Junior em que Laerte é capa por meio de uma ilustração. “Por que não colocaram uma foto dele? Talvez achem que gays ainda não querem ver a imagem de Laerte”. Rafael complementou que uma edição que dizia contemplar diversas belezas colocou apenas um gordinho. “Ainda assim ele estava depilado e todos os demais, negro e ruivo, eram malhados. Fora que colocaram duas capas, com receio das vendas”, defendeu.

Neto comentou sobre o primeiro ensaio com uma travesti que realizou para o Virgula Girl, da seção Trans em Debate, e do primeiro ensaio com duas modelos transexuais. “Dizem que travestis não são leitoras em potencial e que, por isso ,não são contempladas em revistas gays, mas consegui montar uma página e ter 100 mil visitantes mensais. Daí eu pergunto, não há conteúdo trans por que não há leitura ou não há leitura por que não há conteúdo?”.
A atriz e militante Kimberly Luciana Dias, que participa do Trans em Debate, esteve presente e deu a sua visão: “Vejo que falam do gay, gay, gay, mas não vejo travesti representada. A mídia não respeita o nosso nome social e nem o gênero. Dizem ‘o’ travesti, ‘o’ transexual, mas o correto é ‘a’ travesti, ‘a’ transexual. As novelas também não contribuem, pois sempre colocam um homem montado de mulher, sendo que não somos uma caricatice”.

Kimberly, que apostou na visibilidade com conteúdo, também elogiou o trabalho do NLucon e foi aplaudida pelos presentes.

Livro Entre Irmãos e vilania gay em novelas
O escritor Rafael falou sobre o livro Entre Irmãos, que conta a história de Fernando, um jovem que rompe com a família após se assumir gay, mas que se vê obrigado a retomar os laços depois que um dos irmãos morre. “Me perguntaram se eu tinha medo de ficar rotulado como escritor gay, e eu disse que não”, diz ele, que aborda questões que vão além da sexualidade e adianta que o protagonista não se trata de um mocinho padrão.
Rafael sorteia livros
Rafael também questionou Felix, o personagem gay interpretado por Mateus Solano na novela Amor à Vida. “Será que estamos preparados para um vilão gay?”, perguntou o jornalista. “Acho que pode contar a favor, no sentido de mostrarem que ele se tornou assim depois de ter sido pressionado pelo pai a esconder a sexualidade”, contra-argumentou Jéssica, dizendo que a comunidade adora vilãs.

Neto ainda declarou que não se trata de um personagem perigoso para a visibilidade, uma vez que a novela também aborda outros dois gays, Niko [Thiago Fragoso] e Eron [Marcello Antony], que almejam adotar e formam um casal extremamente do bem. 

Eles ainda falaram sobre visibilidade, padrão de modelos em capas de revistas, conteúdo diferenciado e como levar informação para pessoas que não estão na internet. Nos minutos finais, Rafael sorteou três livros para os presentes, autografou e vendeu alguns exemplares. Já Laranja distribuiu a divulgação do Nada Errado, com a frase: “Um novo jeito de pensar cultura gay”. Pegou? 
CONFIRA AS PÁGINAS ABAIXO:
Neto Lucon com Leticia Pereira e Alex Brito
Com a jornalista Melissa de Miranda
Com Kimberly Luciana Dias

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