Pitacos Realidade

Na Playboy, Nanda Costa salva a Mata Atlântica da ditadura da depilação


Apesar de a Playboy colocar uma protagonista de novela na capa de agosto, depois de anos com ex-BBBs e panicats, uma questão inacreditável foi levantada pela ala masculina: os pelos pubianos e a depilação aflorada [e fora da “moda”] da estrela, no caso Nanda Costa. A atriz, que deu vida à Morena, de Salve Jorge, se entregou a um ensaio ousadíssimo [e de muito bom gosto] em Cuba, mas recebeu comentários cruéis, debochados e até comparados à falta de higiene porque se deu o direito de ter uns pelinhos “a mais”.
Parece inconcebível, mas, de mulher linda, sexy e digna de uma prazeirosa p*&*7@, ela passou a fêmea porca, brochante e sucessora de Claudia Ohana – outra bela que se tornou piada por ter ostentado uma depilação natural na Playboy de 1985 [na época em que ainda estava na “moda”] – e  de Vera Fischer, em 2000. A repercussão foi tão grande que a musa usou o Twitter para se defender e falar sobre o direito de se depilar [ou não] e de ser como quiser.

“Foi divertido e assustador ler tantos comentários sobre a depilação que supostamente não fiz. Vi, revi e aprovei cada uma das fotos, nunca imaginei que o assunto desse ensaio, que considero no mínimo autêntico, fossem os pelos. Pelo que vejo a arte aqui continua sendo vista pelos detalhes, pelos pequenos e pelo todo, pelos grandes. Seguir “padrões” significa negar a grandeza de ser diferente. Cada um é único, sejamos nós mesmos, pelo o mais, pelo menos!”, escreveu. 

Nanda ESCOLHEU se depilar daquela maneira e, ok, continua sendo mulher, linda, limpa e com personalidade. Não merece pedras por sua intimidade não representar o “padrão” e, cá entre nós, existe moda até para isso?


O fato é que a ditadura da depilação – que, segundo a jornalista e feminista Melissa de Miranda, começou com os filmes pornôs para facilitar a visualização da câmera no entra e sai – está crescendo com a massificação [internet e o pornô à domicilio], ou melhor, podando o direito de ser com autenticidade– inclusive dos homens! Há adolescentes que observam as musas do pornô absolutamente depiladas e acreditam, de verdade, que suas namoradinhas nascem sem pelos. E quando observam um: “ugh, o que eles estão fazendo ali?”. 

E na reprodução impensada dos padrões, a “regra” é que os pentelhos estejam cada vez em menor proporção e, se possível, no estilo “carequinha” para facilitar a vista absoluta da genitália. Nada contra quem queira seguir o padrão – é um direito – mas impor a todas as mulheres [ou considerar sujo algo que é natural] é não ter o mínimo de respeito à individualidade e até a criatividade. Depilar-se ou não, deveria ser uma ESCOLHA e não uma IMPOSIÇÃO.

Para os leitores, é como comprar uma revista de nudez com corpos iguais. É abrir um kinder ovo com a mesma surpresa. É perder o bom humor e receber sem empolgação o inesperado. Assim como a capa da revista promete, Nanda surge e faz uma revolução. Aparece linda, nua e, por que não, sensualmente peluda. Uma linda mulher real e provocante, que anuncia o grito “Salve a Mata Atlântica” contra a ditadura da beleza. Até porque ela já disse que “jamais faria bigodinho de Hitler na terra de Fidel”…

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