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Ícone trans no teatro, Phedra de Córdoba dá adeus aos 77 anos

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A atriz cubana radicada no Brasil Phedra de Córdoba – um dos grandes ícones do teatro brasileiro e estrela da comunidade trans – deu adeus na noite de sábado (9) aos amigos e fãs. Ao 77 anos, Phedra morreu no Hospital Heliópolis, em São Paulo, após uma batalha contra o câncer de pulmão.

+ Em tratamento, Phedra emociona ao aparecer em show beneficente 

Ela, que havia sido internada anteriormente, cuidava da saúde em seu apartamento na praça Roosevelt, mas passou mal durante a tarde e foi levada pela atriz Maria Casadevall novamente ao hospital, onde faleceu.

O diretor Rodolfo Garcia Vazquez, amigo de Phedra, escreveu em seu Facebook: “Ela agonizava. Últimos minutos. Então ele, o cuidador, preocupado com sua dificuldade de respirar, perguntou se ela estava sentindo muita dor. E ela, recuperando as forças, num fiapo de voz, disse: Não, querido, é muito amor! Como diz o texto de Pessoas Sublimes, “vivos e mortos, somos todos interdependentes”. E eu digo que, do lado dos vivos, somos interdependentes do teu amor, Phedra de Cordoba amada!”

Nas últimas semanas, amigos fizeram shows, performances e uma vaquinha para ajudar no tratamento da artista. No show “Phedra por Phedras”, dirigido por Gero Camilo e Rosbon Catalunha, no Teatro Oficina, a atriz apareceu, assistiu ao espetáculo e emocionou a todos.

Em conversa com o NLUCON em 2014, após o espetáculo “Não Morrerás”, Phedra falou sobre a morte: “Não tenho medo da morte. Tenho curiosidade de saber como é essa passagem. Sei que existe algo muito além da vida, pois já tive contato com o meu pai há alguns anos. Eu estava deitada, ele apareceu para mim e eu gritei. Uma amiga, que nunca o viu, também chegou dizendo: ‘Era o seu pai’. Então, não tenho medo. A minha única exigência é que eu esteja muito bem maquiada. É vaidade de artista”.

O velório será no Espaço dos Satyros Um, a partir das 5 horas da manhã deste domingo. O corpo sairá às 14h em direção ao Crematório da Vila Alpina (Av. Francisco Falconi, 437 – tel. 2345 5937), onde será cremado às 15h.
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Phedra deixa uma história de luta, um legado de arte e superação. Seja como um talentoso bailarino em Havana nos anos 40, uma talentosa artista trans no Brasil desde os anos 50, uma sobrevivente dos tempos de ditadura, e atualmente diva no teatro – ícone maior do grupo Satyros, em São Paulo.

Em sua carreira, estrelou peças e espetáculos como “Les Girls”, “A Filosofia na Alcova”, “A Vida Na Praça Rossevelt”, “Hipóteses para o Amor e a Verdade”. Também foi personagem do documentário Cuba Livre”. E trabalhou com grandes nome como Consuelo Leandro, Walter Pinto, Hebe Camargo, Nelson Gonçalves e Costinha.

Em 2015, foi homenageada com o prêmio Claudia Wonder pela SP Escola de Teatro. E em uma das performances deu um recado às travestis e mulheres transexuais do Brasil: “Unidas venceremos, espalhadas nada fazemos”. 

Phedra deixa uma legião de fãs e amigos desconsolados pela grande lacuna nas artes teatrais e pela pessoa encantadora, cheia de vida e cores que ela era. 
O NLUCON sente muito esta perda e deseja sentimentos a todos os fãs, amigos, familiares e colegas de trabalho.

Leia aqui uma das entrevistas que fizemos com Phedra: “Ser quem eu sou hoje era o meu grande sonho”.

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