Pride Realidade

Wayuu trans de 76 anos diz que teve que abandonar seu povo para sobreviver

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Jorgina
é uma mulher trans de 76 anos que guarda muitas histórias de tristeza, superação e solidão. Ela fazia parte dos wayuu – um grupo étnico ameríndio da península da La Guajira, no nordeste da Colômbia – e relata que precisou abandonar o seu povo para sobreviver.

Em entrevista ao site La dos Orillas, ela relata o que passou e afirma que ser uma pessoa trans era como morrer em vida.

O primeiro trauma ocorreu aos cinco anos, quando o pai tentou matá-la com uma espingarda numa manhã de sol. Tudo porque os amigos dele tiraram sarro do comportamento feminino da filha, que precisava ser assassinada para apagar a humilhação que sofrera.

Indignado com o que ouviu e com a possibilidade de ter um filho que “gostava de se vestir de mulher”, o pai pegou a arma debaixo da cama, apontou para a cabeça da filha. Mas após puxar o gatilho, deixou-a viver na esperança de que os constantes espancamentos a fizessem homem.



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Aos 25 anos, nada mudou e Jorgina continuou sendo exatamente quem era. Aliás, a mulher estava cada vez mais nítida. Ela sofria insultos e queixas do povo, mas nada se comparou à noite em que acordou com a sua casa incendiada. “Eu estava dormindo quando eles chegaram e queimaram a casa comigo dentro”, declara.

Jorgina diz que deu tempo de ver o fogo abraçando o teto de palha e consumindo tudo o que tinha no mundo. Era uma vida em comunidade destruída pela transfobia. “Eu os perdoei, mas se eles voltarem, não ficarei quieta”.

Longe do seu povo, ela afirma que passou muitas dificuldades. “Eu sofria muito, passava muita fome”, lembra. Mas que conseguiu superar tudo de cabeça erguida, conseguindo completar sete décadas de vida.

“Hoje estou muito velha e estou feliz, apesar disso. Eu já aceitei e me acostumei a estar sozinha o tempo todo. Agora me sinto bem e eles não se metem comigo. Às vezes, amigos me visitam. Eu acho que eles lembram da minha solidão”, finaliza Jorgina, deixando uma lágrima escorrer.


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