Pride Realidade

"Nunca pensam na travesti como pessoa de bem", diz Paty Delli que socorreu vítimas de agressão

Por Neto Lucon

Dois homens gays cis foram roubados e espancados por vários homens na noite de quinta-feira (3) no Largo do Arouche, centro de SP. E de acordo com a vítima Vinicius Anselmo, enquanto muita gente passou, viu a violência e não fez nada – inclusive policiais – foi uma travesti que parou para socorrê-los e chamou ajuda (relembre aqui).

Descobrimos que a travesti em questão é Patricia Araújo, mais conhecida como a produtora de eventos Paty Deli. Ela é natural de Petrolina, Pernambuco, mora em São Paulo e tem uma festa ótima chamada “Terças Trans”, realizada no centro, destinada às travestis, transexuais e simpatizantes.

Ao NLUCON – que curiosamente estava prestes a subir uma entrevista com ela, vide as fotos exclusivas desta matéria – Paty contou que estava caminhando com algumas amigas quando viu dois rapazes caídos no chão, após terem sido roubados e assaltados. Um estava acordado e o outro desmaiado. Ela não pensou duas vezes em mobilizar as amigas, se dirigir até eles e os socorrer.

Foto de Vinicius após as agressões


“Atravessei a rua e pedi às meninas que dessem água. Tentei acalmar, parei um taxi e expliquei o que havia acontecido. Eles foram seguros dentro do taxi. Só hoje fiquei sabendo que eles publicaram na internet o depoimento. Fiquei feliz que, apesar dos hematomas e do trauma da violência, eles estão bem”, diz.

No relato de Vinicius, as travestis “arriscaram a própria vida” para os socorrer dos três homens. E classificou a ação como “um grande ato de amor” – “porque não sei descrever com outras palavras”. Paty afirma que fez apenas o que queria que fizessem por ela numa situação como aquela. 

Ela afirma que algumas pessoas se surpreenderam com o relato porque ainda pensam que ser travesti é sinônimo de ser marginal. “Nunca pensam na travesti como uma pessoa de bem, que pode ajudar outras pessoas. Mas somos e ajudamos”, declara a empresária, que em sua festa promove o Baile do Bem. Trata-se de uma ação que ajuda idosos em asilos, crianças com câncer e outras instituições (clique aqui). 


Paty afirma que espera que os meninos se recuperem logo. E que o caso sirva tanto para expor a segurança do centro quanto para que gays cis e travestis se unam mais. “Todos nós, gays e travestis, somos alvo de preconceito. E enquanto a gente fica se alfinetando, a sociedade nos massacra”, finaliza ela, que curiosamente comemorou o aniversário na quinta-feira (04).

Parabéns duplo!

“Acham que a travesti é marginal e que nunca vai ajudar outras pessoas”. 
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