Pride Realidade

Ativistas de Belo Horizonte marcham em luto pela população trans assassinada

Por Neto Lucon
Foto: Gael Benítez

Cerca de 100 pessoas se reuniram a partir das 14h no dia 29 de janeiro – o Dia Nacional da Visibilidade Trans – para marchar em luto pelas vítimas dos crimes de transfobia no Brasil, em Belo Horizonte.

Organizado por grupos e organizações em prol da população trans, como Transvest, Cellos MG, CRP e a ideia do ativista trans João Maria Kaisen de Almeida, a concentração ocorreu na Praça Sete de Setembro, onde foi realizada uma oficina de cartazes, e lembrada as mortes de pessoas trans no Brasil, o país que mais mata a população trans no mundo.

De acordo com a ong internacional Transgender Europe, foram assassinadas 1.500 pessoas trans na América do Sul e Central de 2008 a 2015, sendo que no Brasil foram registrados 802 casos. O número pode ser maior devido aos casos subnotificados ou daqueles em que a mídia noticia a morte de uma travesti ou mulher trans como “homem”. Ou a morte de homens trans como de “mulheres”.  





“Foi a primeira vez que estive em uma marcha sobre visibilidade trans. Estar em um evento desse, com tantas pessoas reunidas e levando cartazes com dados infelizes que acompanham a nossa população, em silêncio pelas vítimas assassinadas e violentadas pela transfobia, foi muito forte. Dezenas de pessoas trans que não são quistas nesses lugares públicos, ocupando-os, mostrando nossa realidade, quem somos e sem medo é algo fantástico”, declarou o fotógrafo Gael Benítez (de camisa azul na foto abaixo). 

Homens trans unidos contra a transfobia (foto: Caroline Andrade)

O grupo seguiu caminhando em luto e silêncio pelo centro de Belo Horizonte com vários cartazes, tendo um caráter educativo mostrando uma realidade historicamente silenciada e alijada dos debates públicos e políticos.

Dentre eles: “2016: 160 mortes, 39,9% das vítimas são negras, Pelo direito de viver chega de transfobia, Transgredindo o cistema e Amar sim, Temer não”. E finalizaram o evento às 19h na Praça da Liberdade, onde acenderam velas em homenagem às vítimas da transfobia.

Esperamos que num futuro próximo o Dia Nacional da Visibilidade Trans seja de reflexão, mas também de conquistas e vitórias. 

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