Pop e Art

Ator trans Vinícius Camargo estreia 1º monólogo em Mogi Guaçu: "Sempre quis atuar"

Por Neto Lucon

O ator Vinícius Camargo – que é homem trans de 33 anos – vai encenar neste sábado (18), às 14h, o “Monólogo da Morte – as mortes na vida de um trans”, de autoria e direção de Igor Rodrigues. A obra será encenada no anfiteatro da Escola Estadual Luiz Martini, em Mogi Guaçu, interior de São Paulo. 

Vinícius fala sobre a trajetória de Carlos, um homem trans – pessoa que foi designada mulher ao nascer, mas que se identifica com o gênero masculino e é um homem – e apresenta os desafios, conquistas e transfobias ao longo de sua vida. A entrada é franca.

“Falo o que acontece na vivência de um homem trans desde a gestação da mãe até as mortes que ele teve no decorrer dessa trajetória. Tanto em relação ao preconceito, quanto as mortes emocionais desse personagem e das pessoas que envolvem a vida dele”, declara Vinícius ao NLUCON.

Segundo o ator, há várias similaridades entre a vida de Carlos e a sua. “Mas ali não sou eu, é o Carlos, então tem muita coisa que eu não passei, mas que muitos homens trans passam. E eu abraço e me envolvo com a vida dele para ter uma boa atuação”, afirma.

Logo após a apresentação da peça, o ator e diretor vão promover um debate junto aos espectadores para abordar as questões ligadas a população LGBT. A produção é do Projeto Causarte – Causando do Caos à Arte. A direção fotográfica é de Diego Rodrigues, sonoplastia de Fernando Gonçalves e o figurino é de Amanda de Sousa.

AUTOR CIS ATUAVA, MAS PROCUROU ATOR TRANS

A história foi baseada na vida de um amigo trans do diretor, que promoveu uma homenagem. Durante um tempo, Igor chegou a apresentar o monólogo como ator, mas neste momento em que artistas trans reivindicam representatividade, ele se sensibilizou e decidiu procurar um ator que fosse trans. Encontrou Vinícius, que fazia oficina no Centro Cultural de Mogi Mirim com Eder Marçal.

Coletivo Causarte uniu pessoas LGBTs que querem atuar


“Atuar é algo que eu sempre quis para mim, só que pelo fato de eu ser homem trans e deficiente (ter a síndrome de charcot marie tooth, que afeta os nervos do corpo e enfraquece o físico), eu não conseguia me ver nesse meio artístico. Eu era muito tímido, mas fui me soltando. A deficiência não atrapalha em nada, pois hoje em dia tudo está sendo adaptado”, diz.

Por meio da busca por representatividade, Igor organizou o Projeto Causarte – Causando do Caos à Arte,. A Cia se encontra para oficinas e ensaios aos sábados. Lá, há outras pessoas trans e LGBP cis que desejam atuar aprendendo as técnicas, aperfeiçoando as habilidades, trocando experiências e causando no interior de São Paulo.

Veja mais informações no evento da peça clicando aqui.

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