Pop e Art

Rapper e mulher trans, Natt Maat canta contra a transfobia em encontro sobre a Cultura da Baixada Santista

Por Neto Lucon

Rapper, compositora, produtora cultural, militante e mulher trans. Natt Maat, de 24 anos, fez na quarta-feira (21) uma performance/manifestação no Encontro Técnico de Cultura, que reuniu secretários de Cultura da Baixada Santista e representantes do Estado de São Paulo no Teatro Municipal Braz Cubas, em Santos.

“Sou a única mulher trans, travesti, transexual,
transgênero que está aqui”

A apresentação ocorreu durante o tempo de fala de Júnior Brassalotti, presidente do Conselho Municipal de Cultura de Santos (Concult), que dedicou os minutos para apresentar o trabalho de Natt e mostrar a importância de se discutir a inclusão de artistas trans.

Cantando a música intitulada Transfobia, Natt afirmou que muitas mulheres trans, travestis, transexuais e transgêneros tem as portas do mercado de trabalho fechadas, mesmo quando são qualificadas, por conta do preconceito.

Na letra, o recado: “Eu falo de uma realidade sem capacitação/sem estudos por motivos inúteis ou até banais/O preconceito e a violência nas ruas são reais/Não conseguem estudar nem conseguem trabalhar/O preconceito existe, é sério, está em todo lugar/Eu falando de transfobia parece ser vitimismo/Se não é a sua realidade você mostra egocentrismo”.

Em conversa com o NLUCON, a rapper afirma que a ação foi inesperada e que inicialmente estava lá para saber os assuntos sobre cultura que seriam tratados e fazer uma intervenção. “Falei para o Júnior Brassalotti sobre entrar e intervir. De imediato, no início do evento ele me ofereceu um espaço para falar e para musicalizar. Levei em questão a violência contra mulheres trans, transgêneros, travestis e transexuais”, declarou.

Conheça a música Transfobia:


Segundo ela, foi gratificante ter reconhecimento, espaço e a oportunidade de falar sobre um assunto pouco falado, a transfobia. Que o momento tenha sensibilizado os presentes e mostrado a urgência da empregabilidade, democratização das oportunidades e investimento nas artes, independe da cor, gênero, identidade de gênero e orientação sexual.

O jornal local A Tribuna informou que o evento, que foi aberto ao público, durou o dia todo com apresentações e debates sobre modelos de financiamento, circulação artística e mapeamento de indicadores culturais.

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