Pop e Art

Drag Sasha Sabrina diz que se monta em homenagem a amiga trans que cometeu suicídio

POR NLUCON

O psicólogo Franklin Xavier – também conhecido como a drag queen Sabrina Sasha do concurso Super Talento, na Bahia – revelou ao blog Me Salte, do Correio 24h, que começou a se montar para homenagear uma amiga trans que cometeu suicídio aos 19 anos.

De acordo com Franklin, a amizade com Marina (o nome social real foi preservado) começou quando cursava o quinto semestre da faculdade e escrevia sobre auto-aceitação nas redes sociais. A amiga a adicionou e eles iniciaram uma grande amizade.

“Mesmo sem nos conhecer pessoalmente, tínhamos uma amizade daquelas que parecia que nos conhecíamos há anos. Conversávamos todos os dias”, diz Sabrina, que passou a aprender sobre gênero, identidade de gênero e sexualidade. Tanto que escreveu sobre o assunto em seu TCC “Sou mulher sou menina: a construção da subjetividade de uma mulher transexual” e era incentivada a dar vida a uma drag queen.

Após oito meses de amizade, a notícia: Marina havia cometido suicídio aos 19 anos e deixado uma carta. Ela relatava o sofrimento da transfobia no Brasil. Havia sido expulsa de casa aos 14 anos pelos pais evangélicos, estava inserida na prostituição por imposição e e se sentia explorada psicologicamente e sexualmente. “É uma história muito triste. A vida era de sofrimento, de dor. Marina sempre me falava que contava nos dedos os momentos felizes”. Um deles era aquela amizade.

No TCC e na formatura, ele apareceu montado com a intenção de homenagear Marina. “Foi libertador me apresentar montada. Foi como uma homenagem. Foi como torná-la viva novamente”, declarou. “Ela me ajudou demais a construir minha personagem. Ela que me deu a ideia, mas eu tinha vergonha. O nome também foi dela: Sabrina Sasha – eu não gosto desse nome, acho uó, mas mantive”, declarou.


Franklin afirma que ideia era apenas apresentar o trabalho, mas que depois a personagem tornou-se parte de sua vida em outros momentos. “Ela me ajudou a desconstruir muita coisa”. Sobre a própria identidade de gênero, Franklin diz se entender como cis e também como não-binário. “Estou tão lá e cá, que não sei dizer se sou isso ou aquilo. Eu não ligo se me tratam no feminino ou no masculino. Ainda mais que sou Franklin e Sabrina”.

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