Pop e Art

“Pessoas livres de preconceito me apoiam”, diz a jogadora de vôlei Tiffany de Abreu


Por NLUCON

Desde que começou a jogar na equipe feminina da Super Liga no fim de 2017, a jogadora de vôlei Tiffany Pereira de Abreu vem sendo alvo dos diversos tipos de ataque. Tudo porque ela é uma mulher transexual e, para muitas pessoas, ela não deveria competir com mulheres cis. Enquanto alguns demonstram a transfobia pura, outros tentam justificar para diferenças corporais.

Tiffany afirma que está dentro da lei, que seguiu todas as exigências do COI (Comitê Olímpico Internacional) e FIVB (Federação Internacional de Vôlei), mas que sabe que há pessoas contra sua participação, seja porque não aceitam as diferenças ou porque não acessaram as informações corretas. “As pessoas temem o que não entendem e buscam explicações para justificar seus medos. Muitas dessas explicações são distorcidas”, declara.

Em entrevista ao Estadão, ela diz que se sente atingida com tantas críticas ao mesmo tempo em que já esperava que nada seria fácil. “Como ser humano eu me sinto atingida, pois não estou fazendo nada fora de lei. Como profissional, eu sabia que não seria fácil ser aceita. Me consideram como um marco na história do esporte, eu tenho me considerar e me ver como uma pessoa que está indo atrás de sua felicidade, sem desrespeitar ou diminuir ninguém”, afirma.

Tiffany defende que não é superior ou inferior a nenhuma outra jogadora – como tentam dizer algumas pessoas – mas que pode somar ao time. “Estou fazendo o meu melhor para ajudar coletivamente o time e chegarmos em uma boa posição na Superliga”. 

Ela afirma que suas companheiras de equipe, grande parte da torcida e amantes do vôlei a apoiam. “Tenho recebido várias manifestações de carinho da torcida e dos amantes do voleibol em geral. As pessoas que são livres de preconceitos me apoiam de verdade e vejo que a solidariedade deles é real”.



Sobre os comentários de que foi alvo de transfobia no Rio de Janeiro pela torcida do Fluminense no fim de 2017, ela afirma que não escutou. Mas também não diz que não houve. “Quando estou na quadra, estou focada a ajudar o time. A torcida de qualquer adversário tentará sempre empurrar o seu time, mas depois do jogo, nós continuamos sendo profissionais. Várias pessoas demonstraram carinho e vieram até mim”.

Ela conta que a pressão que sofre no dia a dia é igual a qualquer jogadora cis que almeja dar o seu melhor no esporte, mas admite que se surpreende com a comoção para que as regras sejam alteradas e ela pare de jogar. “Eu não vejo os comitês de outras ligas ou os profissionais de outros países tentando contestar as leis sem pesquisas e sem estudos. Não estamos levando em consideração as leis e as entidades que regem o esporte com essa movimentação. Estão buscando tornar legítimas suas opiniões e com isso me invalidar como jogadora”.

Tiffany pontua dizendo que quem é contra a sua participação não tem mostrado nenhum estudo com pessoas transexuais que atestam vantagens. Apenas opiniões pessoais e dados fora do contexto. “Até que eles apresentem esses estudos ou até que o COI reverta a lei, eu seguirei jogando e fazendo o que me deixa feliz. As pessoas deveriam tentar fazer o mesmo”, finalizou.

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