Realidade

Antes de ter carro queimado, homem cis agrediu mulher trans com cabeçada, em Santos

Por NLUCON

Um vídeo de uma mulher transexual em cima de um carro pegando fogo viralizou nas redes sociais na sexta-feira (19). Ao assistir as imagens, muita gente bateu o martelo e julgou: a mulher trans “estava errada” e fez tudo aquilo “porque é uma marginal” (frases de comentários nas redes sociais).

Porém, após o depoimento dos envolvidos, a história que ocorreu na quinta-feira (18) apresenta o outro lado. O dono do carro – 28 anos, cujo nome não foi divulgado pela polícia – havia ofendido e agredido K. R. (decidimos não divulgar o nome dela também), de 27 anos, em um bar de Santos, litoral de São Paulo.

Ele a chamou de “traveco” (termo pejorativo e que inferioriza a travesti e a mulher trans) e, depois, deu uma cabeçada nela, deixando-a ensanguentada. Foi então que o veículo foi danificado por ela e outras amigas. Após a chegada da polícia, o homem tentou fugir do local, mas foi levado para prestar depoimento. Ambos negam que o episódio tenha relação com programa sexual não pago. 

A delegada Rita de Cassia Garcia Mendez, responsável pelo caso, confirmou a versão ao G1: “Entendemos que houve um desentendimento entre o motorista do veículo e a K. Ele deu uma cabeçada nela na porta de um bar, e tudo começou a partir daí. Por isso, os dois, que são maiores de idade, foram enquadrados como vítimas e autores dos atos”, declarou. Eles foram liberados horas depois.

Cinco menores de idade, três travestis e duas adolescentes, também ajudaram a destruir o veículo. Por envolver menores o caso foi levado para a Delegacia da Infância e Juventude (Diju) de Santos. “Duas vão responder por ato infracional, por danificarem o veículo, conforme aparecem nas imagens”, diz.


Nas redes sociais, K. ressaltou que o episódio foi motivado por transfobia e que agora enfrenta o julgamento prévio das pessoas. “Povo fofoqueiro. Sempre são as trans que estão erradas, mas ele que começou. Não sou obrigada a aceitar ninguém dar na minha cara. E foi transfobia, sim. Pois quando saí do bar ele já começou a me xingar de traveco. Eu cheguei nele, discuti, falei que ele tinha que respeitar. Ele me deu uma cabeçada, na hora meu sangue começou a jorrar e eu, lógico, meti a porrada nele. Agora estamos na delegacia, mas quem está toda ensanguentada sou eu. Ele saiu ileso, porque como sempre as bichas são erradas. Estou passando por isso graças ao preconceito, mas não nasci para apanhar”, declarou.

O dono do veículo – que mora em São Vicente – não quis se pronunciar sobre o assunto.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.