Pop e Art

"Ainda priorizam homens", diz DJ trans Ledah Martins sobre trabalho em clubes LGBT

Por Neto Lucon
Foto: Bernardo Enoch

A DJ Ledah Martins – mulher transexual que arrasa nas festas de São Paulo há seis anos – realizou na tarde de terça-feira (23) o Workshop de Discotecagem na “Semana da Visibilidade trans”, da Casa 1, em São Paulo. Ao NLUCON, ela diz que o mercado ainda é dominado pelos homens cis, mas que as mulheres trans e travestis começam a mostrar potencial e ocupar o espaço.

“Como em todas as áreas, a mulher trans enfrenta barreiras. Mesmo no mercado LGBT, que é onde eu trabalho, há uma concorrência muito grande com os homens cis, que são gays, mas que dominam o mercado. A gente já tem poucas oportunidades para as mulheres cis que trabalham como DJ, mas temos ainda menos mulheres trans trabalhando”, pontua.

O workshop contou com a participação de cerca de 15 pessoas em uma sala mista e variada (presença de pessoas trans, cis, negras, brancas e estrangeiro). Ledah ensinou a mexer na aparelhagem de som, para que serve cada um dos botões, como fazer transição de uma música para outra, técnicas variadas e dicas pessoais acerca da profissão.

“Muito se critica os ‘DJs de pen drive’. Mas hoje em dia a maioria dos DJ usa, não é isso que vai dizer ou não se você é bom DJ. É apenas um instrumento de armazenamento de mídia em que permite armazenar muita música, que não risca como o CD, mas que ainda assim pode travar. É por isso que ando com vários”, afirma. Para a aula, ela tocou sucesso de Rihanna, Britney Spears e Kylie Minogue.

Ledah explicou também que, antes de selecionar as músicas que vai tocar em um espaço, é preciso ficar atento ao público, faixa etária e ao projeto da festa. “Eu começo tocando pop, depois vou para o black music e termino com o funk. É mais comercial. Então, trabalho o som em um crescente e saio com a pista fervendo. Cada DJ tem a sua técnica”, afirmou. Como última tarefa do workshop, as alunas e alunos puderam mexer na aparelhagem e fazer a transição das músicas. A cada acerto, aplausos.

Ao NLUCON, a DJ deu a dica para as travestis e mulheres trans que querem iniciar na profissão: “Procurem fazer um curso e há vários gratuitos disponíveis para aprender a técnica. Quando alguém vier falar alguma coisa, você vai saber exatamente o que está fazendo com qualidade. Agora, feeling para a música a gente tem de sobra, né? Depois, é só caprichar no visual, porque as pessoas, sobretudo os gays, adoram quando a gente chega bem diva no rolê”, afirma. 

Para o Dia da Visibilidade Trans, que ocorre no dia 29 de janeiro, ela diz que ainda precisamos falar dos assassinatos contra a população trans e travesti. “A gente está morrendo diariamente, mas os casos são abafados e colocados para debaixo do tapete. A gente não tem sequer esses dados contabilizados de forma concreta e oficial. Está acontecendo um assassinato em massa da nossa população e não estamos dando conta disso. Precisamos falar sobre isso e exigir maior segurança. É claro que para a pessoa trans tudo é urgente – educação, saúde – mas segurança é a mais importante nesse momento. Pois estamos falando sobre o direito à vida”, finalizou.  

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