Pop e Art

Em show, MC Dellacroix, Linn da Quebrada e Jup mostram que a “revolução será trans e crespa”

Por Neto Lucon
Fotos: Bernardo Enoch


A abertura da programação da Semana da Visibilidade da Casa 1, em São Paulo, contou com o pocket show de MC Dellacroix, Linn da Quebrada, JUP do Bairro e DJ Pininga. E com o espaço lotado, muita dança, denúncia e orgulho trans e negro, mostrou que a “revolução será trans e crespa”.

Essa, aliás, foi uma das falas de Dellacroix, que ao cantar o mais novo trabalho mostrou maturidade para falar sobre as identidades trans e a negritude. Disse que seu som não é tão só para mexer a raba, mas também para despertar a consciência.

No repertório rolou DLCROX, SóTr4vaPorretaÉ, Profana, R3sistência, EGOísmo, Preta e o seu primeiro e badalado single QUEBRada. Músicas que foram escritas pela artista e que evidenciam as reflexões de uma MC negra, travesti e periférica e que quer mostrar sua arte, sua voz e ocupar o mundo.

Com muito fôlego, performance marcante e voz potente, canta: “O crespo intimida multidões/ Capitães do mato sem reações/ Reaças a parte do cistema/ Travesti sem algema / Temer não é a solução, / Nem a função do que dizíamos em oração / É fácil perder a noção / Não é inovação / É alienação”.

Ao fim de sua apresentação, chamou várias “manas e manos” negros para dançar ao seu lado e disse que é extremamente importante que iniciativas como a Casa 1 conte sempre com o espaço cheio. “Estou extremamente feliz por poder estar somando com a minha arte”. MC Dellacroix (lê-le Delacroá) guardem bem esse nome!

Linn e Jup do Bairro vieram logo em seguida, também levantando e provocando o público. A entrada rolou pela escadaria. Com um pênis de borracha na mão, oferecia para que as pessoas degustassem com leite condensado. Abriu o centro da plateia, performou e chamou outras pessoas para performar.

“Estamos falando de visibilidade trans. É dia de comemorar, pois estamos vivas”, disse a artista, no país que mais mata travestis e transexuais no mundo, de acordo com a Ong Transgender Europe.

Linn cantou seus sucessos, bem como “Blasfêmea, Bixa Preta, “Necomância”, e foi acompanhada pelo público. As letras falam sobre o empoderamento do corpo, a valorização do feminino e ressaltam o “Talento” de ser terrorista de gênero. 

Arrepiou ao cantar “Mulher” e evocar a mulher com falo: “Ela tem cara de mulher/ ela tem corpo de mulher/ ela tem jeito, tem bunda/ tem peito / E o pau de mulher”.

Durante a apresentação, houve uma queda de energia. O público se dispersou num primeiro momento, mas assim que Linn começou a cantar novamente, voltou em massa para assistir. Ela fez uma nova entrada pela escadaria e mostrou todo o seu poder. Alguém ainda duvida dessa revolução?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.