Pop e Art Pride

Manifestações, arte e bandeira trans de 20 metros marcam 3ª Caminhada Pela Paz na Paulista


Por Neto Lucon
Fotos: Rafael Sant’s


A 3ª edição da Caminhada Pela Paz que ocorreu no sábado (27) trouxe na Avenida Paulista, em São Paulo, o tema “Sou Trans e Quero Dignidade e Cidadania”. Organizadoras pela CAIS – Associação Centro de Apoio e Inclusão Social de Travestis e Transexuais – a tarde foi marcada por discursos pelos direitos, manifestações contra a transfobia e uma bandeira trans (nas cores rosa, azul e branca) de 20 metros.

A militante, atriz e uma das organizadoras Maite Schneider afirma ao NLUCON que a caminhada conseguiu cumprir a missão: a de unir a população trans em prol da causa e tocar em assuntos importantes, bem como a cidadania dessa população e os crimes por transfobia. A PM estimou a participação de 600 pessoas – o que foi confirmado pela organização.

“Falamos de temas como cidadania, mortes, união pela vida e inclusão real de pessoas que estão sendo excluídas desse processo. Queria que nossas manifestações fossem de alegria e de comemoração. Mas ainda temos que contar nossas mortes para que não esqueçamos que precisamos nos unir, independente do Estado e do aval da sociedade. Eles nos matam, mas esquecem que brotamos, que somos sementes”, diz.

Dentre as e os militantes que discursaram estiveram Magô Tonhon, Gabriel Lodi, Adriana Silva, Gil Santos e Paula Beatriz. “Eu acho essencial esse espaço de diálogo, a gente conversar, falar e falar muito ainda. Para tirar mito, para tirar tanta desinformação, porque a ignorância é a grande mãe do preconceito. A gente precisa falar de amor e respeito. A militância é essa, respeitar o ser humano em sua individualidade, e dessa forma eu exijo respeito com a minha e a minha identidade”, afirmou Gabriel.

Quem esteve presente ainda pôde ver, conhecer e tirar fotos com diversos youtubers trans, bem como Adam Franco, Lucca Najar, Luca Scarpelli eBernardo Enoch. Houve ainda as presenças da psicanalista Edith Modesto, que tem um grupo pais e mães de filhos e filhas LGBT, o grupo Mães Pela Diversidade, as militantes Brunna Valin, Neon Cunha, Erika Hilton, Bianca Mahafe, dentre outras. “Precisamos sair às ruas, pedir justiça, direito das pessoas de todas as minorias, principalmente das minorias trans que são as mais discriminadas no Brasil”, disse Edith. 

Maite: “Eles nos matam, mas esquecem que somos sementes e brotamos”
Lucca, Adam e Luca



No trio, subiram ainda os políticos Eduardo Suplicy (PT), Toninho Vespoli (PSOL), Sâmia Bomfim (PSOL) para discursar a favor da população trans. Toninho revelou que levaria naquela tarde uma PL para o CCJ para que a Caminhada Pela Paz – Sou Trans e Quero… entre no calendário oficial do Município de São Paulo. 


Suplicy destacou o respeito que a população deve receber e fez um apelo para que o projeto Transcidadania – que leva travestis, mulheres e homens trans de volta aos estudos com uma bolsa auxílio – não deixe de existir em São Paulo. “Quero solicitar a todos os seres humanos em nosso Brasil que respeitem as pessoas em suas opções (sic), inclusive no que diz respeito ao comportamento sexual”.

A cantora, militante e presidenta da CAIS, Renata Peron frisou que neste ano as pessoas devem atentar em votar em pessoas que estão comprometidas com a pauta LGBT e sobretudo nas próprias pessoas LGBT que vão sair candidatas e candidatos. 


Precisamos ter um representante nosso, nesse ano de eleição, no Congresso Nacional”, declarou Renata. Vale dizer que no último ano, houve um recorde de candidaturas trans e travestis, com cerca de 10% das candidatas eleitas e votos expressivos. (relembre aqui).

ASSASSINATOS


Diversos manifestantes carregaram uma folha com nomes de pessoas trans que foram brutalmente assassinadas em 2017. Lembraram que o Brasil é o país que mais mata pessoas trans e travestis em todo o mundo, segundo a ong Transgender Europe e que somente no último ano 179 pessoas trans foram assassinadas no Brasil, segundo a Antra. 

“Nós não queremos morrer e não queremos ter uma expectativa de vida de 35,38 anos. Não, nós queremos viver mais que isso. Queremos ter direito de ir e vir, como qualquer cidadão e sem sofrer preconceito”, declarou Oyayemi Shywa Trindade.

O artista Ariel Nobre chegou a escrever a frase “Eu preciso dizer que te amo” em diversos corpos e espaços durante a caminhada. A frase faz parte da campanha contra o suicídio de homens trans no Brasil. O relatório “Transexualidades e Saúde Pública no Brasil”, do Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT e do Departamento de Arqueologia da UFMG, informa que 85,7% dos homens trans já pensaram em suicídio ou tentaram cometer o ato.

UNIÃO

A ação saiu do Museu de Arte de São Paulo (MASP), na Avenida Paulista, e caminhou até o Largo do Arouche, centro. Lá houveram apresentações de Danna Lisboa, Dellacroix, Valentin Nunes e Renata Peron. “Nós vamos resistir e existir. É por isso que estamos aqui”, frisou Danna.

Renata afirma que o resultado da caminhada é positivo, sobretudo pelos discursos e o tom político que permearam todo o trajeto. Ela conta que a Caminhada provou a importância da união. “Em menos de 20 dias, conseguimos juntar o dinheiro para o trio. E conseguimos por meio de vakinha virtual. Foi por meio dessa união que conseguimos sair”.

Ela frisa, todavia, que esperava mais a presença das pessoas trans e travestis do movimento de São Paulo. “Durante muito tempo falávamos para nós mesmas, mas agora que estamos agregando as pessoas de foram, não estamos participando? A caminhada não é minha, já passamos disso, ela é nossa”, declarou. Deste modo, ela faz um convite para que todas as pessoas ajudem na construção da quarta caminhada no próximo ano. 

Confira o vídeo: 


Confira algumas fotos da Caminhada: 

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