Pop e Art

#ContrateDJsTrans: Vita Pereira toca/performa do calipso ao funk e faz todos "mexerem a raba"


Por Neto Lucon

Quando a mineira Vita Pereira toca em festas no interior de São Paulo, o show é garantido. Além de apostar em músicas que vão do calipso, funk, vogue ao dancehall, ela também dança, performa e mexe a raba sem parar.

Ela começou a carreira há dois anos, quando entrou na faculdade de Pedagogia da Unesp, em Araraquera, e conheceu a Coletiva Be – voltado para a comunidade LGBT. Logo começou a tocar nas festas e a deixar a sua marca.

Definindo-se como a “loka da pista e do som”, Vita foge do óbvio e parte para curtir junto com o público. E no meio desse fervo, ela também faz um trabalho de resistência e consciência, valorizando as artistas trans, negras e periféricas.

Cheia de gás, ela já tem estratégias para driblar as transfobias do mercado, que excluem as pessoas trans dos rolês e dos trabalhos: produzir a própria festa. Sim, além de DJ, performer e militante, ela é produtora cultural. Saiba mais sobre essa maravilhosa!

– Como você define o seu som?

Eu sou a loka da pista e do som. Começo sempre com calipso, banda Djavu, algum forrozinho. Cresci dançando calipso nos bares com a minha mãe e é quase impossível não tocar as referências de forró do nosso país. Começo com arrocha e depois vem o pancadão e o vogue. Por último, sempre toco um ragga, dance hall. Não pode faltar, pois vogue, funk e dance hall são cultura negra e periférica.

– Você costuma incluir essas artistas negras, trans e periféricas no seu trabalho? O que não pode falar no seu som? 

Valorizo muito o som das pretas. Sempre toco elas nos rolê, bem como a Linn da Quebrada, Danna Lisboa, Alice Guel, Dellacroix, Gloria Groove, entre outras. Sou travesti, negra e periférica, então  levo essas questões também para o meu som. Agora, o que não pode faltar é o funk. Não toco se não puder balançar a minha raba o tempo todo. Funk é necessário. Sem funk, sem vita.


– Ser uma travesti faz diferença na profissão?

Faz diferença quando a nossa diferença é usada para gerar desigualdades. Ainda vemos poucas pessoas trans tocando nas melhores baladas. Ainda vemos poucas pessoas negras tocando nas grandes baladas. É sempre uma galera branca, universitária, e etc. Querem sempre chamar “DJs que já tem público”. Já ouvi muito essa frase quando indagamos porque não tem pessoas trans tocando no espaço. Arrumam toda e qualquer desculpa para não nos empregar. Mas se nós não temos públicos, essas casas deveriam apoiar nosso trampo para começarmos então a ter.

– O que podemos fazer para mudar esse cenário?

Estou começando a produzir a minha própria festa, a Tr444vd4. Ela terá temática trans, com artistas trans sendo convidados para se apresentarem e performarem. Além de DJs, performer e militante antirracista, antiproibicionistas e antilgbtofobia, sou produtora cultural. Se eles não nos contratam para as festas, então agora nós faremos nossas próprias festas para ajudar as nossas.

– Como começou a carreira de DJ?

Sempre quis tocar nas noites de São Paulo. Comecei há dois anos, quando me mudei para Araraquara para cursar Pedagogia na Unesp e entrei no coletivo LGBT da facul, a Coletiva Be. Como somos uma organização independente, organizamos festas para produzir as Semanas de Gênero e Sexualidade e outros eventos gratuitos para todes. Então, comecei tocando nas festinhas de república e na Coletiva Be.

– Já conseguiu tocar nas festas de São Paulo?

Ainda não toquei em nenhuma festa em São Paulo. Mas já fiz som em social de amigos. Já no interior toco em todas as festas promovidas pela Coletiva Be, festas de algumas repúblicas universitárias e também performo e toco em outras festas, como a Vira Perikita e a festa da calourada “Sejam Bem Viadas”.

– Que venham muito mais festas… O que o pessoal que te contratar pode esperar do seu trabalho?

Acho que o que vocês podem esperar do meu trampo é muito dedo no cu e gritaria. Sempre dou uma dica para as manas levarem uma garrafinha de água, porque na pista eu não deixo elas descansarem. Cada hora é um tiro.


– Como te encontrar e te contratar?

Atualmente fecho eventos, palestras e performances pelo meu email : transvitta@outlook.comMeu Instagram: @travasystem. Face: Vita Pereira.

*Vita é a quarta do DJ perfilada na campanha #ContrateDJsTrans. Confira a lista completa clicando aqui.

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