Pop e Art

Atriz e modelo Hari Nef afirma lutar pela população trans “por obrigação, não por escolha”


Por NLUCON

A atriz e modelo norte-americana Hari Nef vem conquistando o seu lugar ao sol. Aos 24 anos, ela esteve na série Transparent, na agência de modelos IMG, protagonizou campanha da Gucci e tornou-se porta-voz da L’Oréal. Tudo isso passaria despercebido – como ela simplesmente adoraria – se não fosse por um detalhe: ela é uma mulher transexual.

E é por esse detalhe que Hari afirma que se vê obrigada a lutar pela população trans, ainda que não tenha vontade. “Não sou uma ativista. Sou apenas uma atriz. Luto por obrigação, não por escolha. Não vim a este planeta para salvar minha comunidade. Não quero fazê-lo, mas não tenho escolha. Sinto que tenho uma responsabilidade por ser alguém que foi à faculdade, que sabe falar diante do público e que se tornou uma figura pública. Mas não gosto nem me inspira”, declara ao El País.

Segundo a atriz, ela só queria trabalhar, amar, fazer amigos, ir às compras, passar tempo com sua irmã e que sua vida fosse diferente. Tanto que encara todas as chamadas da imprensa de que é a “primeira a ser contratada”, a “primeira a conquistar tal feito” como uma “honra desconfortável”. “No fundo, quando você faz parte de uma comunidade ignorada, brutalizada e ofendida o tempo todo não é difícil ser a primeira a conquistar todas essas coisas. Me recuso a ser reduzida a isso. Preferiria ter todas essas coisas discretamente”.

Ela defende que apesar dos diversos pioneirismos e maior visibilidade, não há uma transformação real na sociedade. “Você realmente acha que aparecer em uma campanha da L’Oreal ou usar um vestido Gucci vai salvar os Estados Unidos daquilo que a administração Trump planeja fazer? Claro, pode ser que isso consiga ajudar alguém a se sentir melhor e se amar um pouco mais. Mas me parece pouco realista projetar expectativas tão progressistas no simples fato de que trabalho na moda e em Hollywood. Participo dessas indústrias porque gosto do trabalho que me propõem, mas não esqueço o quanto elas são racistas, sexistas e transfóbicas”.

Sobre o atual presidente dos EUA, ela afirma que Donald Trump prometeu, desonestamente, preservar os decretos que protegem a comunidade LGBT. Porém, a administração está promovendo leis e decretos que favorecem a liberdade religiosa de trabalhadores no setor público. “Isso significa que, se a nova regulamentação for concretizada, um funcionário público poderá discriminar quem quiser. Certamente as pessoas LGBT, já que o estilo de vida delas e suas identidades não se ajustam a certos valores religiosos. Estamos diante de um perigo real”.


Ao comentar os desafios como atriz, Hari afirma que diz que sente pressão por mais versatilidade e que vive pensando em como se tornar mais “vendável”. “Quero ser vista com uma atriz, e ponto, e não como uma atriz transgênera. Tenho frequentado um especialista de fala para ampliar o alcance tonal da minha voz. Quando faço meus exercícios, fico bem mais convincente”.

Apesar do discurso contra rótulos, ela admite que ter visto Laverne Cox – atriz que é uma mulher trans e que fala abertamente sobre esta característica – na capa da Time foi importante para sua vida e carreira. Ela diz que passava pela transição de gênero, cursava interpretação na Columbia e que se questionava se fazia sentido se dedicar profissionalmente à carreira de atriz, uma vez que se deparava com poucos personagens. “Mas a Time com a Laverne foi uma coisa que me reafirmou como mulher, mas também como atriz. Pensei comigo mesma que talvez poderia”.

Hari afirma que seu próximo trabalho é no filme Assassination Nation, dirigido por Barry Levinson. Ela interpreta a protagonista da obra, que conta a história de quatro moças que são ameaçadas por um hacker que publica dados pessoais, mensagens e fotos privadas delas. “O filme reconstrói e atualiza o julgamento de As Bruxas de Salém, em que os habitantes desse vilarejo são submetidos à divulgação pública de seus segredos. Será um filme bastante sombrio e violento”.

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