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Uma"caravana trans" para apoiar e torcer por Tifanny Abreu no vôlei


Por Neto Lucon

Desde que foi contratada pelo Vôlei Bauru em dezembro de 2017, a jogadora Tifanny Abreu – a primeira mulher transexual a jogar na Superliga – vem enfrentando desafios além das quadras: o de resistir aos comentários transfóbicos, às tentativas de desqualificar sua presença no time feminino e achimos de algumas competidoras.

Muitos dos comentários apostam na transfobia, outros tentam justificar com as “diferenças naturais”. E tem aquelas pessoas que aprovam a inclusão da atleta, que atende todas as exigências da Federação Internacional de Vôlei e do Comitê Olímpico Internacional, como a de ter realizado a hormonioterapia por 12 meses.

Pensando nessa questão, a doutora e escritora Amara Moira e o jornalista Neto Lucon, do site NLUCON, organizaram a primeira Caravana Trans para apoiar Tiffany. A Caravana foi organizada pelo Facebook e ocorreu no último mês no jogo que ocorreu contra o Vôlei Nestlé, no Ginásio José Liberatti, em Osasco, São Paulo.

“A Tifanny é mais que a Tifanny. A Tifanny é a nossa comunidade, é a mensagem para a nossa sociedade de onde a gente pode chegar. A Tifanny significa que a gente também pode estar na arquibancada e também dentro das quadras. A gente veio com uma caravana trans, a gente vai encher esse lugar de pessoas trans, travestis, transexuais como ele nunca viu”, declarou Amara Moira.

Mais de 500 pessoas manifestaram interesse em ir, 150 confirmaram e cerca de 40 pessoas estiveram presentes. Muitas trouxeram cartazes como “Tem trans na arquibancada”, “Mas também tem na Quadra” e “#Team Tifanny”. 

“É importante prestigiar porque quando a gente pensa em representatividade quase a gente não tem, principalmente no mundo dos esporte. E quando tem, tentam derrubar. Se nós não lutarmos por nós mesmos, ninguém vai lutar. Queremos que as pessoas vejam que nós existimos e que respeitem nossas identidades”, declarou o torcedor Lorenzo Lang.

Ika Carneiro é Team Tifanny
A professora e pesquisadora Jaqueline Gomes de Jesus
Foto tirada da Tifanny com a caravana trans, após o jogo
No ônibus, Tifanny chamou a caravana para mais cliques

Já o torcedor Leandro Vicente declarou que decidiu participar da caravana para contribuir para a luta pela dignidade, respeito e visibilidade às pessoas trans. “Eu tive muita dificuldade para me descobrir homem trans, porque não via pessoas trans representadas nos grandes espaços. E vendo essas pessoas ocupando pela primeira vez e sofrendo com a transfobia, eu me sinto na obrigação de apoiar e dizer o quanto elas são importante para a gente”.

Ao ser informada da caravana, Tifanny agradeceu ao grupo em declaração à Folha de São Paulo: “Você vê que coisa linda. As pessoas precisam entender que ser transexual não é motivo de ser marginalizada. Temos o direito de viver na sociedade com amor e carinho como todo mundo. Só tenho a agradecer as meninas por virem me dar apoio”.

Vale ressaltar que na hora de entrar no Ginásio José Liberatti algumas das torcedoras travestis e mulheres trans foram indicadas para a fila de homem, enquanto outras pessoas questionavam aos risos se havia fila para “traveco”. “A gente vê que mesmo tendo uma atleta com a qualidade que ela tem esse espaço ainda é muito fechado para a gente, tanto na quadra quanto na arquibancada”, diz Leandro.

A caravana segue sendo organizada por Amara Moira.

Confira o vídeo:


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