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Jogadora trans Carol Lissarassa foi obrigada a competir no masculino do vôlei de praia


Por NLUCON

A jogadora de vôlei de praia Carol Lissarassa ainda enfrenta os desafios de ser uma mulher transexual no esporte. No último mês, ela foi obrigada a competir na competição masculina, tendo sua identidade de gênero desrespeitada,para participar da etapa de vôlei de praia de Cruz Alta do Circuito Verão Sesc de Esportes, no Rio Grande do Sul.

Ela teve a documentação vetada no momento de fazer a sua inscrição para jogar ao lado de Grazielle Gonçalves. Caso quisesse participar teria que ir para a equipe masculina. Ela acabou jogando com Helio Lucena.

Ela diz que após ter ganhado visibilidade na mídia pode estar sendo perseguida e que decidiu jogar no masculino para mostrar que independentemente de qualquer coisa tem talento e não vai parar. “Se esse ato de me proibir no feminino foi uma maneira de me fazer não jogar, eles não conseguiram”, declarou. Ela lamenta que a parceira cis foi prejudicada e não conseguiu competir em nenhuma equipe.

Detalhe: no último ano Carol foi autorizada a competir no vôlei de praia feminino e foi vice-campeã da etapa de Ijuí. Ela também fez parceria com a campeã Juliana em um torneio de vôlei de praia em novembro de 2017. Somente neste ano é que foi barrada.

“Fiquei indignada com a organização. O documento que apresentei é o mesmo que usei em todas as competições femininas que disputei até hoje, que é minha identidade social como Carolinna Lissarassa, vinculada ao mesmo número de RG do meu nome de batismo. Sempre joguei com esse documento e nunca tive resistência. Para mim, foi um ato de discriminação”, afirmou ao Globo Esporte.

Carol admitiu sentir dificuldades de atuar no masculino, alegando que sua força, impulso e agilidade não são os mesmos dos homens cis. O Circuito Sesc Rio Grande do Sul tem várias etapas em cidades diferentes. Carol e o parceiro venceram cinco jogos e caiu na semifinal em Cruz Alta.

O Sesc declarou por meio da assessoria de imprensa que o documento de Carol não foi checado no último ano e que ela participou de maneira irregular. “Nosso regulamento do circuito verão prevê a apresentação da documentação (…) No caso da Carol, ela ainda não tem a documentação feminina. A documentação da Carol ainda está no gênero masculino. Ela está no processo de transição, e por isso só poderia participar do evento na categoria masculina. Então foi uma opção dela de atuar na categoria masculina”, disse. O regulamento, contudo, não faz menção para os casos de atletas trans.

O Comitê Brasileiro de Vôlei informou que o torneio não é chancelado pela entidade. Mas que, caso fossem consultados, eles seguiriam as diretrizes do Comitê Olímpico Internacional, que permite que atletas trans que passaram por 12 meses pela hormonioterapia participem de competições segundo sua identidade de gênero.

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