Pop e Art Pride

Ativistas trans Lirous K’yo Fonseca Ávila e Karla Camuracci recebem medalha Antonieta de Barros em SC

Lirous e Karla: homenageadas com a medalha Antonieta de Barros


Por NLUCON

A Câmara de Vereadores de Florianópolis concedeu neste mês a medalha Antonieta de Barros para duas mulheres trans: a militante Lirous K’yo Fonseca Ávila e a cabeleireira Karla Camuracci. A honraria é entregue às mulheres que se destacam na cidade e refere-se à jornalista, escritora, educadora e primeira mulher eleita em Santa Catarina, em 1934.

Karla recebeu a medalha pelo mandato do vereador Afrânio Tadeu Boppré (PSOL-RS). Ela tem 60 anos, é conhecida na cidade e lutou por mais de 30 para obter judicialmente o reconhecimento do seu nome e gênero na documentação, tendo conseguido em 2013. Afrânio destacou que é a primeira vez que a honraria, que representa a luta das mulheres, é concedida às mulheres trans.

“Meu Deus, estou muito feliz. Quero agradecer a todos os meus amigos, e ao vereador Afrânio por tudo”, comemorou Karla nas redes sociais.

Já Lirous recebeu a medalha por meio do mandato do vereador Marquito (PSOL-RS) devido sua atuação voluntária nos movimentos sociais desde 2004 por meio da ADEH – Associação em Defesa dos Direitos Humanos. Ela é coordenadora geral da instituição, presidenta do Fórum de Diversidade da Grande Florianópolis e membro do Conselho Municipal LGBT.

Dentre suas ações estão o serviço Violetas na ADEH, cuja proposta é que mulheres acolham mulheres vítimas de violência, e o Força Tarefa, que agilizava de forma gratuita o processo para a retificação de nome e gênero/sexo da documentação da população trans e travesti.

“Essa medalha representa uma conquista para as mulheres e travestis de todo o país. Pois cada vez que uma de nós se destaca é como se todas nós nos destacássemos juntas. Isso é bem importante para nós. Infelizmente a gente vive num país que mais mata travestis e transexuais. Gostaria que essa medalha pudesse simbolizar mais do que isso, a diminuição da violência, o reconhecimento às nossas vidas como simplesmente pessoas cidadãs que transitam nas cidades, que trabalham, que muitas vezes querem estudar e não tem oportunidade”, afirma.

Lirous e Marquito

Karla e Afrânio


Após o anúncio da honraria, houve um movimento conservador na cidade que tentou impedir a homenagem e propagou discurso transfóbico. Lirous chegou a denunciar que um padre passou um sermão inteiro de uma missa criticando a entrega da medalha e a difamando. “Confesso que quando eu soube, eu fiquei muito orgulhosa de mim mesma. Significa que estamos no caminho certo”, comentou. A homenagem ocorreu tranquilamente.

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