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Manifestação repudia violência transfóbica sofrida por aluna na Universidade Federal do Pernambuco


Por Neto Lucon

Uma manifestação contra a violência transfóbica ocorreu na tarde de segunda-feira (26) na Universidade Federal do Pernambuco (UFPE). Ela referia-se a agressão que a aluna Dália Celeste, de 24 anos, sofreu de dois homens na última sexta-feira (23).

Ela faz parte do curso preparatório para vestibular e participava de uma festa em frente ao Centro de Educação (CE). Inicialmente, um homem a abordou com transfobia e ela relatou à organização do evento, que parou o som e repudiou a atitude. Ao final do evento, sofreu a agressão física.

Após as 22h, Dália estava sozinha a caminho do ponto de ônibus quando foi atingida por uma pedra e passou a receber vários socos de dois homens, que também a assediaram. Ela diz que não conseguiu identificar porque perdeu a visão pela violência. Dália conseguiu correr, fugir e diz que a última palavra que escutou foi “quebra a cara dela”. Ninguém a ajudou.

A estudante realizou um Boletim de Ocorrência e foi para o IML para o exame de corpo de delito. Nas redes sociais, ela disse: “Fazia tempo que eu não chorava, e hoje eu chorei, chorei com vergonha de chegar em casa e olhar para minha mãe com um rosto que não é meu. Mulher negra, trans, feminista e periférica. Humilhada, agredida e assediada. Hoje, me sinto sem forças para levantar a voz, minha mãe viu o rosto da transfobia. E eu? Eu apenas chorei”.

No Campus da UFPE, das 14h às 17h, ocorreu a manifestação “Somos todxs Dália”. O evento contou com a presença da militância, estudantes, professores, deputados e da própria Dália. “Eu sempre me empoderei e empoderei minha existência. Mas quando a gente vê a morte de perto é diferente, porque a gente nunca acha que vai acontecer com a gente. Estou falando agora porque vocês estão me trazendo forças. Eu já silenciei tanto e que agora eu resolvi falar. E vai precisar de muita areia no meu rosto para me fazer calar”, declarou a estudante.


A militante e assessoria parlamentar Fabiana Oliveira afirma ao NLUCON que a violência sofrida por Dália é uma maneira de tentar impedir os avanços da população trans em outros espaços. “Esses agressores não querem que o assunto seja debatido na sociedade e que as travestis não estejam inseridas nesse espaço acadêmico. Querem mostrar que o lugar da travesti não é universidade, é apenas na rua, debaixo do poste, em sites de programas. E nossa manifestação é a indignação disso e que nós não vamos nos intimidar. Vamos seguir em frente”.

Outras estudantes trans também declararam violência e assédio dentro da universidade. Mas salientaram que independentemente das dificuldades vão continuar resistindo e ocupando aquele espaço. Dália também afirma que está fragilizada, mas que não está “quebrada” e que “não vai recuar”.

“Permanecerei no cursinho. Não vou aceitar que eles façam eu desistir. Porque eles se assustam com os corpos trans e LGBTs no espaço e fazem a gente acreditar que ali não é nosso lugar, que devemos ficar apenas nas margens. E eu não vou permitir que me neguem. A sociedade tem uma dívida histórica comigo e com meu povo, com todas que se foram que tiveram o direito negado. Eu vou pegar tudo o que é meu, não vou parar”, finaliza ao NLUCON. 

* Dália agradece todas as mensagens que recebeu, sobretudo o acolhimento das Mães Pela Diversidade, do advogado Sérgio Pessoa, e da Fabiana Oliveira, assessora do deputado Edilson Silva (PSOL). 

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