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Militante trans Kaio Lemos realiza 1ª mastectomia pelo SUS no estado do Ceará

Kaio quer andar de bicicleta sem camisa e tomar banho de mar


Por Neto Lucon

O militante trans e estudante de antropologia (Unilab) Kaio Lemos, de 38 anos, realiza nesta segunda-feira (09), às 13h, a mastectomia masculinizadora (que retira a mama e masculiniza o peitoral) no MEAC – Hospital das Clínicas, em Fortaleza. É a primeira vez que o Sistema Único de Saúde do Ceará notifica realizar o procedimento em um homem trans no estado.

Um dia antes de realizar a cirurgia, Kaio conversou com o NLUCON. Ele admitiu que estava um pouco nervoso, mas garantiu que a sensação de felicidade era maior. “A cirurgiã me deixou mais tranquilo, falou sobre os exames, mostrou a técnica. Estou nervoso, mas estou mais feliz e realizado, pois é o que eu sempre quis e almejei”, conta.

Kaio afirma que a cirurgia é importante para que ele, assim como muitos homens trans, se sinta bem com o próprio corpo e seguro na vida social. “É uma vitória e uma conquista para mim. A cirurgia é importante no meu conjunto simbólico de construção, que se faz necessário na minha subjetividade, na alimentação dela, e se torna necessária na alimentação de construção social na linguagem social”, declarou.

Até chegar à sala em que será feito o procedimento, o militante afirma que que teve que atender todos os pré-requisitos exigidos pelo chamado “processo transexualizador”, do SUS, bem como laudo psiquiatra e do endocrinologista. Demorou dois longos anos. Ele ainda teve que procurar a Defensoria Pública do Estado para outros encaminhamentos, uma vez que faltou, por exemplo, o laudo psicológico.


O militante questiona a burocracia em torno das cirurgias. “É uma resistência social, cultural e médica, pois esses processos transitórios são ancorados no adoecimento. Ainda vivemos abaixo de um CID que está o tempo todo nos guiando nesse sentido. É um processo de reclusões e restrições sociais. Almejamos um dia, assim como aconteceu com o direito ao nome, que as cirurgias sejam feitas por autodeterminação. Pois é o meu corpo com os meus significados e com aquilo que eu me identifico”.

Apesar do Ministério da Saúde garantir desde 2013 a mastectomia em homens trans em todo o Brasil por meio da portaria 2.803, o militante diz que esta cirurgia no estado do Ceará abre portas para que outros homens trans também possam acessá-la. “A garantia só é adquirida a partir do momento em que você faz uso do dispositivo SUS. Não só do Estado do Ceará, pois há uma portaria que garante esse direito. Nada mais digno e merecedor que todas as pessoas trans possam realizar as suas cirurgias”.

Segundo Kaio, a previsão é de ficar na sala durante três horas e de receber alta na terça-feira (10). Após a recuperação, ele quer realizar dois desejos: andar de bicicleta sem camisa e tomar banho de mar. “Acho que vou fazer isso no mesmo dia: vou para a praia de bicicleta”, sorri. 

Que a cirurgia seja um sucesso, bem como a recuperação… 


*Kaio é presidente da ATRANSCE- Associação Transmasculina do Ceará e presidente do Abrigo Thadeu Nascimento – abrigo para pessoas trans em situação de vulnerabilidade.
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