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Em Buenos Aires, Casa Trans resgata cidadania e oferece serviços à população trans


Por NLUCON

A população trans de Buenos Aires, na Argentina, ganhou um espaço seguro para que pudesse se reunir e receber diversos programas que contribuem para a cidadania plena e o combate a discriminação. Trata-se da Casa Trans, fundada em junho de 2017 por Marcela Romero, da Associação de Travestis, Transexuais e Transgêneros da Argentina.

O espaço conta com agências governamentais, sociedade civil, setor privado e oferece diversos serviços e programas baseados nas necessidades específicas desta população. Há, por exemplo, um programa educacional no qual podem estudar para conseguir diplomas em escolas primárias e secundárias, participando de aulas presenciais e virtuais.

Outras iniciativas envolvem formação profissional, como a prestação de cuidado aos idosos, serviços integrados de aconselhamento e orientação profissional para quem busca emprego, assessoria jurídica de advogados. Além de atividades referentes à saúde por meio do Hospital Fernandez, bem como à prevenção do HIV e ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis) e aconselhamento sobre hormonioterapia.

“Para as pessoas trans, ter essa casa significa que podemos sair da escuridão. O centro está em um espaço visível, em uma das principais ruas de Buenos Aires, no bairro de San Cristóbal. Essa é a nossa conquista mostra que temos uma comunidade e que temos direito a um espaço como qualquer organização”, declarou a fundadora Marcela Romero, segundo a Unaids Brasil. Ela conta que demorou mais de oito anos para conseguir esse espaço.

Cerca de 400 pessoas visitam a Casa Trans mensalmente e 600 participam regularmente de workshops, reuniões e crusos. Dentre as pessoas beneficiadas do programa educacional está Kimi Avalos, que por causa do estigma e da discriminação teve que interromper os estudos antes de concluir o ensino médio. Ela conta que sofria bullying e assédio dos colegas, enquanto os professores demonstraram estar indiferente.

“Eu realmente queria aprender, mas tive que abandonar a escola. Agora, graças à Casa Trans, meu sonho de terminar o ensino médio logo se tornará realidade”, declarou. Ela estuda ao lado de outras 30 alunas e alunos trans. “Eu não poderia estar mais feliz e grata pela oportunidade que recebi na Casa Trans. Espero que este modelo de respeito e promoção dos direitos humanos sirva de exemplo para transformar a sociedade para que todos possamos viver com dignidade”.

Na Argentina, as pessoas trans ainda são vítimas de discriminação e estigma, o que afeta na educação, emprego formal, acesso aos serviços de saúde e na própria proteção social e de justiça. Segundo dados da ATTTA, 20 pessoas trans foram mortas na Argentina desde o início de 2018 por conta da transfobia.

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