Pop e Art Realidade

Expulsas das aldeias, mulheres trans indígenas se refugiam em fazendas de café na Colômbia


Por NLUCON
Fotos: Lena Mucha (National Geographic)


A vida de um grupo de mulheres trans indígenas que vivem na Colômbia ganhou destaque na publicação National Geographic. Nela, a fotógrafa e antropóloga Lena Mucha narra que o grupo sofre discriminação em suas comunidades, mas que encontram refúgio em fazendas de café.

O local fica localizado nas profundezas das montanhas de Eje Cafetero, região colombiana ocidental da Colômbia. As indígenas Emberás trabalham nos campos e, ao durante as folgas, voltam aos seus dormitórios, podendo usar maquiagem, joias e roupas atribuídas ao gênero feminino. Não há punição e nem assédio.

Neste espaço, elas dizem que se sentem reconhecidas pelo que verdadeiramente são. Uma situação bem diferente dos locais de onde vieram. Elas contam que não foram aceitas em suas comunidades e sofreram diversas violações. Muitas foram punidas e outras forçadas a deixarem suas aldeias, independentemente da relação que tem com suas famílias.

Angélica é uma das trabalhadoras que precisou sair da comunidade para poder ser quem é. Ela diz que desde a infância não gostava de se vestir com trajes considerados masculinos e que foi na adolescência que passou a mudar o guarda-roupa e a vivenciar sua verdadeira identidade de gênero. Aos 15, teve que sair de casa. “Aqui posso finalmente ser quem sou e viver minha identidade”, afirmou.

O acolhimento, contudo, não parte de uma ação totalmente humanitário e social. É um dos poucos trabalhos possíveis, que fornecem dormitórios e alimentos básicos no próprio local. Os agricultores afirmam que gostam de contratar as mulheres trans porque “elas não reclamam”, “são fortes”, “trabalhadoras” e, vejam só, são “baratas”. A maioria faz cerca de 100 mil pesos colombianos (R$125) a cada semana. Yuliana, que pertence ao grupo étnico Emberá Katio e veio da região leste do Pacífico de Chocó, trabalha 10 horas por dia.

Angélica teve que sair de sua comunidade aos 15 anos


Aos sábados, elas se dirigem a Santuario, um vilarejo próximo onde gastam parte do dinheiro comprando maquiagem e jóias. Também é o espaço onde elas voltam a sofrer assédio. “Houve uma situação em que outros indígenas estavam começando a conversar com elas, provocando-as ou intimidando-as, dizendo: ‘O que você está fazendo aqui?’” informa Mucha. “Eu pude ver como elas teriam sido tratadas em suas aldeias.”

A fotógrafa afirma que o assunto é absolutamente invisibilizado e que mesmo já tendo trabalhado em outras comunidades indígenas nunca escutou falar sobre a população trans. Ela frisa também que não havia nenhuma organização defendendo o grupo. “Até mesmo para as organizações que trabalham com comunidades indígenas, é algo totalmente novo”.

Ela frisa que ser uma pessoa trans na Colômbia é algo muito difícil, por ser um país muito conservador. “A conscientização LGBTQ é algo que está acontecendo devagar nas grandes cidades, como Bogotá. Quando se trata de aldeias e comunidades indígenas, eles veem isso como uma doença que vem do homem branco. Não há compreensão do por que isso pode acontecer e que é algo normal”, afirma.

Confira outros fotos e a matéria na íntegra aqui

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