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Associação Internacional de Atletismo traz medidas rígidas para incluir atletas trans; nenhuma entrou


Por NLUCON

Apesar de o Comitê Olímpico Internacional ter diretrizes que incluem e estabelecem regras para que atletas trans (aquelas que foram designadas homens ao nascer, mas que se identificam com o gênero feminino e que são mulheres) possam competir em competições femininas, apenas 13 das 33 entidades dos esportes as seguem. A maioria traz diretrizes próprias ou ignora.

Dentre as que trazem regras mais rígidas e que irá disputar na Olimpíada de Tóquio em 2020 é a Associação Internacional de Federações de Atletismo. Ela traz uma série de exigências que vão além daquelas estabelecidas pelo COI, conforme noticiou uma reportagem da Folha de São Paulo.

O COI, por exemplo, determina que mulheres trans ou travestis devem ter no máximo 10 nanomol de testosterona por litro de sangue num período de 12 meses anteriores à disputa da competição. A cirurgia de redesignação sexual, popularmente conhecida como mudança de sexo, não é mais obrigatória.

Já da IAAF a atleta precisa informar sobre sua identidade de gênero três meses antes do torneio e fornecer informações e tratamentos pelos quais passou. Uma comissão independente é constituída para analisar o caso da atleta, que precisa passar por exames de urina e de sangue. Se os níveis hormonais estiverem de acordo com os padrões da IAAF, o caso será levado a outro painel de médicos.

Os médicos irão considerar a idade da atleta, se a redesignação sexual foi feita antes ou depois da puberdade, se houve procedimento cirúrgico e o período de tempo desde que ela passou pela transição de gênero e os resultados atuais do tratamento. Os médicos enviaram um parecer ao chefe da divisão médica da IAAF, que enfim decidirá se aprova ou não a participação da atleta. Caso não aprove, a atleta pode recorrer na Corte Arbitral do Esporte.

Ao ser questionado o motivo das diretrizes serem diferentes, o COI explica que a cartilha não é obrigatória fora dos Jogos Olímpicos e que as federações são responsáveis pelas regras dos torneios que realizam. Já a IAAF diz que não segue as recomendações do COI porque aprovou as diretrizes quatro anos antes da entidade publicar as regras. 

Curiosamente, diante de tantas exigências, não há dados de atletas trans de alto nível que entraram com o pedido para participar das competições femininas de atletismo. Ou seja, não houve uma única inclusão no esporte.

Brasileira Tifanny de Abreu foi autorizada a jogar em time feminino
 pela Federação Internacional de Vôlei, que seguiu exigências do COI


Vale dizer que, de acordo com o levantamento da Folha, os esportes que seguem as recomendações do COI são ciclismo, escalada, golfe, halterofilismo, handebol, hóquei na grama, judô, pentatlo moderno, remo, rúgbi, tênis, tiro, tiro com arco. Já aqueles que não seguem e que tem regras próprias, dependendo de casa caso, são badminton, basquete, ginástica artística, natação, vôlei. 

O caratê não quis se manifestar. Não responderam: beisebol/softbol, boxe, canoagem, esgrima, luta grego-romana, skate, surfe, taekwondo, tênis de mesa, triatlo e vela. O futebol diz que não tem política própria para atletas trans porque nunca precisou. Já hipismo não tem política para pessoas trans, porque homens e mulheres competem juntos.

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