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John Maia é o primeiro homem trans a realizar cirurgia no HGG em Goiânia

Por NLUCON

O Hospital Estadual Geral de Goiânia Dr. Alberto Rassi realizou neste mês a primeira cirurgia no peitoral (chamada mamoplastia masculinizadora) em um homem trans. John Maia, de 34 anos, foi o primeiro paciente do Serviço Especializado do Processo Transexualizador, informou o jornal O Popular.

John foi designado mulher ao nascer, se identifica com o gênero masculino e é homem. No início de sua transição, ele se automedicou com testosterona. Depois, teve a péssima experiência de ter sido atendido por uma profissional de saúde que não sabia o que era homem trans. Até que foi indicado ao Hospital das Clínicas e posteriormente ao HGG. A cirurgia será realizada por Sérgio Augusto da Conceição.

O fato de ser o primeiro homem trans a ser operado no espaço o enche de orgulho e ele espera que outras pessoas também possam realizar os procedimentos que sentem necessidade. Ele diz que não fará a cirurgia genital, cujo serviço também estará disponível, mas frisa que a cirurgia de retirada das mamas é extremamente importante para ele.

O chamado Ambulatório TX promove atendimento multidisciplinar em pessoas trans e travestis desde setembro de 2017. Ele já realizou mais de 392 atendimentos desde o início. Vale destacar que ele é o segundo serviço público em Goiás voltado para a população trans. O primeiro foi o Hospital das Clínicas, da Universidade Federal de Goiás, há quase 19 anos e com quase 100 cirurgias de redesignação genital.

A iniciativa é tomada desde que a portaria 2.803/2013, do Ministério da Saúde, redefiniu o processo transexualizador no Sistema Único de Saúde (SUS), permitindo que as cirurgias pudessem ser realizadas também fora de hospitais universitários. Tanto no HC quanto no HGG tem a coordenação da médica Mariluza Terra Silveira. “Tenho duas missões: montar um serviço de peso nos dois hospitais e fazer sucessores”, declarou ao Popular.

A história de John

A trajetória de John Maia foi marcada por muitas violações e agressões. Ele passou os primeiros anos de vida em um orfanato, sendo posteriormente levado pela mãe biológica. Aos 12 anos, foi estuprado ao voltar de um treino de basquete. Ele ficou grávido, o abusador foi preso e a mãe exigiu que ele tivesse o bebê – a filha Mariana, hoje com 21 anos, criada pela avó.

Posteriormente, tornou-se dependente químico e esteve em clínicas de reabilitação. Por namorar mulheres no espaço, foi expulso de casa, esteve em um albergue e chegou a carregar caixas de papelão para sobreviver. Certo dia, foi surpreendido com a visita da mãe e do homem que o havia estuprado. O homem, que seria condenado a 8 anos e 7 meses, prometeu dar uma casa a mãe caso eles se cassassem e interrompessem o processo. Ainda muito jovem, John atendeu o pedido da mãe e deu fim à prisão.

Em São Paulo, ele trabalhou em uma casa de prostituição e se tornou traficante. Foi um período em que ganhou muito dinheiro, até que foi denunciado e preso. Ao sair, conheceu o crack e tornou-se pessoa em situação de rua. Depois, foi novamente preso por assalto e teve que cumprir pena na penitenciária feminina de Santana. Em Caraguatatuba, trabalhou como ajudante de serviços gerais e cozinheiro, em barraca de praia e como lavador de veículos.

Sua vida deu uma virada ao conhecer a namorada em um grupo de WhatsApp. Ele fez uma viagem a Tocantins para conhecê-la e logo eles passaram a viver juntos em Goiânia. A mudança ocorreu pouco depois de a mãe morrer em 2015 no interior de São Paulo. Foi então que ele conseguiu assumir a sua verdadeira identidade de gênero. Retificou o nome e o gênero por meio da Jornada de Cidadania da PUC de Goiás.

Hoje ele comemora as transformações do seu corpo, a vivência em sua identidade e o amor pela namorada e a neta Pyetra, de três anos. “Hoje consigo ver o que sempre quis. Finalmente sou uma pessoa feliz”. Que a felicidade sempre bata em sua porta!

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