Pop e Art

Artista plástica Babi Macedo realiza financiamento coletivo para expor nudes de obras históricas em MG

Por Neto Lucon

A artista plástica Bárbara Macedo realiza até o dia 30 de agosto o financiamento coletivo da “Coleção Grandes Mestres das Nudes”, que será exposta na Galeria de Arte Mama Cadela, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Trata-se de uma resposta ao conservadorismo, a censura e o moralismo que atravessaram as artes no último ano.

Na Coleção, Babi traz obras icônicas mescladas a diversos nudes atuais. Isto é, ela traz a cabeça de ícones da arte desde o Renascimento e as coloca em desenhos de corpos contemporâneos nus. Os desenhos foram feitos a partir de nudes que a artista recebeu de conhecidos e desconhecidos, cis e trans.

Segundo a Bárbara, que é uma 24 anos, a exposição traz com leveza e bom humor a relação estabelecida entre o nu dito aceitável – como aqueles presentes nos grandes museus e galerias – e o nu abominável, que advém das novíssimas nudes recebidas nos aplicativos. “A intenção desse trabalho é questionar a razão de um ser aceito e outro abominado”, declarou Bárbara.

Ela afirma que é alarmante pensar que ainda existe censura nas artes em pleno 2018. Dentre os casos recentes, está o da peça O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu, que foi proibida de se apresentar em três espaços porque é interpretada por uma atriz travesti, Renata Carvalho. A exposição QueerMuseu, que foi proibida por falar de diversidade sexual e gênero. Em BH, aponta Bárbara, a exposição ArteMinas também sofreu ondas de censura e os artistas não sabia se a exposição continuaria ou não.

“Outro artista dessa exposição, Pedro Moraleida, que morreu muito jovem, teve a memória desrespeitada, a família recebeu ofensas, foi uma coisa horrorosa. Isso afeta a arte porque as pessoas continuam acreditando que é arte só aquilo que era feito em 1800, enfeita grandes museus e é, entre muitas aspas, “””belo”””. E aí não entendem que a arte é mutável, se fecham para as novas manifestações artísticas e rechaçam as pessoas que trabalham assim”, declara.

Para Bárbara é assustador imaginar que uma foto ou um desenho de um corpo nu ainda cause tanta revolta, mas que sua criação artística parte justamente da mudança. “Não entendo. E é desse não entendimento que nasce a minha coleção. Ele nasceu da onda de censura no Palácio e, para mim, ele combate a censura justamente nesse lugar. Ele nasceu dela. Foi pensado para ir contra ela. A gente que naturalizar isso aí”. 


Ao todo serão 35 desenhos no tamanho 29,7 x 42 cm e feitos com nanquim e papel couchê sobre papel 240g.

O financiamento espera bater a meta de R$ 5.600,00 para realizar a exposição. Haverá shows, flasy day de tatto na abertura, workshops no decorrer da exposição, além dos nudes que todos adoram. Vale dizer que que contribuir com o financiamento coletivo, terá várias recompensas, bem como CDs da cantora Paula Oliveira, imãs de geladeira com desenhos autorais, fanzines, desenhos exclusivos e até algum Grande Mestre das Nudes.

Você pode contribuir clicando aqui.

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