Pop e Art Pride Saúde

Estudo nos EUA diz que mulher trans pode amamentar e estimula mais pesquisas


Por NLUCON

Por meio de nossas redes sociais, recebemos a pergunta de A.*, de 29 anos, uma querida leitora trans: “Fiquei sabendo que já é possível uma mulher trans amamentar. Isso é verdade? Sonho em ser mãe e adoraria ter a experiência da amamentação de modo seguro”. *o nome foi removido após a publicação da reportagem a pedido da fonte. 

A dúvida parte meses depois que uma pesquisa foi publicada neste ano pelo Transgender Health e que foi divulgada amplamente pela imprensa internacional. No caso, uma mulher trans norte-americana conseguiu amamentar, sim, por meio de indução da lactação. Mas calma. Há várias pesquisadoras que estimulam mais pesquisas antes de indicarem o tratamento.

No caso, a mulher trans de 30 anos decidiu passar por um tratamento para poder amamentar a filha, porque a esposa cis grávida não queria amamentar. Com acompanhamento médico, a paciente tomou coquetel de remédios, incluindo um medicamento que estimula a produção de leite e um bloqueador de testosterona, além de ter que bombear a mama durante o processo. Dentro de três meses, ela obteve leite funcional suficiente para amamentação.

Segundo a médica Tamar Reisman e a infermeira Zil Goldstein, do Centro Mount Sinai para Transgêneros de Medicina e Cirurgia em Nova York, o caso mostrou que a mulher trans “conseguiu volume suficiente de leite materno para ser a única fonte de nutrição para seu filho durante seis semanas”. E que, em algumas circunstâncias, a lactação modesta, mas funcional pode ser induzida em mulheres trans.

Acreditamos que este é o primeiro relatório formal da literatura médica de lactação induzida em uma mulher transgênero”, afirmaram as autoras. Joshua D. Safer, diretor médico de medicina e cirurgia transgênero do Boston Medical Center, chamou o estudo de “um grande negócio” e disse esperar que ele se torne muito popular entre as mulheres transexuais.

Tamar Reisman e Zil Goldstein, do Centro Mount Sinai para Transgêneros de Medicina e Cirurgia 


DETALHES DO PROCEDIMENTO

A pesquisa relata que a mulher trans passava pela hormonioterapia há seis anos e que não havia realizado cirurgia nas mamas e nem genital. Nos últimos meses, diante de uma esposa grávida de cinco meses que não queria amamentar, ela foi atrás de médicos para induzir a lactação de maneira segura.

As autoras do estudo prescreveram progesterona e estradiol, hormônios que podem influenciar a lactação e que normalmente ocorrem em mulheres grávidas, além do bloqueador de testosterona. Durante o tratamento, ela teve que bombear as mamas para estimulá-las.

A paciente também usou um controverso medicamente contra náusea, uma vez que enjoos e vômitos podem ocorrer durante a produção do leite. Esse medicamente é permitido em países como a Grã-Bretalha, mas foi proibido nos EUA pela Food and Drug Administration por ter associações com parada cardíaca e morte súbita. O casal obteve por conta própria, no Canadá, e foram orientadas sobre a dosagem.

De acordo com o estudo, depois de um mês de tratamento ela  estava produzindo pequenas gotas de leite. Já em três meses e meio, houve um resultado esperado e satisfatório: a produção “modesta mas funcional” de leite – cerca de 240 ml por dia. Os dados foram publicados no jornal Transgender Health.

QUESTÕES PARA O BEBÊ

A Organização Mundial de Saúde aponta que o leite materno (ou paterno, no caso dos homens trans) é considerado a melhor forma de nutrição para bebês, que desenvolvem sistemas imunológicos mais saudáveis, dentre outros benefícios. Porém, ainda não se sabe se o leite produzido por pessoas que geraram seus filhos após o parto é equivalente ao produzido durante o estudo.

A mulher trans Maria Clifford, de 38 anos, que é mãe de um bebê declarou que não aceitaria amamentar neste momento. Ela conta que, apesar de ter cogitado a possibilidade, seu filho é amamentado atualmente por uma mulher cis. “Precisamos de mais testes e evidências para mostrar que essas drogas não vão causar danos ao bebê”, declarou.

Madeline Deutsch, diretora clínica do Centro de Excelência para Saúde Transgênero de São Francisco, da Universidade da Califórnia, também diz que é muito cedo para saber se o aleitamento trans é seguro e nutritivo para os bebês. “Eu não faria”, disse ela, cujo bebê de seis meses é amamentado pela esposa cis. “A minha principal preocupação seria a qualidade nutricional”, afirmou ela à AFP. Ela frisa que são necessárias mais experiências.

Ainda que haja resistência diante da possibilidade de mulheres trans amamentarem, no estudo da Transgender Health a experiência foi positiva. O relato mostra que a mulher trans foi capaz de amamentar exclusivamente a criança por seis semanas. Durante esse período, um pediatra relatou que os hábitos de crescimento, alimentação e intestino da criança estavam se desenvolvendo normalmente.

Logo após, a mulher trans começou a suplementar a amamentação com uma fórmula devido a preocupações com o volume do leite. Reisman afirmou em entrevista ao The Washington Post que criança estava “feliz, saudável e super fofa”.

QUESTÕES PARA A MULHER TRANS

Vale dizer que outros estudos e relatos já mostraram que mulheres trans podem desenvolver leite nos seios por meio da lactação não puerperal. Isso ocorre sobretudo devido às taxas altíssimas de hormônios femininos que tomam, muitas vezes por automedicação, e que podem provocar grandes riscos para a saúde. Este leite, contudo, não é funcional.

O caso discutido pelo estudo é outro. A mulher trans conseguiu a lactação funcional induzida porque realizou acompanhamento multidisciplinar, medicamentos e controle hormonal. O tratamento foi considerado seguro e semelhante ao fornecido a mulheres que adotaram bebês ou que tiveram filhos com o auxílio de barrigas de aluguel, com algumas especificidades, como o bloqueiro de testosterona. 

Apesar do resultado positivo, envolvendo também a saúde da mulher trans e do bebê, as pesquisadoras não sabem dizer se todos os medicamentos usados na mulher trans foram realmente necessários para a indução da lactação funcional e se devem servir como base para outros casos. Portando, é preciso realizar mais e novas pesquisas para determinar qual é o melhor tipo de tratamento para que mulheres trans possam amamentar com saúde.

Deusth afirma que, apesar de ser a primeira vez que escrevem a possibilidade de mulheres trans amamentarem, os esforços já vem ocorrendo informalmente há alguns anos. “Devo ser honesta com você, isto está acontecendo há pelo menos 10 ou 15 anos, pelo que eu sei. Esta é simplesmente a primeira vez que alguém escreve”, frisa.

E para quem acha que amamentação por pessoas trans é algo inacreditável, saiba que há pesquisas e estudos para que mulheres trans possam engravidar daqui a duas décadas. Clique aqui e saiba mais! 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.