Pop e Art Pride

Danna Lisboa divulga EP "Ideais" na TV Cultura e defende acesso e empregabilidade trans


Por NLUCON

O programa “Manos e Minas”, da TV Cultura, recebeu no último mês a rapper, cantora e dançarina Danna Lisboa. A artista cantou, dançou e divulgou seu primeiro EP, Ideais, além de deixar uma mensagem contra a transfobia, a hipocrisia da mídia hegemônica e a favor da empregabilidade trans.

“O propósito do meu EP é justamente acessar esses espaços que, de repente, não temos acesso. Falamos de pessoas trans adentrando na arte, mas esquecemos desse momento: onde eu poderia estar agora senão aqui? Lutamos para estar em um lugar de igualdade”, declarou a artista.

No palco, Danna cantou inúmeros sucessos, bem como Trinks, Quebradeira, Se Soul e Cidade Neon, e até fez alguns improvisos. A plateia entrou no clima, cantou e dançou junto. Cheia de energia, Danna esteve acompanhada de dois bailarinos, que ao seu lado quebraram tudo. O produtor musical Nelson D, responsável pelo álbum, também esteve presente. “Trabalhamos em parceria. A gente incomoda a vida do zé povinho”, soltou.

Diante da performance dançante, a apresentadora Roberta Estrela D’alva chegou a comentar que Danna transitou em diversos espaços da arte. A artista disse que, além da música e da dança, chegou a andar de skate, fazer grafite e que vivenciou o finzinho dos encontros do Largo São Bento, centro de São Paulo, considerado o berço do Hip Hop. “A dança foi um resgate para voltar”, disse, ressaltando que foi por meio dela que esteve em clipes de Karol Conka e Ludmilla.

Hoje, ela lança os próprios clipes, abre portas e engrossa o caldo de artistas trans dentro do cenário musical. O primeiro clipe de sua carreira foi Trinks, em 2016, seguido de Cidade Neon, responsável por fazê-la vencer o prêmio de melhor atuação no 8º Filmworks Festival, e Se Soul. A última obra, Quebradeira, tem quase 650 mil visualizações no Youtube. Sucesso absoluto!

No fim do programa, Roberta comentou que atualmente há muitas pessoas trans em comerciais. A rapper ponderou: “Até que ponto esses espaços da mídia estão favorecendo algo na vida dessas pessoas? É fácil a mídia pegar o tema “transexual”, colocar a gente, vender essa imagem, mas não dar emprego. É hipocrisia. Deem emprego. A gente precisa ser naturalizada nos lugares”, declarou. Danna disse ainda que já chegou a recusar convites quando viu que a conduta da empresa não era verdadeiramente inclusiva.

A presença de Danna no programa da TV Cultura faz lembrar a de outra artista trans na emissora nos anos 80: Claudia Wonder e banda Truque Sujo, que se apresentaram no programa “Ao Vivo no Boca Livre”, em 1988. Neste ano, Linn da Quebrada e Jup do Bairro se apresentaram no programa “Metrópolis” e, assim como Liniker, no Cultura Livre. Que haja cada vez mais convites, acesso e artistas trans na Cultura.

Assista: 

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