Pop e Art Pride Realidade

Filme Nïïma abordará trajetórias e vozes de indígenas que são travestis no Amazonas


Por NLUCON

A vida de travestis indígenas que moram nas aldeias de Tikuna, em Tabatinga, Amazonas, será tema de filme: Nïïma. Ele será produzido pela cineasta e jornalista paranaense cis Flávia Abtibol, que acaba de receber financiamento do Cultural Rumos, e deve entrar em cartaz em 2019

Segundo a cineasta, o filme está em fase de desenvolvimento de roteiro e abordará a trajetória das índias que são trans, as questões de gênero e pertencimento dentro das aldeias, além de traçar paralelos e referências com a cultura pop.

“Nïïma é a história de índias da etnia Tikuna moradores da tríplice fronteira Brasil-Colômbia-Bolívia, que ousam desafiar a família, o Exército e a Igreja para exercer seus desejos e suas identidades de gênero”, declara Flávia, por meio do projeto apresentado, informa o site Amazônia Real.

A cineasta revela uma particularidade envolvendo aceitação e preconceito: durante junho e julho as indígenas trans animam festividades religiosas e se apresentam cantando e dançando. Porém, nos outros 10 meses sofrem o subjugamento. Ela conta que nas aldeias que conheceu, ainda não presenciou caso explícito de preconceito, mas que há muitos relatos e a vontade dos jovens de se estabelecer diálogo.

Flávia declara que percebe que não há um discurso formal pela população indígena sobre gênero e sexualidade, mas que há um sentimento de busca e auto-pertencimento que se intensificou com o acesso à internet. “Puderam acessar figuras como a drag queen RuPaul, as cantoras Beyoncé e Rihanna. E se identificar com o formato dos cabelos, roupas, maquiagem e demais elementos da cultura LGBT”, afirma.

O filme partirá de um profundo mergulho da cineasta na rotina das protagonistas, realizando e vivenciando as tradições. Ela frisa que a população indígena é muito atuante em suas falas e que o objetivo é potencializar as vozes acerca do tema. “Com seus vários tons, tradicionais e contemporâneos, mostrando uma cultura indígena pulsante, num permanente diálogo de hoje com a tradição”. Tanto que ela diz que as as Nïïma atuarão como co-roteiristas

“Penso que o cinema pode ser o instrumento para que essas histórias sejam contadas e possam inspirar a sociedade por mais igualdade e respeito às nossas identidades, sejam elas quais forem”, declara Flávia.


A cineasta, que tem sua própria produtora, a Tamba-Tajá Criações, é produtora, roteirista e diretora dos filmes “Strip Solidão” (2013), “Dom Kimura (2014) e “O Céu dos Índios (2017), que está em fase de finalização. Ela já participou de outras obras, como “A Terra Negra dos Kawa” (2018), de Sérgio Andrade, e “Zana (2018), de Augusto Gomes. Ela revela que é tomada por temas que compõe o modo de vida amazônico: a mulher, o rio, os indígenas, o rituais e as línguas. 

Bom trabalho! 

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