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Homens trans contam o que rola nas salas de strip-tease e revelam maiores fantasias

J Ferraz é um dos melhores avaliados


Por Neto Lucon

Eles abrem a webcam, trocam olhares, conversam, sorriem, vão para a sala privada e… Realizam shows de strip-tease. Essa é a rotina de pelo menos 70 homens trans que são cadastrados no site “Câmera Privê” – voltado para performances na rede, realização de fantasias, além de ser uma alternativa de renda.

Neste ano, o Câmera abriu uma aba específica para homens trans, o transboy. Ela surgiu a pedido dos próprios modelos, que almejavam contato com o público específico, aumentar a demanda e afastar os transfóbicos de plantão.

Os modelos alugam a plataforma para poder transmitir e monetizar seus shows e conteúdos. Eles são os próprios patrões, totalmente independentes e com controle absoluto do que será transmitido, podem transmitir no horário ou quando quiserem, mostrar ou não o rosto, vender fotos e vídeos, além de realizar aquilo que quiserem dentro de suas casas. Sempre remunerados.

 

Príncipe Dan, carioca de 27 anos, faz parte dos cadastrados do site. Ele descobriu o Câmera há poucos meses por meio de um amigo que já fazia shows como camboy. Como encontrava poucas oportunidades de trabalho no mercado formal, decidiu arriscar. Mal sabia que fosse se dar bem na área.

“Eu danço, faço strip, me masturbo, sou sado, uso velas… Também tiro dúvidas. Não faço nada sem que haja prazer. Eu nunca fingi estar gozando ou curtindo, caso não estivesse. Faço porque eu gosto”, declarou ele com exclusividade ao NLUCON. Na cam, ele afirma que consegue seduzir por meio do olhar.

J Ferraz, de 23 anos é outro conhecido camboy e um dos melhores avaliados do site. Ele conta que iniciou o trabalho há três anos – antes mesmo de existir uma aba específica – por meio da noiva, que é camgirl. “Um cliente dela me viu pelo reflexo do espelho e insistiu para que eu fizesse um show junto. Eu estava morrendo de vergonha, mas cedi para ela não sair perdendo. Quando terminou, ele disse que voltaria no dia seguinte. Tive mais coragem e comecei atendendo junto com ela. Um mês depois abri minha conta”, lembra.

No início, J Ferraz ainda não havia revelado ao mundo que é um homem trans e estava dentro de uma aba feminina. Foi após a transição que ele resolveu insistir com os moderadores para a criação da aba para homens trans. “Antes, eu não me sentia à vontade em mostrar o rosto, pois não era o que eles esperavam devido ao tipo de foto que eu postava para ‘chamar atenção’. Depois da transição, insisti para abrirem uma categoria para homens trans e, hoje, me sento com mais liberdade para me exibir como realmente eu sou, com as roupas que eu quero, na posição que eu quero. Sou mais eu”, afirma.

ADORAM HOMENS DE PPK

A maioria dos clientes é formado por homens cis – gays ou héteros curiosos. J Ferraz declara que anteriormente, quando fazia transmissões na categoria de mulheres cis, eram apenas homens cis héteros que o abordavam. Mas que na categoria transboy há variedade de público: tem um pouco de gays, héteros, mulheres cis e mulheres trans.

Os shows geralmente iniciam com conversas, olhares, trocas de confidências e desejos, até irem para a sala privada. Lá, os modelos podem se desnudar (ou não) e atender as fantasias combinadas. Eles podem dançar, fazer strip-tease e usar acessórios. Em outros momentos, os clientes pedem apenas para tirar algumas dúvidas.

“Teve um que disse que queria me ver nu, mas quando fomos para o exclusivo, ele só queria conversar. Foi super simpático”, declarou Dan.

Aos 28 anos, Dantas – que também se cadastrou no site por intermédio de um amigo – conta que tem uma técnica para chamar atenção: costuma estar só de cueca para instigar e aposta num bom papo. “Na sala privada, fico nu, uso acessórios, rola pedidos para dançar, masturbação. O cliente geralmente dirige o show”.

Segundo Dantas, o momento mais inusitado do trabalho ocorreu com um cliente que adora ser humilhado. “Ele gosta de ser destratado. Ele mesmo me pediu quando o conheci: me trate com desdém, me inferiorize ao máximo. Fiquei meio assim no início, mas acredite: eu gostei demais (risos)”.

Dentre os pedidos mais frequentes estão o de ver os garotos nus. “A grande maioria pede posições que apareçam o rosto o genital. Eles adoram o fato de eu ser um homem de ppk”, afirma J Ferraz. Príncipe Dan revela que há curiosidade de verem o clitóris, que acabam se desenvolvendo por conta do tratamento hormonal com testosterona.

“Como meu genital não me incomoda e tenho orgulho de ser um homem com vagina, eu trabalho no meu clitóris para gozar. Sem eles, nada acontece (risos)”, revelou com bom humor.

Príncipe Dan disse que seduz pelo olhar; a gente comprova


APAIXONADO

Dentre um show e outro, eles recebem muitos elogios: “Lindo”, “Gato”, “Sonho de homem” e “homem perfeito” são os mais comuns. Dantas afirma que recebe muitos comentários por sua simpatia e por seu sorriso. “Sou um cara narcisista e confesso que adoro elogios. Isso aumenta ainda mais o meu ego”, declara.

J Ferraz diz que um usuário frequente se apaixonou, se declarou e fez um pedido inusitado: para ele o bloquear. “Ele disse que estava apaixonado ao ponto de ficar me imaginando com ele enquanto estava com a esposa. Ele disse que estava confuso porque era hétero e que não entendia porque não parava de pensar em mim (risos). Disse que não o bloquearia. Às vezes ele entra, vem na minha sala, se declara e sai, compra alguns vídeos e fotos”, revela.

Ele admite que adora receber elogios e em que muitos momentos a autoestima vai nas alturas. “Eu mal tinha autoestima quando comecei, mas com o tempo e com tantos elogios, minha autoestima foi nas alturas (risos). Comecei a prestar atenção naquilo que eles achavam lindo em mim e isso me fez me olhar diferente e a gostar um pouco mais de mim e a ter vontade de começar a cuidar mais do meu corpo”. Hoje ele afirma que há pouquíssimas coisas que não gosta.

Por sua vez, há clientes de outras abas que são transfóbicos e que vez ou outra aparecem para incomodar. “Na primeira semana da categoria transboy, tinha um usuário que estava indo na sala de vários meninos, dizendo: ‘aberração, vira mulher’. Apenas respondi: ‘Humm, tá bom, tenha boa noite’. Eu não respondo, apenas bloqueio, pois esse tipo de pessoa não merece resposta”, afirmou Ferraz.

E A OBJETIFICAÇÃO E O ESTIGMA?

Sobre as polêmicas e preconceitos envolvendo homens em profissões ou atividades que contam com o corpo, a nudez e as fantasias sexuais, eles defendem as transmissões. Segundo os camboys, todas as demais pessoas cis fazem (em um número muito superior), é uma atividade honesta que, assim como qualquer outra, tem procura, oferta, realização do combinado e remuneração.

Também apontam para a segurança, além de escolherem estar ali e de serem donos do próprio corpo. “Aprendi que sexo não é tabu e que deve ser tratado com naturalidade. Mudei muito a maneira de entender o trabalho, principalmente de não julgar ninguém. O importante para mim é saber que estão tendo uma experiência maravilhosa a ponto de me procurarem novamente”, diz Dantas.

J Ferraz afirma que por meio das transmissões passou a lidar melhor com a própria sexualidade e também a gostar mais de sua aparência. “Eu tinha vergonha de falar sobre ser passivo ou passivo, sobre minha relação sexual com minha noiva e até o que eu fazia no site. Hoje eu aprendi que prazer sexual a gente não deve ter vergonha de falar. Vergonha é ter desejos e não realizar por vergonha do que vão falar”, declarou.

Ele garante que sente prazer com a atividade. “Dá prazer, sim, em diversos aspectos. Pelo prazer sexual da coisa, pois eu me conheço, conheço meus pontos de prazer e também consigo satisfazer o cliente. O outro prazer é o financeiro, pois vejo o contador aumentado o valor de cada chat, enquanto me empenho para ser simpático, atencioso e fazer tudo o que o cliente está pedindo. E o prazer de fazer meus próprios horários”.

Já Príncipe Dan também conta que as performances realizadas ajudam a complementar a renda e, de quebra, passou a entender melhor seu corpo e a perceber que ele é admirável. “Minha autoestima nem sempre está bem e não sou confortável com meu corpo. Com este trabalho, recebo muitos elogios dos clientes, sinto que estou querendo sempre melhorar, estar bem para mim, para a minha esposa e para os meus clientes”. Sim, nosso príncipe é casado!

“Tenho prazer com as transmissões”


FORA DO CÂMERA

Os três camboys afirmam que se relaciona com pessoas independente do gênero. J Ferraz tem noiva – uma mulher trans. O príncipe tem uma esposa- uma mulher cis. Já Dantas é solteiro e se define bissexual. Eles afirmam que suas parceiras apoiam eles serem camboys, ajudam na produção de vídeos e até dão pitacos nas performances.

Na vida particular, eles falam o que mais gostam do sexo. Príncipe Dan diz que o que não pode faltar é “uma boa chupada, mordidas, gemidos e, o fundamental, carinho, amor e respeito”. Dantas diz que o fundamental no sexo é ter sincronia. “Não faço nada que eu não concorde apenas para agradar, pois acredito que o prazer precisa ser para os dois”.

Já J Ferraz diz que adora preliminares. “Meu estimulante é a conversa, caricias, simpatia… Nada apressado ou robótico… Também acho que ambos devem estar na mesma vibe. Não adiante você estar querendo ter uma transa selvagem, com chicotadas, se a outra pessoa está num clima de papai-e-mamãe. Tem que ter química”, diz J Ferraz. 

Ele revela que a transa mais louca ocorreu dentro de um ônibus, de madrugada, quando todos dormiam. “Também teve uma vez que estávamos fazendo o cabelo de duas pessoas na minha casa e, enquanto elas tiravam o produto do cabelo, transamos na sacada da churrasqueira antes delas voltarem. Alguns episódios é melhor não contar (risos)”, garante J Ferraz. 

É curiosidade que chama, né?

PARA CONVERSAR

Príncipe Dan, J Ferraz, e Dantas estão neste momento no Câmera Privê . Lembrando que eles são apenas três dos 70 homens trans que estão no site. Caso tenha vontade de teclar com eles, acesse aqui e saiba o que é necessário para se cadastrar, além dos valores dos shows. Vale dizer que respeito e o combate a transfobia é fundamental em qualquer lugar.

* O NLUCON não agencia, não tem relação com as transmissões e nem recebe nada por nenhum dos shows dos garotos. A intenção dessa matéria é informar os leitores acerca da atividade realizada pela primeira vez na rede e também contribuir para a divulgação do trabalho dos garotos. Críticas e reflexões podem e devem partir dos/das/des leitores/as.

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um comentário

  1. Muito legal divulgação desse tipo de conteúdo tipo nem sabia que existia eu mesmo tinha crush no face babava hj tenho oportunidade ver ele do jeito que sempre quis

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