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Peça com Renata Carvalho vivendo Jesus volta a Pernambuco após ser censurada em Festival

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Renata Carvalho em Pernambuco Crédito: Chico Ludermir

O espetáculo “O Evangelho Segundo Jesus – Rainha do Céu” mais uma vez resiste depois de ser censurado por ter como protagonista a atriz Renata Carvalho, que é travesti. Retirada da programação do Festival de Inverno de Garanhuns, pelo Governo de Pernambuco, a peça será apresentada em um novo espaço neste mês e já teve em 48h todos os ingressos esgotados.

A iniciativa de voltar com o espetáculo na cidade partiu de artistas, produtores e militantes locais, que consideraram que a decisão do Governo do Estado de Pernambuco e do prefeito da cidade, Izaías Regis, de barrar a peça no FIG foi motivada unicamente por transfobia (preconceito contra pessoas trans e travestis), sem se ater ao conteúdo de respeito, acolhimento e amor que a obra escrita por Jo Cliffort e Natalia Mallo se propõe.

Na ocasião, Governo do Estado de Pernambuco disse por meio de nota que o espetáculo na Mostra prevê “prejuízos das parcerias estratégicas e nobres que viabilizam a Mostra”, além de sua proposta de “dividir e estimular a cultura do ódio e do preconceito” não compactua com a proposta do Festival. O prefeito da cidade, que também não assistiu a obra, se recusou a ceder espaço público e tentou mobilizar diversos setores contra.

A diretora Natalia Mallo escreveu nas redes sociais que o cancelamento da apresentação “é censura e violência de estado”. “É transfobia institucionalizada e respaldada por servidores públicos, organizados e grupos religiosos. Inacreditável, de longe o pior ataque desde que estreamos O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu”.

Renata declara que a quinta tentativa de censura e a perseguição ao “Evangelho Segundo Jesus – Rainha do Céu” – deve-se apenas porque é uma travesti que corporifica Jesus de Nazaré. “Jesus é a imagem e semelhança de todos, menos de nós, pessoas trans. Acham que é inapropriado, sem-vergonhice, de má fé. Mas essa imagem que a travesti tem na nossa sociedade vem dessa construção social, da criminalização e folclorização que esta mesma sociedade faz de nós por meio da exclusão e marginalização. Esquecem de ver que a peça fala sobre amor, sobre perdão”, pontua.

MINISTÉRIO PÚBLICO DETERMINOU QUE FESTIVAL REINTEGRASSE OBRA

Contrariado à censura, o Ministério Público enviou um comunicado para que a cidade reintegrasse o espetáculo à grade de programação dentro de 10 dias. Porém, até o momento o Governo do Estado não entrou em contato com a equipe da peça.

O promotor Domingos Sávio Pereira Agra, da 2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania de Garanhuns, determinou que a Secretaria Estadual de Cultura promova diálogo com os “eventuais parceiros que mantenham resistência à sua apresentação”, buscando informar o “caráter respeitoso da obra”.

Domingos disse ainda que os governantes de Garanhuns e Pernambuco devem ter ações que estimulem a tolerância e a luta contra a LGBTFobia.

Ao JC Online, Chico Ludermir, um dos integrantes do coletivo, afirmou que foram registrados mais de 40 posts com ameaças, que vão desde tacar ovos podres na atriz em cena, até crucificá-la e matá-la no palco. “Nós vamos prestar uma queixa coletiva e solicitar uma medida protetiva, através do Ministério Público, em articulação também, como Centro Estadual de Combate a Homofobia”, declarou.

VAI COM MEDO MESMO

A nova apresentação do espetáculo deve ocorrer na próxima semana, no dia 27, mas o local e todas as informações só devem ser divulgadas e confirmadas às vésperas por medida de segurança. Diante da grande procura, ele pode ter apresentações extras em outros dias.

Renata declara que é muito importante receber apoio contra o conservadorismo e o preconceito. Disse ainda que vem fazendo terapia para não se deixar abalar com as diversas ameaças que recebe nas redes sociais.

“É evidente que dá medo, mas vou dizer uma frase que escutei no (Complexo da) Maré quando a Marielle Franco foi morta: ‘A gente tem medo, mas vai com medo mesmo’. Além disso, esse corpo travesti já é marcado pela ameaça. Se eu fosse travesti negra ou sujeita à vulnerabilidade, certamente já estaria morta”, diz.

O espetáculo continua em cartaz rodando o Brasil. Mais informações sobre datas e locais você encontra no perfil oficial da peça clicando aqui.

Assista o bate-papo com Renata Carvalho: 

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