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Marcos Freitas assume coordenação de políticas LGBT de SP e diz: “Foco será Transcidadania”

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Marcos Freitas é o novo coordenador de políticas LGBT de São Paulo. Ele exerce o cargo desde o dia 3 de julho, ainda que a nomeação não tenha sido publicada no Diário Oficial, e já provocou algumas mudanças, sobretudo no programa Transcidadania.

O coordenador disponibilizou 61 bolsas que estavam desocupadas e pediu na sexta-feira (20) a inclusão de novas e novos integrantes. “Solicitamos que os Centros de Cidadania mandassem os beneficiários e beneficiárias que estão na lista de espera. A inclusão será imediata”, afirmou ao NLUCON.

Marcos declara que não sabe o motivo de as bolsas estarem desocupadas ainda que estivessem disponíveis. Mas frisa que a situação é preocupante, uma vez que se trata de uma população que enfrenta diversas vulnerabilidades devido à transfobia, evasão escolar e dificuldade de se inserir no mercado formal de trabalho. “Não devemos ter nenhuma bolsa ociosa”, defendeu.

Janaina Lima, assessora técnica, declara que houve dificuldade de liberação das verbas com a gestão anterior e que diversos processos burocráticos estavam dificultando as bolsas. “O Marcos já entra mostrando a que veio, conseguiu a liberação e agora estamos correndo para completar as vagas”, declarou. Ela disse ainda que mudanças na coordenação são necessárias e que está tendo uma experiência nova em trabalhar com Marcos, quem já conhece do movimento social.

Para quem não sabe, o Programa Transcidadania existe desde 2015 e visa promover a reintegração social e resgate da cidadania de pessoas trans e travestis em situação de vulnerabilidade. As (os) beneficiárias (os) recebem uma bolsa auxílio para concluírem seus estudos, além de adquirir qualificação profissional e desenvolver práticas de cidadania. Também recebem atendimento multidisciplinar.

QUEREMOS DIALOGAR

O coordenador declara que não esperava receber o convite no meio da gestão anterior, mas que está muito feliz pela oportunidade de trabalhar em prol da população LGBT de São Paulo. Ele já estava trabalhando na Secretaria de Desenvolvimento, atuando em medidas socioeducativas. Anteriormente, também esteve no movimento social.

Marcos afirma que pretende manter diálogo aberto com a população LGBT, que já conheceu os quatro Centros de Cidadania em São Paulo e que teve reuniões com a coordenação estadual. Segundo ele, o momento é de articulações e rodas de conversa para entender as necessidades.

“Queremos traçar um plano para que todos saibam da Lei nº 10.948 (que pune práticas LGBTfóbicas no Estado de São Paulo), que os nossos Centros de Referências sejam espaços para denúncias e que possamos contribuir com as Famílias LGBT, dando apoio institucional para suas atividades, como os rolezinhos”, pontuou.

“Teremos como foco o programa Transcidadania. É o melhor programa de inclusão da prefeitura de São Paulo para uma população que sofre com transfobia, com a evasão escolar e que não consegue atravessar muitas vezes a portaria da empresa quanto mais acessar ao RH. O nosso olhar será redirecionado ao Transcidadania, aos Centro de Cidadania e a essas políticas afirmativas à população LGBT”.

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Alunas do programa Transcidadania

De acordo com Janaina, o maior desafio do programa é a porta de saída. “É ter as travestis, mulheres trans e homens trans com elevação escolar, preparadas e preparados para o mercado de trabalho, mas que o mercado de trabalho também esteja preparado para recebê-las e recebê-los. É um equilíbrio que se torna um grande desafio”, pontuou.

ANTRA PEDE REPRESENTANTE DO GÊNERO FEMININO

Durante a mudança de coordenadoria, a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) enviou uma nota pública propondo ao prefeito Bruno Covas e a Secretária Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo, Eloísa Arruda, que uma travesti ou mulher transexual pudesse entrar na disputa para ocupar o cargo da coordenadoria.

“A demanda faz se necessária para que possamos pensar nas questões relativas a representatividade, legitimidade e pertencimento que devem balizar o olhar da gestão pública para com a nossa população, especialmente porque esta função nunca foi assentada por uma pessoa do gênero feminino, o que a nosso ver acaba por preterir o sentido de igualdade entre os gêneros que é compromisso de todos”, diz a nota assinada pela presidenta Keila Simpson.

Para Janaina, a representatividade feminina ainda é algo necessário. “Acho que é uma reparação que a gente enquanto sociedade precisa fazer, mas tem falhado. Quantas secretarias temos e quantas mulheres estão na frente da gestão? A representatividade feminina também tem seus entraves, pois quando uma mulher ou uma travesti está batendo na porta, tudo tende a ser mais complicado ainda”, defendeu.

Marcos diz que o movimento social tem legitimidade para se manifestar e que entende a necessidade de representatividade. “Dentro da estrutura da coordenação temos a Janaina, que atua diretamente no Transcidadania. Acredito que o discurso da representatividade é importante e que algumas temáticas são melhores trabalhadas com seus pares. Estou longe de ser representante do movimento LGBT, mas isso não exclui a empatia. Junto com os segmentos podemos manter a representação nas pautas afirmativas”, disse.

A nomeação no Diário Oficial deve sair nos próximos dias.

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Janaina Lima: “desafio é a porta de saida do programa”
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