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Tribunal de Justiça determina que peça censurada com Jesus travesti volte a festival em Pernambuco

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A censura envolvendo a peça “O Evangelho Segundo Jesus – Rainha do Céu” na grade do Festival de Inverno de Garanhuns, em Pernambuco, ganhou mais um capítulo nessa quarta-feira (25). O Tribunal de Justiça de Pernambuco determinou que o Governo de Pernambuco reinsira, num prazo de 24h, a peça de volta ao FIG.

O espetáculo foi censurado no fim de junho, devido a pressão do prefeito de Garanhus, Izaías Régis (PTB), que se negou a ceder espaço para a realização do evento, e por meio de uma nota do Governo de Pernambuco. Tudo porque a protagonista da peça é a atriz Renata Carvalho, que é travesti.

A volta do espetáculo na programação partiu do pedido do promotor do Ministério Público de Pernambuco, Domingos Sávio, ao desembargador Silvio Neves Baptista Filho. Na decisão, ele se baseou no artigo 5º, incisos, 4 e 9 da Constituição Federal, e disse que a “decisão administrativa violou os princípios da motivação, da ampla defesa e do contraditório”, uma vez que os produtores não puderam se manifestar acerca da exclusão.

O desembargador determinou ainda que o governo deve implantar ainda segurança necessária para o espetáculo. E que o descumprimento da reinserção da peça na programação ocasionará multa de R$ 50 mil.

À Folha de São Paulo, a Secretaria de Cultura de Pernambuco, informou que só vai se pronunciar após ser oficialmente pela Justiça. O Governo não comunicou se vai recorrer da decisão.

APOIO E NOVA APRESENTAÇÃO

Ainda que o espetáculo tenha saído da programação do Festival, artistas e produtores locais se mobilizaram e realizaram um financiamento coletivo para que o espetáculo fosse encenado na cidade no dia 27. O local da peça ainda é mantido em sigilo, uma vez que Renata e a equipe vem sofrendo diversas ameaças de morte.

“Jesus é a imagem e semelhança de todos, menos de nós, pessoas trans. Acham que é inapropriado, sem-vergonhice, de má fé. Mas essa imagem que a travesti tem na nossa sociedade vem dessa construção social, da criminalização e folclorização que esta mesma sociedade faz de nós por meio da exclusão e marginalização. Esquecem de ver que a peça fala sobre amor, sobre perdão”, pontua Renata.

No sábado (21), a cantora Daniela Mercury se apresentou no FIG e desabafou sobre a censura que a peça sofreu. Segundo a artista, o único motivo foi o preconceito, a maldade e a desumanidade. Ela disse censurar uma peça de teatro por convicções religiosas é um absurdo, pois a Constituição não permite.

“Como é que alguém tem a capacidade de oprimir uma travesti que há tantos anos sofre violência nesse país? (…) El a estava com voz embargada e eu senti vergonha pelos políticos que fazem isso. Isso é desumanidade, maldade, ruindade. Eu não aceito ninguém maltratando ninguém”, declarou. “Ela é Jesus Cristo, sim. Jesus Cristo, eu estou aqui eu sou gay, eu sou lésbica e daí?”.

Confira bate-papo com a atriz: 

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