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Modelos trans e negras marcam desfile e dão nome às peças de Isaac Silva na 43ª Casa de Criadores

Neon Cunha, Isaac Silva e Urias – Foto: Marcelo Soubhia/ FOTOSITE

O desfile do estilista baiano Isaac Silva na quinta-feira (26), na 43ª edição da Casa de Criadores, em São Paulo, apostou na representatividade e ancestralidade trans e negra. Tanto que os looks homenageiam Xica Manicongo, a primeira travesti não-índia brasileira, cujos registros são de 1591, e receberam o nome de cada modelo que desfilou.

“Xica Manicongo foi escravizada por um sapateiro em Salvador, foi símbolo de luta e resistência de uma época em que negar o sexo era tido como heresia e digno de punição”, disse ele no site oficial. “Em minhas coleções busco a verdade da nossa história. Exaltando a importância das mulheres e sua força e beleza”, continuou.

Para o desfile, a diretora de arte Neon Cunha – responsável por apresentar a história de Xica ao estilista – escreveu um texto, lido pela mestranda em sexualidade Magô Tonhon. Depois, Urias cantou a música Geni e o Zepelim- clássico de Chico Buarque na Ópera do Malandro, que fala sobre uma travesti que é constantemente alvo de pedras, mas que se torna bendita quando Zepelim se apaixona. Quando ele vai embora, ela volta a ser alvo.

Na passarela do Mac Usp, estiveram as artistas de diferentes vertentes, bem como Danna Lisboa, MC Dellacroix, Renata Bastos, Jup do Bairro, Patricia Alvino, Maria Clara Araújo, Alina Dorzbacher, Kiara de Paula, dentre outras. Aretha Sadick finalizou o desfile com grandes aplausos. Beleza de Max Weber e style de Nayara Reis. Todas as peças receberam na etiqueta o nome das modelos que as vestiram.

Magô escreveu nas redes sociais que o desfile foi performance: “Muito feliz y honrada por estar com todas vocês! parabéns pelo trabalho de todas, que nas mais variadas áreas y atuações abrilhantaram à noite, agigantaram as pequenezas naturalizadas de espaços institucionais y mercadológicos. temos uma peça com nosso nome, dar nome é instaurar o discreto no contínuo, nomear é fundamental, nós pessoas trans y travestis e/ou negras no Brasil precisa de nome y sobrenome!”.

A modelo Patricia Alvino afirmou que a noite foi maravilhosa e de muita representatividade. Erica Malunguinho declarou que o espaço foi de reflexão consistente. “Muito além da visibilidade isto é construção de conhecimento. Ciência pura. Leia e viva a existência trans para muito além dos códigos habituais”. Já Guilhermina Urze se atentou que a população trans e travesti está farta de migalhas e que estará reivindicando todo direito e reparo social deixando para trás. “Agora não tem mais volta, estaremos presentes em todos os espaços”.

Confira algumas fotos:

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