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Janet Mock, 1ª mulher trans negra a escrever série de TV, comenta bastidores de Pose

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Escrever e dirigir uma série de TV. Esse foi o desafio que a ativista, escritora e palestra Janet Mock, de 35 anos, teve nos últimos meses. Ela é responsável pelo texto e direção de alguns episódios da já badalada série Pose, da FX, criada por Ryan Murphy, tornando-se a primeira escritora negra a escrever para uma série de TV.

A série aborda o cenário LGBT, sobretudo trans, na Nova York dos anos 80. Fala desde os ballrooms (bailes em que disputavam troféus em categorias de vestimenta e performance) família, preconceitos, aids e afeto. É a série com o maior número de profissionais trans trabalhando em frente e atrás das câmeras. Veja crítica aqui.

Segundo Janet, em recente entrevista a Paper, o convite foi aceito sobretudo porque a série possibilita que muitas pessoas aprendam sobre o estado atual da população trans ou LGBTQ, olhando para o passado, vendo como as pessoas resistiram, sobreviveram e prosperaram apesar dos muitos obstáculos.

“Eu amei o fato de falar sobre uma cena vibrante e cultura criada por pessoas que não receberam nada e criaram o seu próprio espaço seguro. Evidentemente também adorei por causa da plataforma e o potencial da televisão. Acho que é uma das formas mais íntimas que as pessoas podem contar histórias. As pessoas convidam você para suas casas e depois se apaixonam por essas personagens durante a temporada. Isso me empolgou”, declarou.

A escritora declara que seu objetivo é mostrar por meio da série que as pessoas LGBT não estão sozinhas e que não são as primeiras a passar por dificuldades. “Eu olho para trás e isso nos ensina sobre quem éramos, o trabalho que tivemos e o que temos que fazer para continuar construindo, construindo, construindo e construindo. Espero que pareça uma carte de amor em que as pessoas da minha comunidade possam se ver e serem elas mesmas, e que não precisam se sentirem tão sozinhas no mundo. Que eles tem algo que engloba a própria realidade e as próprias vivências”.

EPISÓDIO QUE ESCREVEU E DIRIGIU TEVE MAIOR AUDIÊNCIA

Ela escreveu três episódios – o três em parceria com Our Lady J, o quatro e o seis. Este último, ela também teve a oportunidade de dirigir ao lado do criador da série, Ryan. Segundo ela, fazer parte da sala dos escritores foi uma experiência nova e que possibilitou pela primeira vez escrever colaborativamente.

Ela declara que tem trabalhado com consultores e coreógrafos e que eles são vitais para o processo, principalmente quando estão no espaço do salão. “Temos Danielle Polanco, que lida com coreografias quando estamos no salão. Temos também figuras lendárias como Hector Xtravaganza e Sol Williams, que estão lá para nos ajudar em cada passo. É realmente ótimo que tenhamos esse incrível grupo de pessoas que nos mantém juntos e nos fazem melhores”.

“O episódio quatro é sobre como nos sentimos sobre o nosso próprio corpo, o dano que pode ser causado aos nossos corpos e as maneiras pelas quais, às vezes, nossos parceiros ou aqueles que nos desejam tentam assumir o controle dos nosso corpos. Então falamos de homens heterossexuais que sentem atração por mulheres trans. Também falamos sobre hiv/aids”, diz.

A escritora conta que o episódio quatro foi a maior audiência durante a noite no canal. “Eu acho que isso significa que o show está construindo um público e as pessoas estão contando aos amigos”, declarou.

PROCESSO LENTO, E REVOLUCIONÁRIO

Ao comentar a televisão receber uma série como Pose, que traz diversas representatividades trans, ela diz que foi um processo bem lento. Janet cita que Laverne Cox esteve em “Orange Is The New Black”, mas que a história não era centrada nela. Depois, cita Transparent, em que apesar de ter uma personagem trans protagonista, não havia representatividade de uma atriz trans naquele papel. Até que houve o desejo de que pessoas trans estivessem representadas totalmente pela primeira vez.

“Eu acho que os espectadores exigiram isso e queriam uma sala de escritores mais diversificada. Eu sou a primeira mulher trans de cor a escrever e dirigir um episódio para a televisão e a primeira a ser contratada para escrever em uma sala de escritores. Eu acho que todos esses marcos acontecem por causa de todo o trabalho duro de todos os pioneiros que vieram antes. Eu acho que esses marcos culturais já estavam lá, mas também há a demanda do público por contar histórias mais precisas, onde estamos no centro do palco e não somos mais a coadjuvante, somos a estrela real. Eu acho que é profundamente revolucionário”, declarou.

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