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PF prende suspeitos de explorarem e agredirem travestis em Franca, SP: “Puniam com barra de ferro”

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14 travestis e mulheres transexuais foram resgatadas (Crédito: Stella Reis/EPTV)

A Polícia Federal prendeu na última semana cinco pessoas suspeitas de tráfico internacional de travestis, exploração sexual e até punição com barra de ferro. De acordo com a EPTV, a operação chamada “Fada Madrinha” resgatou na última quinta-feira (09) 14 vítimas de um imóvel em Franca, interior de São Paulo.

A Polícia informa que elas eram exploradas sexualmente, traficadas para a Itália e mantidas aprisionadas em uma casa em Franca. Elas eram obrigadas a se prostituir, pagar diárias de R$170, além de serem punidas com barras de ferro, pedaços de madeira com pregos ou deixadas nuas em rodovias da região.

A delegada Luciana Gebrim afirma que elas eram aliciadas pelas redes sociais com a promessa de procedimentos cirúrgicos. Chegando no espaço, eram exploradas sexualmente e tinham que comprar perucas, roupas, sapatos, vestidos e outros acessórios fornecidos por eles, além de dar R$ 50 reais para a “poupança transição” para financiar os procedimentos cirúrgicos ou uso do silicone industrial.

Algumas eram enviadas ao exterior com a promessa de participar de concursos de beleza, mas as dívidas aumentavam e a exploração sexual continuava.

“Elas tinham que pagar por tudo: diária, roupa, calçado, silicone, peito, maquiagem, peruca. Se não pagava, apanhava. Punha o gigolô atrás. Ameaçava matar as famílias para receber o dinheiro. Falava que ia matá-las, que ia sumir com o corpo. Ele dizia: ‘Quem vai procurar bichos igual a vocês, que ninguém deseja?”, disse uma vítima, que prefere não se identificar. “Ele se aproveita daquelas que são sensíveis, que a família põe pra fora. Ele pega até menor”.

A operação também identificou que os investigados aplicavam silicone industrial no corpo das vítimas e a encaminhavam para clínicas médicas que realizavam próteses mamária. Detalhe: algumas dessas próteses eram de reuso. “Algumas das transexuais que fizeram implante nas clínicas investigadas tiveram sequelas. Algumas tiveram necrose no tecido e há comentários no grupo delas de que essas próteses eram reutilizadas: de outras transexuais, que eram deixadas nas clínicas e os médicos reaproveitavam”, explica a delegada da PF.

O esquema só foi descoberto quando em novembro de 2017 vizinhos da casa em Franca registraram um boletim de ocorrência por pertubação de sossego e da ordem. Algumas moradoras da casa foram à delegacia e relataram o esquema em que eram submetidas. A delegada afirma que a exigência de que elas se prostituíssem para pagar as dívidas configurava uma espécie de escravidão.

As 14 vítimas resgatadas passaram por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) de Franca. Elas devem ser acolhidas e assistidas pelo MPT. “Nós passamos a tratar da tutela dessas vítimas porque são pessoas muito vulneráveis, às vezes marginalizadas pela sociedade, facilmente atraídas por promessas de mudança de corpo, promessas de concursos, promessas enganosas”, afirma.

A procuradora Sabrina Menegário afirma que é importante que o assunto torna-se pauta para que as pessoas que são exploradas dessa maneira possam ser vistas com maior cuidado e tutela por toda a sociedade.

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