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Artivista trans Caio Jade revela que repensou masculinidade durante performance

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Caio Jade em entrevista performática com Neto Lucon

Caio Jade estava parado em três pontos no centro de São Paulo. Velava por três acontecimentos que acabavam de marcar sua vida. Estava em silêncio, sem se deixar convencer pelos olhares curiosos, intimidadores e a vida corrida que continuava correndo. Com o tempo, as pessoas a se incomodar com sua presença silenciosa. Logo, foi agredido verbalmente e fisicamente.

Esta foi a primeira experiência de Caio com performance, há quatro anos. Desde então, o artivista empresta da arte performática, sua profissão, para pesquisar sobre si, o outro, a vida, os corpos, o gênero, ser nômade, o invisível e o visível e a espiritualidade. Vem rodando o Brasil com a performance, seja em vídeos, palcos e outros espaços, e levando o talento, a potência e a tão reivindicada representatividade trans.

“Na primeira performance, foi interessante entender essa potência de quebrar o rotineiro de uma cidade com uma velocidade e uma loucura como a de São Paulo. Quebrar com a presença silenciosa, que também me atravessa como uma necessidade de equilíbrio”, revela com exclusividade ao NLUCON.

Caio diz que a arte de performar surgiu de uma maneira misteriosa, pouco antes da consciência de ser transmasculino, e do despertar da consciência de que existe uma linguagem artística que pode ser feita por todas as pessoas. Mas que ainda não há a consciência de ela que é arte, pois está distante de visões elitistas, que geralmente envolvem acessos socioeconômicos e que estão ligados aos formatos de galerias, teatro, museus… “A minha performance não é uma questão de arte, mas de vida”, contou.

Assista ao bate-papo: 

GÊNERO

O artista, que se define como transmasculino, afirma que a discussão sobre gênero está sempre presente em suas obras, ainda que ela não seja o tema. “A performance fala sobre o próprio corpo em relação, então não tem como não falar sobre gênero. Você pode não falar, mas aquilo está sendo dito, às vezes só para você, para alguém que percebe, às vezes para o espaço ou para o que é invisível”.

Ele recorda a performance “Código de Honra”, cuja produção trouxe à tona uma masculinidade que lhe foi negada durante muitos anos: a viril, forte, musculosa e militarizada. Caio diz que passou a malhar, ver o corpo crescer e trazer algumas figuras do seu imaginário masculino, bem como a figura do soldado.“Comecei a fazer a performance que trazia esse corpo do vigor, do exercício físico, militarizado e vi uma figura masculina e viril emergindo”, lembra.

Porém, ao se olhar e sentir o seu corpo no banho, aquela figura que ele de alguma forma queria ter o assombrou. “Olhei e vi: Não é isso que eu sou e quero ser”.

O artivista diz que o próprio corpo falou antes dele, provocando um processo inflamatório, que percorria da cabeça ao ombro. “Não consegui mais fazer exercício físico e todo o processo performático que estava sendo feito em cima de muito esforço foi preciso parar. Então começo a retomar as coisas que eu fazia antes”. Foi quando ele também aproveitou para repensar a masculinidade que estava sendo imposta, ressignificando e vivenciando a transmasculinidade de uma maneira menos estereotipada e mais autoral.

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Caio Jade na performance Código de Honra

NOVAS PERFORMANCES

Depois da lesão, Caio afirma que passou por alguns meses em crise, até entender que sua pesquisa dialogava muito com espiritualidade e o que era visível e invisível. “Minhas performances sempre mudam e são voltadas ao que venho fazendo naquele momento ou o que a pessoa que contrata pode oferecer”, conta.

Atualmente, ele estuda a performance “O Invisível através do visível”. “Ainda estou experimentando o nome, mas é uma das coisas mais interessantes que fiz até hoje”.

Em entrevista ao jornalista Neto Lucon, do site NLUCON, ele fala sobre todas as questões com mais detalhes. E de quebra faz outra performance.

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