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Jogadora da Espanha, Omy Perdomo rejeita comparações com Tifanny Abreu e diz estar blindada contra transfobia

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Omy Perdomo: jogadora de vôlei da Espanha

Omy Perdomo, de 18 anos, está tendo todos os holofotes dentro do esporte espanhol. Ela é a aposta do CV CCO 7 Palmas, clube das Ilhas da Canárias, e a primeira mulher transexual do país a jogar num clube profissional. Apesar de fazer história e de inspirar muitas jovens, ela afirma que tem levado a questão com muita naturalidade, como deve ser.

“Desde muito, muito pequena tinha bem clara a minha situação. E sempre tive uma infância tranquila. E isso me ajudou a ter uma autoestima muito alta. Não me considero inferior ou diferente, como quase todo muito pensa, mas muito pelo contrário (risos). O que quero dizer é que sou uma mulher que vive bem consigo mesma”, afirmou em entrevista por telefone ao G1.

A jogadora declara que o fato de todo o processo ter sido tranquilo e ter iniciado o tratamento hormonal aos 10 anos – com bloqueadores de testosterona e posteriormente o uso de hormônios femininos – contribuiu para que ela não desenvolvesse caracteres atribuídos ao masculino e que não passasse a ser vista como diferente. “Não estou tendo (dificuldades no esporte). Nunca cheguei a me desenvolver totalmente como homem, então isso me ajudou a fazer com que meu processo fosse mais fácil”, contou.

Ela afirma que o clima de equipe é muito bom e que as colegas cisgêneras, ainda que nem todas tenham sido escaladas até o momento, são extremamente profissionais. “Elas trabalham para jogar e ganhar, assim como eu faço”, declarou Omy, que apesar de toda exposição procura seguir o ritmo dos treinos, focar nos resultados e estar preparada para a nova temporada. Os novos jogos ocorrem em outubro.

Sobre a possibilidade de sofrer transfobia das adversárias ou da torcida, a atleta garante que está blindada. “A pessoa se dará mal se tentar me ofender. Hoje em dia estou rodeada de êxito atrás de êxito e tudo o que quis, consegui com muito esforço.  Sou mulher, sou trans e me orgulho e quero tal como sou. Tenho o desejo de cumprir todos os meus sonhos, não só no esporte. Sou muito lutadora e trabalho muito para que a transexualidade não limite o meu caminho”, diz.

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Omy Perdomo iniciou o tratamento hormonal aos 10 anos

PAIXÃO PELO VÔLEI

Omy conta que se interessou pelo vôlei ainda criança, nas brincadeiras no intervalo da escola. Inicialmente jogou em equipes mistas, mas depois, quando passaram a dividir os times por gênero, teve que jogar por cinco anos com meninos. “Isso não me parou, porque sempre tive a mentalidade de não abandonar o que eu gosto de fazer”.

Durante um ano, chegou a interromper a prática esportiva. Depois, foi convidada por um olheiro para voltar ao esporte, já na equipe feminina. Ela foi chamada para jogar no clube CV CCO 7 Palmas, para disputar a Liga Iberdrola, a Superliga da Espanha. Nós divulgamos esse primeiro momento aqui.

Apesar de ser considerada juvenil pelos 17 anos, ela conseguiu que fosse incluída pela Federação Espanhola na equipe profissional em fevereiro. Tem se dado bem entre as demais colegas, apesar de frisar que não está lá para fazer amizades.  Agora, se dedica aos treinos para a competição que ocorre em dois meses. “É um sonho realizado”, disse ao jornal Marca.

A TIFANNY ESPANHOLA?

Ao ser comparada com Tifanny Abreu, a brasileira e mulher transexual que se tornou a primeira a jogar no vôlei profissional, ela frisa que não se sente representada e que elas são “completamente diferentes”. Ressalta que, diferente de Tifanny, que chegou a jogar profissionalmente no vôlei masculino antes de iniciar os processos de sua transição de gênero, ela está tendo uma trajetória diferente.

“Não conheço muito a história da Tifanny. Sei quem é, vi várias partidas por curiosidade, mas não me sinto representada por ela. Ainda que sejamos transexuais, eu levei a minha vida toda nesta situação. Mas eu foco na minha vida, não sou de olhar outros tipos de situações parecidas à minha. Ainda que vão comparar a minha vida com a dela. Não sei nada do processo da Tifanny, nem de sua vida. Apenas que joga na liga brasileira e que foi a primeira trans a conseguir. Dou meus parabéns e espero que siga somando êxitos”, declarou.

Ela afirma que sabe da importância de pessoas trans ocuparem espaços que até então foram negados e que tanto a sua história quanto a de Tifanny podem inspirar outras pessoas a entrar no esporte. “Lutei por mim e acho que minha história pode ajudar outras meninas e meninos”.

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