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População trans e travesti engrossa coro “Ele Não” em dia histórico no Brasil

bandeira trans
Bandeira trans com mensagem “Ele Não” ocorreu em São Paulo (foto: Mídia Ninja)

Para quem achava que a hashtag “EleNão” não fosse dar em nada, o dia 29 de setembro entrou para a história. Milhares de pessoas – sobretudo mulheres cis, trans, travestis, LGBs e apoiadores – foram para as ruas demonstrar repúdio à candidatura à Presidência de Jair Bolsonaro (PSL) – conservador e dono de discursos machistas, racistas e LGBTfóbicos.

O NLUCON ficou de olho nas participantes trans e travestis, que foram para as ruas, levantaram bandeira em prol dos direitos humanos e participaram ativamente do processo democrático. Abaixo, confira algumas das manifestações.

Em São Paulo, uma gigantesca faixa com as cores da bandeira trans foi estendida durante toda a manifestação no Largo da Batata. Inúmeras ativistas trans estiveram presentes, dentre candidatas e eleitoras: Amanda Marfree, Renata Peron (candidata a deputada federal), Bianca Mahafe, Regiane Santos, Renata Carvalho, Ave Terrena,  foram algumas delas. “Hoje elas estão na rua. Vivas! Não vão nos tombar”, escreveu a dramaturga Ave.

No interior de São Paulo, a militante travesti Lorys Ciccone mostrou que as manifestações também estiveram fortes. Em Presidente Prudente, em Sâo Paulo, o coro era “Machistas, fascistas, não passarão”. Em Franca, Fabiana Faleiros e Letícia Lemonge foram algumas das pessoas trans que participaram do ato e gritaram “Ele Não”.

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O Rio de Janeiro também teve uma expressiva manifestação na Cinelândia e  a população trans e travesti apareceu em peso. Nas redes sociais, foi possível conferir a força do discurso de Alessandra Makkeda, Bruna Benevides, Fabiola Fontinelle, Pamela Belli, Maria Eduarda Aguiar, dentre muitas outras e outros. “Foi maravilhoso fazer parte deste importante momento da história onde Unimos a luta LGBTI, das mulheres e de negros contra o fascismo!”.

Em Belo Horizonte, Minas Gerais, a candidata a deputada estadual Juhlia Santos apareceu com “Ele Não!” “tatuado” no braço. A candidata a deputada federal Leandrinha Du Art subiu ao trio e disse: “A revolução está nas maõs das mulheres”. Em Pouso ALegre, sul de Minas Gerais, Chico Boreli deu o recado: “Eu não sou ideologia. Eu existo”.

Em Campina Grande, Paraíba, Carolina Carolino mostrou que a população trans também esteve presente. “Estamos na Marcha contra o Bolso porque ele não. Ele é machista, misógino e sexista”.

Davila Medeiros disse não no ato em Caicó no Rio Grande do Norte. Ela frisou que não votará em Bolsonaro e que só dará o seu voto para os candidatos que a respeitarem. Jussara Cavalcante e Jacqueline Brasil também foram algumas das ativistas trans e travestis que disseram “Ele não”. “Juntas, representando as trans do Rio Grande do Norte contra o fascista. Ele não”, disse Jussara.

Em Curitiba, Bianca Soares – a primeira travesti a participar de um reality show no Brasil, a Casa dos Artistas – declarou: “Não é porque eu gravei um filme (pornô) com o Frota que eu apoio o Bolsonaro só para ganhar uma boquinha. Não pensem isso. Eu vim para as ruas porque eu também não apoio o fascismo”.

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A presidenta da Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), Keila Simpson esteve na manifestação da cidade de Picos, no Piauí, que iniciou logo pela manhã. Com uma faixa informando que o Brasil é o país que mais mata a população trans e travesti do país, Keila disse: “Ele não, porque ele se vitimiza e diz que as pessoas estão atacando ele. Ele não, porque ele não representa a população LGBT. Ele não, porque ele prega discurso de ódio a todo momento. Ele não, porque ele violenta as pessoas. Ele não, porque ele tem as mãos banhadas de sangue. Ele não, porque ele quer dar arma para as crianças. Ele não, porque ele quer tirar direito da nossa sociedade e a gente não vai deixar. É na rua, é no grito, é voto que a gente vai dizer: Bolsonaro nunca”.

Também foi possível ver outros homens trans pelas manifestações. Dentre eles, Tiago Logan esteve em Maceió. “Foi lindo hoje. Um suspiro de alívio e esperança. Somos muitxs e somos fortes”.  O coletivo Transbatukada  – formado por homens trans, transmasculinos e outras identidades trans – participaram da manifestação em Salvador, Bahia. Rafael Maques esteve em Natal, Rio Grande do Norte.

Inúmeros outras e outros participantes estiveram presentes. Foram mais de 300 cidades brasileiras e algumas do mundo, segundo o levantamento do site Mídia Ninja. As fotos comprovam: as ruas foram tomadas, preenchidas e mostram a maior campanha feminista do país. A imagem dos participantes de São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, saltam os olhos, mas nesse dia, ao contrário de todas as manifestações, não houve contagem pelos policiais.

Fica o registro: Mais uma vez, a população trans demonstrou estar presente na luta pelo processo democrático, engrossa o coro contra as opressões, violações e desigualdades, além de ajudar a transformar o país enquanto cidadãs e cidadãos. Ainda que a passeata não tenha beneficiado esse ou outro candidato, a mensagem foi dada: pelo menos Jair Bolsonaro, não. E essa é considerada a maior manifestação de mulheres na história do Brasil e uma das maiores manifestações contra um candidato.

Viva as mulheres, sejam elas cis, trans, travestis, negras, brancas, indígenas, gorda, magra (…) e todas as pessoas que lutam em prol dos direitos humanos.

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