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Eleitoras/es trans e travestis falam por qual motivo votam em Fernando Haddad

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Fernando Haddad e Marcella Montteiro na formatura do Transcidadania

No dia 7 de outubro, 147 milhões de brasileiras e brasileiros os vão se dirigir na zona eleitoral para votar para presidente/a, senador/a, deputada/o estadual e federal. Um momento importante para a política brasileira.

Fernando Haddad é o candidato do Partido dos Trabalhadores à presidência do Brasil. Antes, ele era vice do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi preso, e acabou substituindo. Hoje, a vice é Manuela D’Ávila, do PCdoB.

Segundo pesquisas de intenção de voto, Haddad ocupa o segundo lugar, com 21% das intenções de voto (DataFolha). O primeiro lugar é de Jair Bolsonaro (PSL).  Em um possível segundo turno, há um empate técnico, com 44% para Bolsonaro e 42% para Haddad.

Vale informar que, enquanto prefeito de São Paulo, Haddad implantou o programa “Transcidadania”, que trazia travestis, mulheres e homens trans de volta à escola com uma bolsa auxílio. O projeto foi considerado exemplo em todo mundo e uma alternativa para resgatar a cidadania de pessoas trans que sofreram preconceito e abandonaram os estudos.

Conversamos com eleitoras e eleitores trans e travestis, que explicam por qual motivo votam no candidato do PT. Em outras postagens, falaremos com eleitoras e eleitores do Ciro Gomes, Marina Silva, Geraldo Alckimin e Guilherme Boulos.

Confira: 

Sara Wagner York
Professora, pesquisadora, militante trans e integrante do IBTE (Instituto Brasileiro Trans de Educação).

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– Por qual motivo escolheu o Haddad?

Por ser professor e por trazer aspectos e profundidade em seu olhar que margeiam para além de um dito comum ou resolução mágica. O fato de ser o candidato do Lula, também é levado em consideração, uma vez que enquanto pesquisadora, viajando por todo Brasil nos anos 1990 e conheci o Brasil do mapa da fome. E sei que foi o PT de Lula que de lá o retirou. Compreendo que política é um espaço de muitas verdades, mas também é um lugar onde se elenca necessidades, e por isso não posso me abster desse direito. Enquanto mulher trans, sempre tenho a legitimidade de minha fala questionada, não me bastam todos os diplomas e certificados. Existe um ódio e desejo pelo meu erro para que tal ódio se justifique. Logo, entendo o que é ser alguém que é perseguido por “crimes” não cometidos. O Lula é uma antena que capta odiadores, como travestis também o são, e o motivo talvez seja o fato de ser alguém da rua, do nada, como muitas de nós somos. Somos ensinadas pela/por uma educação do norte (pontuado por Boaventura Santos) branca, heterossexual, fálica cisnormativa, cristã, elitista e americanizada, logo tudo que foge dessa marca é passível de ódio.

– Quais são os elementos, propostas e promessas que ajudaram você a ter essa escolha?

Aulas de história, dois cursos de licenciatura (Letras e Pedagogia) e viagens pelo Brasil. Haddad foi o ministro que mais expandiu a educação no país, fez a implantação do PROUNE, FIES e 224 escolas técnicas, melhoria do ensino fundamental (nos marcadores internacionais). Sou professora, mulher trans, travesti, pai, avó e pesquisadora e digo, nada é pior na vida que o roubo da educação na infância. Com educação estaremos prontos para esse momento de cidadanização, quando adultos, sem ela estaremos entregues às margens da não opção.

– Muita gente questiona o governo do PT, que está há mais de uma década no poder. O que você acha disso? Qual sua opinião sobre a prisão do Lula?

O PT não está no poder! Michel Temer é do partido de Henrique Meireles, o MDB, antigo PMDB, o partido da rasteira, conhecido por não eleger ninguém, mas que está sempre no topo (vide opinião aqui ). O PT esteve no poder até 2016 quando se dá o Golpe. O Golpe é entendido por mim, como um processo de enfraquecimento da democracia e que retira da presidência uma presidenta eleita, de forma democrática e a penaliza pelo “crime” que seria abertamente cometido e chancelado pelo Governo (interino) a seguir, o Governo Michel Temer. Estou falando das pedaladas. Um presidente como Lula, não deveria estar fora de qualquer processo eleitoral vigente no país. Ele não é apenas um presidente aclamado, mas um presidente que ao ser julgado não teve unanimidade, ou seja, nem mesmo os juízes que o julgam compreendem no como réu. A prisão é arbitrária, mas quem diz isso não sou Eu, mulher travesti, é a ONU e tantas outras instituições e pessoas de renome e competência internacionais. O crime contra Lula é um crime contra a nação, é um crime contra o povo de/das ruas, é contra o pobre, o dissidente, o menor, o “infrator”não julgado, contra LGBTs e contra a ascensão do diferente ao sistema sócio-político-educacional nacional. É também estético, Lula é chamado de 9 dedos nas redes sociais por seus detratores em função de uma mídia que o massacra no Brasil, a estética é condenada no Brasil, é estético e midiático, da mesma forma esse mesmo povo chama travestis de “aberração”, em nome de uma suposta moral, são os compositores da “família tradicional”.

– Dentre as opções, acha que Haddad pode contribuir para a cidadania de pessoas trans e travestis? Por qual motivo?

Haddad criou em SP durante seu governo o Programa Transcidadania. Nunca, outro candidato após eleito teve feito ou tido esse olhar e cuidado. Eu sou pesquisadora CNPq, mas já estive moradora de rua, só pode criticar qualquer iniciativa para pessoas trans e travestis, quem precisa do governo nessa hora. O modo respeitoso às diferenças faz a diferença, é como eu disse anteriormente, o olhar de Haddad faz a diferença por ser educador, professor e visionário, assim como Lula o é. Quem passou fome, como eu, antes de ser reconhecida/considerada cabeleira de renome internacional ou professora, ou pesquisadora na UERJ e UFRJ, precisou de ter um mínimo para dar conta de refazer a própria história, é isso é dado com amor pela família (no meu caso foi uma avó até os 12 anos), por parceiros de caminhada e pela escola, do contrário, muitos de nós jamais chegaríamos adiante. Ninguém vive sozinho e o apoio é necessário, por isso penso também sobre as cotas, penso inclusão, cultura de rua e Paulo Freire. Pensamos, enquanto educadorxs, pessoas inteiras e portadoras de suas verdades.


Luisa Stern
Advogada, filiada ao PT desde 1985, candidata em duas eleições e a primeira vereadora transexual de Porto Alegre (durante três dias na Semana do Dia Internacional das Mulheres).

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Luisa Stern ( crédito: Luiza Dorneles/CMPA)

– Dentro do PT, você enquanto candidata trans teve vez?

Sou petista filiada desde 1985, fui candidata nas duas eleições anteriores, a deputada estadual em 2014 e vereadora em 2016 em Porto Alegre. Neste ano de 2018, tive a oportunidade de assumir o mandato de vereadora por 3 dias, na semana do Dia Internacional de Luta das Mulheres. Assim, me tornei a primeira vereadora transexual de Porto Alegre e provavelmente a segunda em uma capital brasileira.

– Por que o Haddad?

É o candidato do meu partido, o PT, cuja trajetória de vida mostra ser o partido que mais dá oportunidade e tem mais políticas públicas para a população LGBT. No caso específico do Haddad, é bom lembrar que ele foi pioneiro ao implementar o programa Transcidadania quando prefeito de São Paulo e vai fazer o mesmo em todo o Brasil se for eleito”.

– Muita gente questiona o governo do PT, que está na presidência por mais de uma década. Como avalia essas críticas e o fato de Lula estar preso?

É preciso lembrar que são atacados pelo que fizeram de melhor e que o partido não está mais no poder desde 2016, quando a Dilma foi afastada por um golpe de estado aplicado pelo congresso com apoio do judiciário, da grande mídia e dos setores mais raivosos, reacionários e preconceituosos da nossa sociedade. Lula é um preso político, foi condenado por fatos indeterminados, sem acusação concreta e nenhuma prova material do que foi alegado contra ele.

– Haddad vai beneficiar a população trans?

Entendo que o Haddad tem muito a contribuir para a nossa cidadania, tanto pelo que fez como prefeito, como por ser o candidato que tem mais propostas concretas para a nossa população. Hoje mesmo uma menina trans fez um levantamento das propostas de todos os candidatos em relação às pessoas trans e o programa do Haddad é o que mais nos contempla.


Indianare Siqueira,
Militante transvestigeneres, fundadora da Casa Nem, vereadora suplente do PSOL nas últimas eleições do Rio de Janeiro.

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– Em quem irá votar nessas eleições?

Haddad será o único homem cis que terá meu voto. Ou melhor, meio voto, pois a outra metade será da Manuela D’Ávila. Minhas senadoras serão Marta do PCB-RJ e Samantha Guedes, do PSTU-RJ. Estadual será Barbara Aires, do PSOL, e Federal será a Giowana Cambrone, da Rede. Além disso, apoio as candidaturas trans.

– Por que escolheu o Haddad?

Acredito que temos que votar em alguém que elimine já o Bolsonada no primeiro turno. Prefiro alguém que já administrou SP para os pobres e até dançou com transvestigeneres que alguém como o Ciro, que já teve declarações machistas e homofóbicas. Prefiro o Haddad também pela esquerda e as políticas sociais com as quais ele se compromete.


Marcella Alves Montteiro
Cabeleireira, agente de prevenção às ISTs/Aids, e educadora social em saúde. Também foi uma das beneficiárias do programa Transcidadania.

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– Por que o Haddad?

Sou moradora de periferia, inclusive moro em um conjunto habitacional que foi conquistado por Luiza Erundina que na época era PT. Sou de família de ativistas militantes no movimento de moradia e favelas de SP e sempre acompanhei tudo o que os candidatos ligados ao PT fizeram pelas pessoas moradoras destas regiões menos favorecidas. E acredito que ele dará continuidade nestes projetos de bem-estar popular.

– Quais são os elementos, propostas e promessas que ajudaram você a ter essa escolha?

Promover a democracia, o pluralismo e a diversidade na mídia. O Brasil precisa de um novo processo constituinte, a soberania em grau máximo e popular para a reestruturação democrática e para o desenvolvimento do país. Alcançando um novo período histórico nacional, de afirmações de direitos, promovendo políticas para as mulheres, visando a igualdade de gênero e políticas de igualdade racial.

– Muita gente questiona o governo do PT, que está há mais de uma década no poder. O que você acha disso?

É uma ideia sem embasamento e com alicerces falhos. A real é que a população foi induzida a achar que nada foi feito nestes anos todos e, agora, com um Plano de Governo mais consistente e que fala muito sobre igualdade, a mídia vem fazendo alguns ficarem temerosos. Suas lideranças traduzem hoje em uma ampla frente política e social, capaz de tirar o Brasil da encruzilhada histórica em que nos encontramos. Ou o país constrói o seu caminho para a democracia, desenvolvimento e a justiça social, ou afundará no rumo imposto pelo ilegítimo governo Temer, PSDB e sua maioria parlamentar, com apoio de setores da mídia e do empresariado.

Qual sua opinião sobre a prisão do Lula?

Desde o início do golpe de 2016, inúmeros direitos foram cassados, violados e massacrados em um período curto da história brasileira. A perseguição judicial a Lula, com amplo respaldo da mídia nacional, que se materializou no indeferimento de sua candidatura a Presidente da República pelo Tribunal Superior Eleitoral, é o maior exemplo disso. A arbitrariedade do impedimento da candidatura que foi o ponto que mais chamou a atenção e sabemos que ele lidera todas as pesquisas de intenção de votos e assim interdita a alternativa reconhecida pelo povo brasileiro para o desfecho da crise política no Brasil. Uma arbitrariedade atrás da outra, pouco ou nada foi provado contra ele e continuam mesmo assim o mantendo em cárcere.

– Dentre as opções, acha que Haddad pode contribuir para a cidadania de pessoas trans e travestis? Por qual motivo?

Promover a Cidadania LGBTI+ já está incluso em seu plano de governo, e se pensarmos ele foi o único que em uma gestão como prefeito desenvolveu em conjunto com a comunidade LGBTQI+ um programa que visa a melhoria de vida de pessoas travestis e transexuais com um foco direcionado na educação e na redistribuição de renda. Eu fui uma das beneficiárias do programa piloto Transcidadania, que sem dúvida ele levará para outros estados brasileiro devolvendo assim a dignidade a pessoas travestis e transexuais.


Christian Lorenzzo Kavla
Professor de inglês

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– Seu voto será no Haddad. O que levou a escolher ele?

Escolhi o Haddad porque eu sou Lula. Como Lula não pode concorrer, confio na escolha do Lula. Haddad provou sua eficiência na Prefeitura de São Paulo. Foi um dos melhores que tivemos. Eu voto no PT desde que comecei a votar.

– Por qual motivo você acha que o PT fez uma boa administração?

Não houve governo que se interessasse tanto pela população de baixa renda como o governo Lula. Antigamente pobre não tinha direito a educação superior. Tinha as universidades públicas, mas pobre que estudava em escola pública não tinha chance. Pobre não podia visitar a família em outro estado, porque a passagem era muito cara, a inflação nas alturas e o salário mínimo baixíssimo. Lula trabalhou com políticas de reparação, tirou o país do mapa da fome, as taxas de mortalidade infantil eram alarmantes e ele conseguiu controlar e reduzir drasticamente esse dado. Eu poderia listar mais exemplo sobre o que ele fez pela população pobre.

– Qual é a sua opinião sobre a prisão do Lula?

É totalmente arbitrária, perseguição política mesmo. Não há provas que o tríplex seja dele. Ele está preso e teve sua candidatura negada, porque sabem que se ele concorresse ganharia logo no primeiro turno.

– Acha que Haddad fará políticas para a população trans?

Dilma (Rousseff) assinou o decreto que assegura o nome social de pessoas trans em espaços públicos. Acredito que Haddad seguirá o mesmo caminho para assegurar que nossos direitos sejam cada vez mais respeitados e nivelados.

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um comentário

  1. Parabéns Neto, tu sempre fazendo um belíssimo trabalho a favor da população brasileira de Travestis homens e mulheres Transexuais. Me sinto honrada por fazer parte do rol de seus amigos.
    Parabéns que Deus te ilumine sempre.

    Curtir

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