Psicólogo responde Uncategorized

Qual o papel do psicólogo atualmente em relação a população de pessoas trans e travestis?

1846-female-transgender-empathy-1296x728-header
(Arte: site healthline)

Recentemente a Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou a saída das identidades trans e travestis da lista de transtornos mentais. A saída foi muito comemorada pela comunidade trans e travesti e a partir daí a gente começa a se questionar: o que muda, efetivamente? Qual o papel do psicólogo nisso tudo?

A primeira mudança efetiva é a quebra do estigma de doença, isso a gente não pode ignorar aqui. E sobre essa questão é importante pontuar que existem ressalvas, afinal de contas saiu da lista de transtornos mentais e entrou na lista de condições relativas à saúde sexual (podemos debater em um outro momento) e a gente precisa lembrar que vivemos em uma sociedade muito, muito transfóbica.

Falando de mudanças efetivas no trabalho dos profissionais de psicologia…Bom, nada muda. Isso pode soar muito ruim para nós, enquanto comunidade, mas eu vou explicar os motivos. Primeiro deles é: o Conselho Federal de Psicologia já tinha uma postura que contrária a patologização de identidades trans e travestis. Inclusive, o mesmo tem uma campanha voltada a despatologização de nossas identidades.

Em janeiro desse ano, o Conselho Federal de Psicologia lançou uma resolução, que eu já falei um pouco sobre aqui (para casos de transfobia), orientando os profissionais para a realização de atendimento de pessoas transexuais e travestis e nesse documento eles consideram, e eu cito “as expressões e identidades de gênero como possibilidades da existência humana, as quais não devem ser compreendidas como psicopatologias, transtornos mentais, desvios e/ou inadequações”

Sobre o acompanhamento terapêutico de dois anos estabelecido pelo SUS, até agora, a portaria permanece a mesma. Mas precisamos entender que a importância do acompanhamento terapêutico não está no fato de em algum momento ter sido considerado doença e sim, por ser uma situação de muitas mudanças significativas na vida da pessoa e possíveis violências que podem deixar marcas por uma vida toda. O papel do profissional nesse momento de transição é acolher a pessoa na sua singularidade e propiciar um ambiente seguro e sem julgamentos. E esse papel cabe tanto para pessoas trans como para pessoas cis.

Pensando especificamente na população de pessoas trans e travestis, acredito que para que isso aconteça é importante que o profissional compreenda questões básicas enfrentadas por nós diariamente (estudem, psis!). Saúde mental é direito, não esqueçam disso.

Thomaz
Thomaz Oliveira responde as perguntas dos nossos leitores e leitoras

Thomaz Oliveira, psicólogo (CRP 06/145487)
É formado pela Universidade Paulista e realiza atendimento clínico para adolescentes, adultos e idosos sob a ótica psicanalista. Também realiza palestras sobre diversidade sexual e de gênero, e é colunista do NLUCON, respondendo perguntas e dúvidas dos leitores e fortalecendo a relação entre a Psicologia clínica e a população trans e travestis. 

Contatos Thomaz:
Celular: (13) 99710-0882
thomaz.psicologia@gmail.com
fb/insta: @thomaz.psicologia

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.