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Eleitoras/es trans e travestis revelam por qual motivo votam em Marina Silva

marina silva

Nas eleições que ocorrem neste domingo (07), a candidata à Presidência da República Marina Silva, da Rede Sustentabilidade, é a única mulher que vem participando dos debates e tendo visibilidade nestas eleições. A outra mulher é Vera, do PSTU.

Isso se dá porque a candidata pontua nas intenções de voto, apesar dos números de eleitores e eleitoras que declararam votar nela tenham diminuído.  Segundo o DataFolha, Marina chegou a ter 16% nas intenções de voto em agosto deste ano. Hoje, está com 4.

Nestas eleições, Marina aparece como opções de leitores que não querem votar com “medo” ou com “raiva”, como ela mesma atribui ao antibolsonarismo e ao antipetismo. E diferente de outras eleições, incluiu em seu plano de governo a luta pelos direitos da população LGFBT, sem recuar como fez em 2014.

Hoje Marina diz que presidente tem que governar sem excluir mulher, negro indígena e a população LGBT. Por conta de seus posicionamentos – incluindo dentro de espaços religiosos e conservadores – vem atraindo parte da população trans como seu eleitorado. Confira os discursos:

* Vale dizer que trouxemos eleitores e eleitoras trans respondendo por qual motivo votarão em Fernando Haddad (PT), Ciro Gomes (PDT) e Guilherme Boulos (PSOL). Não encontramos pessoas suficientes ou que quisessem responder por que votariam em Geraldo Alckmin (PSDB), Alvaro Dias (PODE), Cabo Daciolo (PATRI), Eymael DC), Henrique Meirelles (MDB), Jair Bolsonaro (PSL), João Amoêdo (NOVO), João Goulart Filho (PPL) ou Vera (PSTU).


Júlio Henrique,
28 anos, professor de inglês

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Por que escolheu a Marina Silva?

Eu escolhi a Marina, a princípio, numa tentativa de voto estratégico, pois ela tinha mais chance na época (risos).  Acho o programa dela bom, ainda que não concorde com absolutamente tudo.

– Algumas pessoas dizem que votar nela seria desperdiçar voto, uma vez que ela está cada vez mais distante do primeiro lugar. O que pensa sobre isso?

Penso que é uma pena que a mídia hegemônica e a forma como se faz campanha eleitoral no Brasil acabem por criar ‘polarização’ (não de ideologia, porque não temos representação de extrema-esquerda, mas no sentido de bater sempre nas mesmas teclas e criar uma narrativa ‘a ser derrotada’ de ambos os lados), quase sempre possibilitando que candidatos de partidos pequenos fiquem quase que a margem do debate. Acho que precisamos aprender a votar melhor no primeiro turno. Mas agora a situação já está caótica demais pra pensar assim, talvez…

– O que tem chamado a sua atenção positivamente durante a campanha dela? Seja em propostas ou posicionamento?

Considerando que as campanhas são marcadas por provocações baixas, eu acho que a Marina se mantém inabalável na defesa de suas pautas principais – sustentabilidade e foco na educação básica. Ela não mente para agradar ninguém, apesar de ter elegido pautas que não tem popularidade nenhuma. Isso desagrada de ambos os lados, porque pensam nela como a pessoa mais em cima do muro do mundo. Mas ser ponderado, num cenário assim, não apenas me parece mais sensato (não existe como governar sozinho), mas mais democrático também – e convenhamos, deveríamos focar mais em fortalecer a nossa democracia, não pensando apenas nas instituições públicas, mas numa cultura mais aberta ao diálogo e a pluralidade de pensamento.

– Nas eleições passadas, Marina chegou e incluir em seu plano de governo diversas propostas à população LGBT, mas depois tirou devido à pressão conservadora. Hoje, ela voltou a incluir os direitos da população LGBT. Você não teme que ela mude de opinião de novo?

Não acho que a mudança em relação as pautas LGBTTs tenha sido em função de uma opinião pessoal dela, mas de posicionamento estratégico. O conservadorismo, que já esteve mais velado, voltou a se mostrar especialmente dentro do meio evangélico. Marina apostou em negociar, no meio da campanha, e acabou levando a pior dos dois lados (pra cristãos fundamentalistas ela é “pró-aborto” só por ter um discurso de acolhimento das mulheres que passam pela situação – e pro resto do mundo ela é uma senhorinha evangélica ultraconservadora. Acho que ela é o que realmente parece ser: alguém que se preocupa mais com a realidade de como a coisa funciona do que em passar projetos e leis que façam parte da militância vibrar, sem se preocupar se só isso dá conta de resolver o problema.

– Você acha que ela trará benefícios para a população trans e travesti? Por qual motivo?

Sim, acho que o maior perigo que vivemos é a volta de um período de autoritarismo e repressão. Para mim, a Marina simboliza o contrário disso. É alguém que está aberta a dialogar e construir um futuro onde não estejamos presentes apenas na hora do escrever ‘lgbt’ no panfleto.


 Amine
Mestre em biologia, professora e pesquisadora

amine

– Por qual motivo escolheu a Marina?

Escolhi a Marina porque entre todos os candidatos ela foi a que me mostrou uma postura menos extremista. Eu não acho uma boa ideia votar em extremos, seja direita ou esquerda. E tanto nessa quanto nas eleições passadas ela manteve essa postura. A Marina tem ótimas propostas voltadas para o meio ambiente, sendo que as dos demais candidatos são fracas ou inexistentes. Eu, enquanto bióloga, me preocupo muito com essa questão, ainda mais se tratando da Amazônia que é a minha casa e o local de trabalho. Não quero entregar sem poder fazer nada na mão de outros países que eu sei que só vem explorar e mais nada. Ela tem propostas para fiscalizar e unir preservação e progresso.

– Algumas pessoas dizem que não votarão nela, porque ela seria “fraca demais” para enfrentar os leões e cobras da política no cenário de guerra em que estamos vivendo. É um pensamento machista? O que pensa a respeito disso?

Acho a forma que tratam ela muito escrota, machista, pela aparência. Ela tem um plano de governo muito bom, excelente e, ao contrário do que dizem, ela tem muito pulso firme para governar sim. Como não tem como atacar as ideias delas, eles falam de sua aparência, o que acho muito escroto. O posicionamento e as propostas dela tem me chamado atenção. É uma pacificadora e nesse momento em que estamos vivendo precisamos de alguém que pacifique os ânimos e não exaltem.

– Nas eleições passadas, Marina chegou e incluir em seu plano de governo diversas propostas à população LGBT, mas depois tirou devido à pressão conservadora. Hoje, ela voltou a incluir os direitos da população LGBT. Você não teme que ela mude de opinião de novo?

Nas eleições passadas ela buscou apoio dos evangélicos, e cometeu o deslize de retirar de sua campanha o apoio aos LGBT. Na época fiquei revoltada, mas caso ela tivesse ganhado ela teria sim feito algo pela comunidade, acredito que ela não fará esse erro novamente.

– Acha que ela poderá fazer algo pela população trans e travesti?

Acredito que ela se mostrará aberta ao diálogo e sim poderá apoiar causas importantes para nossa população, ela é muito aberta ao diálogo e não é intolerante ao ponto de misturar a religião dela com a política que ela faz. Acredito muito no potencial dela e do vice Eduardo, ambos são abertos ao diálogo e tenho certeza, caso ganhem, vão fazer muito pelo país e por todos.


Léo Barbosa
Militante e estudante de Direito

Leo Barbosa

– Por que votará em Marina?

Estamos em uma luta muito louca contra o mal assumido e o mal disfarçado. Um a gente sabe perfeitamente quem é, e os outros… Eu tinha me decidido pelo Ciro, pela capacidade dele e com muitas reservas por quem ele é e quem ele é no Ceará. Mas aí ele colocou uma motosserra (a vice Kátia Abreu) que cortou nossa relação. A mulher é uma sociopata e vai acabar exterminando o povo nativo do Brasil. E como exterminar pouco é bobagem, ela quer liberar mais agrotóxicos e envenenar a população inteira. Já consumimos 7,1/2 litros de veneno por ano. Ela está achando pouco. Eu sou uma minoria e, se eu não cuidar das minorias, eu serei muito incoerente.

– Dizem que votar em Marina é jogar o voto fora porque ela não terá chances. O que pensa disso?

Acho essas estratégias muito doidas. Os Ciristas dizem que amam o Ciro, mas vão votar no Haddad porque o Ciro não tem chance e vários outros invertem os papéis. O que não entendem é que se cada um votasse no seu, era capaz de nem ter Bolsobosta no segundo turno.

 – Nas eleições passadas, Marina chegou e incluir em seu plano de governo diversas propostas à população LGBT, mas depois tirou devido à pressão conservadora. Hoje, ela voltou a incluir os direitos da população LGBT. Você não teme que ela mude de opinião de novo?

Marina na eleição passada cometeu o ERRO de fazer alianças com fundamentalistas, que inclusive, mandavam nela pelo apoio. Essa eleição ela não fez isso e está se mostrando bem diferente daquela mulher de 2014. E para melhorar o discurso dela é bem honesto. Não tem enganação. E não temo que ela mude de opinião, porque ela não fez acordos. Se tivesse feito, iria ter que analisar essas alianças políticas.

– Acha que ela fará algo pela população trans?

Ela está indo por uma boa diretriz. Se eu não votar nela porque ela é evangélica estarei indo por um preconceito imputando a ela uma má fé que ela nem praticou. Não vi ela declarando desigualdade as pessoas LGBTI, muito pelo contrário, ela tá o tempo todo falando em igualdades. Eu tenho uma mãe evangélica, então eu sei que nem todos são iguais, assim como tem gente mau caráter no meio LGBT, mas nem por isso todos são.


Giowana Cambrone
Advogada com atuação em direito civil, público, sindical e coletivo. Professora. Ativista de DH. É a primeira mulher transexual a atuar na Coordenação da Rede. Também é candidata a deputada federal pela Rede.

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Por que a Marina Silva?

Marina Silva é uma política comprometida com a ética e sustentabilidade. Em toda a sua vida pública prezou pelo bem do país e com a população brasileiro defendendo a democracia e o espirito republicano. Como candidata à presidência ela apresenta o melhor programa de governo. E diante da polarização entre os candidatos do  PT e o do PSL e a enorme rejeição que ambos tem Marina seria a pessoa capaz de fazer esse governo de transição pelo sua capacidade conciliadora e força moral

– Algumas pessoas dizem que não votarão nela, porque ela seria “fraca demais” para enfrentar os leões e cobras da política no cenário de guerra em que estamos vivendo. É um pensamento machista? O que pensa a respeito disso?

Isso é engraçado, porque na falta do que falar de Marina a desqualificam atribuindo fraqueza as suas características físicas ou o exercício da sua fé. Claro que isso reproduz formas de preconceito! Uma mulher que tem a história de vida e de luta como ela não é fraca. Da luta nos seringais à presidência, por trás de uma figura física frágil reside uma força  moral que nenhum dos postulantes ao cargo tem.

– Nas eleições passadas, Marina chegou e incluir em seu plano de governo diversas propostas à população LGBT, mas depois tirou devido à pressão conservadora. Hoje, ela voltou a incluir os direitos da população LGBT. Você não teme que ela mude de opinião de novo?

Não foi bem assim. Houve um equivoco publicação do programa que foi pensado como proposta para candidatura do Eduardo Campos, que com sua morte foi assumida pela Marina. O eixo sobre direitos LGBT permaneceu no programa de Marina, o que alterou nessa mudança de conjuntura foram alguns termos, mais especificamente sobre casamento porque era algo já decidido pelo STF.

– O que tem chamado a sua atenção positivamente durante a campanha dela? Seja em propostas ou posicionamento?

É uma campanha franciscana e propositiva. Com um programa de governo com propostas reais que efetivam políticas públicas importantes e tratados como compromisso de campanha. E te o Eduardo Jorge como vice! Um político maravilhoso, progressista. Num cenário de disputas de narrativa em que o medo e o ódio tem fomentado os discursos, construímos uma campanha no afeto.

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