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#VoteTrans: Erica Malunguinho, Erika Hilton e Robeyoncé Lima se elegem deputadas estaduais em SP e PE

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Erica Malunguinho: deputada estadual em SP

A votação deste domingo (07) contou com três vitórias históricas da população trans: a candidata a deputada estadual Erica Malunguinho da Silva, do PSOL-SP, e as candidaturas estaduais e coletivas envolvendo Erika Hilton (Banca Ativista), do PSOL-SP, e Robeyoncé Lima (Juntas), do PSOL-PE.

É a primeira vez que mulheres trans ou travestis conseguem vencer a votação em São Paulo e Pernambuco e garantir uma vaga na Assembleia Legislativa.

Com 99% das urnas apuradas, Erica Malunguinho recebeu 0,26% dos votos, ou seja, 55.223. Vale dizer que ela é mestra em estética e história da arte pela USP e criadora a Aparelha Luzia, espaço artístico e intelectual voltado para produções artísticas em São Paulo. Dentre suas propostas estão o turismo social em quilombos e territórios indígenas para combater o racismo, amparo a pessoas em situação de rua e acolhimento humanizado a mulheres vítimas de violência sexual.

Após o resultado, era publicou em seu Instagram uma foto com o símbolo de esquerda de religiões de matriz africana com a legenda “Laroyê”. Ela representa quem trabalha pela lei e pela justiça.

Erika Hilton, da Bancada Ativista, conseguiu somar 0,72%, ou seja, 149.844 votos. Vale dizer que se trata de uma vaga coletiva, em que Erika está ao lado de outras oito pessoas. Na urna, apareceu a imagem da jornalista Mônica Seixas, feminista, negra e ativista ambiental, e elas pretendem que o mandato tenha a participação de cada um dos membros na definição das propostas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. As propostas envolvem meio ambiente, povos indígenas, negros e negras, agroecologia e direitos humanos.

Em suas redes sociais, Erika publicou uma foto dela sozinha com a frase “Eleita. Bancada Ativista”. “Por uma real TRANSformação, por Alternância de Poder,pelo poder ao povo: Bancada Ativista”. Ela ainda usou as hashtags #blackwoman #mulheresnegrasnopoder #transvestigeneres #mulheresnegrasnapolitica #bancadaativista

Em Pernambuco, a advogada Robeyoncé Lima também venceu dentro de uma candidatura coletiva de cinco mulheres, Juntas. Elas receberam 0,87% dos votos, somando 39.175.  Quem apareceu na urna foi Jô Cavalcanti, vencedora ambulante. O mandato visa valorizar a presença da mulher na política, lutar pelos direitos das classes minoritárias, como movimento LGBT, negros, sem-teto e outros segmentos menos favorecidos.

“Passando só para avisar que o fascismo pode avançar, mas vai ter travesti, preta e de periferia com outras 4 mulheres fodas sendo codeputadas estaduais em um mandato coletivo em Pernambuco”, escreveu Robeyoncé.

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As cinco fazem parte do Juntas (Robeyoncé está à esquerda).

VOTAÇÕES EXPRESSIVAS

Além delas, diversas outras candidatas tiveram votação expressiva e, apesar de não terem conseguido se eleger, mostraram potencial em candidaturas futuras. É o caso de Duda Salabert, que pela primeira vez representou uma mulher trans na disputa do Senado pelo PSOL em Minas Gerais. Duda teve um financiamento modesto de campanha comparado a outros candidatos e conquistou 351.874 votos.

Ainda em Minas, a artivista Juhlia Santos foi votada por 4.798 pessoas para deputada estadual. E Leandrinha Du Art teve 4.462 votos para deputada federal. Ambas são do PSOL.

Em São Paulo, a cantora Renata Peron conquistou 13.220 votos (0,06%) para deputada federal pelo PSOL. A professora e pastora Alexya Salvador, que concorria a deputada estadual pelo PSOL, teve 10.486. Já Hailey Kass, também do PSOL, conseguiu 6.176 para deputada estadual.

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Duda concorreu ao Senado

No Ceará, as três candidatas trans a deputada federal tiveram acima de 2 mil votos. Silvinha, do PCdoB, conquistou 2.239 votos. Andrea Rossati, do PPS, com 2.028. E Helena Vieira, do PSOL, foi que superou: 7.305.

Em Pernambuco, Amanda Palha fez bonito em sua estreia na política e teve uma votação expressiva: 12.026 votos (0,28%) para deputada federal.

No Rio de Janeiro, diversas candidatas mostraram potencialidade para próximas eleições. Daniele Balbi, candidata a deputada estadual pelo PCdoB, conquistou 10.349 votos (0,13%). Candidata a deputada estadual pelo PSOL, Bárbara Aires teve 3.417 votos (0,04%). A professora Jaqueline de Jesus, do PT, levou 2.271 votos (0,03%). Loren Du Buá, deputada estadual do MDB, somou 2.224 votos (0,03%). Já Giowana Cambrone, candidata a deputada federal pela Rede, teve 1.119 votos (0,02%).

No Sergipe, Linda Brasil mostrou que seu trabalho na militância tem surtido efeito e chegou perto de se eleger. Ela concorria a deputada estadual pelo PSOL e recebeu 10.107 votos, o que representa quase 1% dos votos totais (0,93%).

Por fim, em Santa Catarina, Mariana Franco foi a candidata trans com votos mais expressivos: 2.303, 0,06%.

HOMEM TRANS

Cristian Lins foi o único candidato assumidamente homem trans a concorrer nessas eleições. Ele foi candidato a deputado estadual pelo Partidos dos Trabalhadores (PT) no Rio de Janeiro. Recebeu apenas 689 votos, o que representa 0,01%, não conseguindo se eleger. Mas ganhou ao participar do processo e mostrar que a representatividade é importante.

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AS FAMOSAS

Algumas candidatas bastante conhecidas do grande público também participaram da eleição aos cargos de deputadas federais, tiveram visibilidade, votos expressivos, mas não o suficiente para se elegerem.

É o caso de Tifanny Abreu, a primeira mulher transexual a jogar em uma equipe profissional de vôlei. Ela esteve candidata a deputada federal em São Paulo, mas os 3.889 votos não foram suficientes para levá-la elegê-la. Uma das críticas envolveram a escolha do partido MDB – o partido de Michel Temer – que ela teve que se explicar diversas vezes.

A artista e jornalista Leonora Áquila voltou a concorrer a deputada federal pelo PHS em São Paulo. Em uma campanha mais modesta – ela justificou que o momento não é de sujar as ruas com santinhos e de crise, que impossibilitou grandes investimentos – ela conseguiu atrair fieis 6.591 votos (0,03%).

Na Bahia, a dançarina Leo Kret foi a única candidata trans, mas não conseguiu se reeleger. No partido DEM – que foi bastante criticado por quem gostaria de votar nela – Leo somou 3.230 votos (0,05%).

A LUTA CONTINUA

Com o conservadorismo invadindo fortemente a política e ameaçando os direitos das populações mais discriminadas, é importante ver cada vez mais a presença de pessoas trans e travestis dentro da política partidária e lutando em prol dos direitos humanos. Das mais de 50 candidatas/o trans de todo o Brasil, três conseguiram estourar a bolha e se eleger pela primeira vez. Todas e todos merecem aplausos para que a resistência continue.

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