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Ex-Rainha de Bateria cis, Sandy Salum sofre agressão ao ser lida como uma travesti em Manaus

agressão

A transfobia é um problema tão sério e grande que vem afetando, não somente as pessoas trans e travestis e seus amigos e familiares, mas também as pessoas cis que possuem características que podem ser atribuídas à população trans. Prova disso é que nessa sexta-feira (12) Sandy Salum, uma mulher cis, sofreu agressão verbal e física após ser lida com uma travesti por um homem em Manaus.

Segundo Sandy, a agressão ocorreu logo após sair de um show por volta das 6h da manhã. Um homem cis acreditou que ela fosse uma travesti e, só por isso, começou a ofendê-la, chamando de “escória da humanidade, travesti do caralho e puta”. Sandy foi empurrada no chão e, revoltada com a agressão gratuita e preconceituosa, tentou revidar. A violência foi filmada por um homem que pareceu se divertir com o momento e dizer “é marido e mulher”.

A vítima, que é empresária e chef de cozinha, é conhecida em Manaus por ser ex-rainha de bateria da Escola A Grande Família, da Balaku Blaku e ser Musa da escola de samba Aparecida em 2017. Recentemente ela participou do reality show Peladão A Bordo, da TV A Crítica.

Nas redes sociais, a vítima desabafou: “Eu vou falar a verdade para vocês, ele me xingou, me empurrou no chão e saiu correndo para o táxi. Eu cheguei e puxei ele do carro, chutei, bati nas partes íntimas e o soquei. Homens me defenderam e depois dele me bater, ele apanhou de mim: uma mulher, mãe de dois filhos adolescentes”.

Sandy declara que está muito abalada com a situação e mostrou os vários machucados que carrega no corpo após o episódio. “Eu não sei se dói mais no físico ou no psicológico, porque sei que isso acontece com outras pessoas. Eu sou mãe, tenho dois filhos e, se acontece comigo, que sou mulher (cis), imagine com meus amigos gays e amigos trans, deve ser muito pior. Intolerância não, intolerância jamais”, frisou.

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Agressor tentou fugir dentro do taxi

Ela registrou um boletim de ocorrência no sábado (13) no 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP). O agressor não foi localizado até o momento. “Uma coisa dessas não pode ficar impune, mesmo eu sendo uma mulher ou uma travesti. E se eu fosse uma travesti? Ninguém tem o direito de encostar em ninguém só porque este é diferente”, afirmou.

TRANSFOBIA MATA

No país que mais mata travestis (em números totais, segundo a organização internacional Transgender Europe), esta não é a primeira vez que mulheres cis são vítimas de agressões ao serem lidas como travestis ou mulheres trans.

Dentre os casos de maior repercussão está o da comissária de bordo Geilsa da Mota, que em 2011 foi agredida por dois homens em Aracaju, após ela sair de uma boate. Confundida com uma travesti, ela precisou fingir que estava morta para conseguir sobreviver das agressões.

Sandy diz que, se fosse de fato uma travesti, não teria contado com o apoio das demais pessoas. “Com certeza não fariam nada, ficariam rindo da situação. Isso me abalou muito. O joelho ralado não é nada, estou perplexa com o nível que o ser humano chega, de repente e do nada”, disse.

Que ela seja amparada, assim como devem ser amparadas todas as vítimas de transfobia, e que seu agressor responda pelo crime que cometeu.

Assista aos vídeos:

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Vale dizer que, no desabafo, Sandy trata as travestis no masculino (diz “os” travestis) e atribui o preconceito que sofreu ao dos homens cis gays, um desrespeito a identidade de gênero do grupo. Diante disso é preciso lembrar: trate sempre as travestis com artigos e pronomes femininos, afinal são pessoas que se identificam com o gênero feminino e que merecem ser respeitadas como tal.

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