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Ativista travesti Marcella Alves Monteiro é vítima de fake news de eleitor de Bolsonaro e registra B.O.

marcella monteiro

A ativista travesti Marcella Alves Monteiro foi surpreendida na última sexta-feira (12) com uma fake news (notícia falsa) envolvendo o seu nome, a falsa informação de que teria desrespeitado símbolos religiosos na Parada do Orgulho LGBT de São Paulo e uma foto que tirou com o candidato a presidente do Brasil, Fernando Haddad (PT). Ela registrou um boletim de ocorrência por calúnia.

Na montagem divulgada pelo perfil de Jean Houat, que é declaradamente eleitor de Jair Bolsonaro (PSL), Marcella é referida equivocadamente como “o travesti (sic) que cagou na imagem de Jesus e quebrou as imagens dos santos católicos na Avenida Paulista em São Paulo, na Parada Gay de 2016”. Ele escreve: “Você cristão, não caia nessa. Vote Bolsonaro”.

Marcella é uma conhecida e respeitada ativista em prol dos direitos das travestis, transexuais e da população negra de São Paulo. É representante paulista do FONATRANS. Sua luta sempre foi marcada em prol de igualdade, direitos, vida e respeito, inclusive de todas as religiões. Nunca realizou as práticas mencionadas pela fake news e nenhum tipo de prática que desrespeitasse símbolos religiosos.

“Fiquei sabendo dessa fake news por meio do primo de um amigo, que disse: ‘Estão zoando a sua amiga’. Ele viu e me mandou. Na hora senti medo e raiva. Já imaginei um monte de acusações indevidas e senti medo porque tudo pode acontecer. Hoje houve um assassinato de uma travesti no Largo do Arouche. Eu moro na periferia. Imagina se um louco resolve me agredir ou até me matar por causa de uma mentira?”, declara ao NLUCON.

OS FATOS

Diferente do que o texto da imagem diz, na Parada do Orgulho LGBT de São Paulo de 2016, a ativista esteve na manifestação com a faixa Diva Trans Zona Sul – São Paulo, sorrindo e tirando fotos com o público – conforme pode ver as fotos de seu perfil pessoal no Facebook.

Naquele ano não foi registrada nenhuma prática ou manifestação que pudesse ser referida à fake news. Aliás, em nenhuma edição da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo ou do Brasil, algum manifestante defecou na imagem de Jesus Cristo ou quebrou imagens de santos. É fake.

Quanto a foto de Marcella com o presidenciável, ela foi tirada durante a formatura da ativista do programa Transcidadania, promovido por Haddad quando era prefeito de São Paulo em 2016. O programa levava as travestis e pessoas trans que haviam abandonado os estudos pelo preconceito de volta à escola com uma bolsa auxílio. Marcella dançou uma valsa com o Haddad.

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Marcella dança valsa com Fernando Haddad em sua formatura

BOLETIM DE OCORRÊNCIA POR CALÚNIA

Desde a última sexta-feira, Marcella vem contando com o apoio de ativistas, amigos e conhecidos. Ela diz que eles ajudaram a denunciar a postagem e o perfil no Facebook e a abrigaram para que não sofresse violência.

Temendo ataques e represálias pela fake news, ela também registrou na segunda-feira (15) um boletim de ocorrência por calúnia (art. 138) na Divisão de Proteção à Pessoa / DHPP, em São Paulo.

“Fiz um boletim pelo Decradi – Delegacia De Crimes Raciais E Delitos De Intolerância – em São Paulo, e eles instauraram um inquérito. Vão acionar o responsável no Pará”, declarou.

Por enquanto, a imagem que conta com mais de 62 mil compartilhamentos, quase duas mil reações e comentários como “ainda sou a favor da intervenção militar” e “Bolsonaro 2018”, continua no ar.

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Marcella registra B.O no DECRADI, com Adriana da Silva e Fernanda Nigro

O QUE FAZER QUANDO FOR ALVO DE FAKE NEWS?

Nestas eleições, uma enxurrada de fake news tem sido compartilhadas e norteando a decisão de muitos eleitores. Muitas delas trazem à tona mentiras pautadas na LGBTfobia social, bem como imagem manipulada de que a vice Manuela d’Ávila (PCdoB) estava com uma camiseta “Jesus é Travesti”, menções à falaciosa “ideologia de gênero” e vídeos falando sobre o combate ao “kit gay”.

Marcella afirma que é absurda a quantidade de fake news presentes nas redes sociais. “Ela está atingindo pessoas que não deveriam ser atingidas, se tornou uma guerra de egos, ao invés de um debate político entre candidatos falando sobre suas propostas. Que as fake news sejam combatidas e que os responsáveis paguem pelo que estão fazendo”, lamenta ela, que afirma que todas as pessoas afetadas devem denunciar.

Ao NLUCON, o advogado Marcel Jeronymo, que é Coordenador de Atendimento Jurídico do Grupo Dignidade, declara que situações de fake news devem ser encaradas de modo sério e que todas as pessoas devem ter cuidado o que publica nas redes sociais, checando sempre os fatos, as fontes e a procedência da informação com antecedência.

“Se você for vitima de uma situação dessa, pode buscar se cercar do que a justiça garante para você: Direito a intimidade, respeito a imagem e reparação por danos. Nesse contexto, as fake news devem ser compreendidas dentro do contexto dos crimes contra a honra, mais conhecidos como os crimes de injúria, calúnia e difamação. Assim, quando a pessoa for vítima de divulgação de notícias falsas, deve registar a situação na delegacia. Paralelo a isto, a vítima pode ainda processar quem divulgou a notícia falsa pedindo indenização por danos morais”, afirmou.

Saiba como identificar uma fake news:

Eleições-2018-Como-identificar-Fake-News-divulgação-TwitterSenado

 

Um comentário em “Ativista travesti Marcella Alves Monteiro é vítima de fake news de eleitor de Bolsonaro e registra B.O. Deixe um comentário

  1. Achei um absurdo quandro fiquei sabendo do ocorrido com Marcella . TDS do meio lgbt conhecem sua índole. Certíssima não podemos deixar isso acontecer

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