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Homem trans Felipe Iglesias revela por qual motivo mudou voto de Bolsonaro para Haddad

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No início dessas eleições, o segurança de eventos Felipe Iglesias de Souza, homem trans 28 anos, fazia parte de um pequeno e questionado grupo: o das pessoas LGBT que diziam votar em Jair Bolsonaro (PSL), o candidato que ao longo de sua carreira como parlamentar mais lutou contra os direitos da população LGBT.

Antes das votações do primeiro turno, Felipe teve alguns confrontos nas redes sociais, foi exposto, dialogou, mudou o seu voto e, hoje, ostenta em seu perfil um filtro de apoio a Fernando Haddad (PT). A mudança pegou muita gente de surpresa.

Felipe afirma que é de uma família religiosa de Lavras, Minas Gerais, em que todos votam em Bolsonaro, e que só passou a se interessar em política nesse ano. Para ele, inicialmente, Bolsonaro parecia ser um bom presidente para combater a violência, crimes de estupradores e por ser anti-PT. Os discursos contra as pessoas LGBT até o incomodavam, mas ele admite que “estava sendo levado pelo anti-petismo”.

Assim que divulgou o apoio a Bolsonaro nas redes sociais, passou a ser questionado por amigos e pessoas da comunidade LGBT. “Muita gente foi dialogar comigo, me mandavam matérias e eu passei a pesquisar. Não sabia que ele apoiava tortura, a ditadura e que se empenhava tanto em lutar contra os nossos direitos. Fui percebendo o perigo que ele representa para nós”, afirmou.

Dentre aquilo que viu e que mais o surpreendeu, está a assinatura de um compromisso para proibir o casamento LGBT e falar que não pode fazer nada em relação às agressões que os eleitores dele fazem contra LGBT, mulheres e negros que votam em outro candidato. Há diversos ataques promovidos por eleitores de Bolsonaro espalhados por todos os Brasil, como o assassinato do mestre de capoeira Moa do Katendê por motivação política, na Bahia.

Felipe chegou a ter diversas brigas e chegou a ser exposto em páginas voltadas para a população trans. Apesar das ameaças e xingamentos que recebeu, essa exposição o ajudou a refletir e a mudar o seu voto. “Pude entender o motivo de tantos não apoiarem ele. Bolsonaro, para mim, era como se fosse um exemplo por ser cristão, e eu também sou cristão, mas quando fui ver o que ele fala, o ódio, as falas dos vídeos, percebi que não era o candidato correto”.

Sendo assim, a mudança de voto ocorreu pouco antes do primeiro turno. “Tanto que não votei nele. Votei no Ciro (Gomes, PDT). Abri o olho a tempo”.

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“Consegui abrir meus olhos antes do primeiro turno”

MUDANÇA

Após mudar de voto e rever suas opiniões sobre Bolsonaro, Felipe afirma que foi um processo expor sua decisão nas redes sociais. A vergonha de assumir publicamente o novo candidato, admitir o erro e se posicionar contra o que havia defendido anteriormente existiu, mas ele não teve medo.

“No começo senti vergonha, porque sabia que muitos iam julgar, mas achei o certo a fazer. Pedir desculpas e rever o posicionamento não é vergonha. É coragem e também humildade de admitir o erro. Sei que o meu voto estava ofendendo a muitos com razão”, diz.

Aliás, ele afirma que teme que a violência aumente ainda mais. “O preconceito de muitos estava escondido. A fala do Bolsonaro fez despertar nas pessoas esse ódio e esse preconceito. Se Bolsonaro ganhar, a violência vai aumentar”.

Felipe diz ainda que, ao saber das propostas rasas de Bolsonaro, ao ignorar os ataques de seus eleitores e por ele não querer ir ao debate, confirma cada vez mais o seu voto no adversário. “O fato dele não ir aos debates não passa de uma forma de ganhar votos sem debater. Ele não vai em debates, mas aparece em outras emissoras, dando entrevistas? Isso é marketing para enganar eleitores e levar para o lado dele”.

HADDAD E MANU

Neste segundo turno , Felipe é eleitor Fernando Haddad e Manuela D’Ávilla (PCdoB). “Não gosto do PT, mas a questão é não deixar que firam a nossa existência e lutar pelos direitos que Bolsonaro quer tirar. Ele votou contra todos os direitos das empregadas domésticas, irá acabar com os direitos dos trabalhadores e o de nós, trans, com certeza. Deixaremos de ter direito a atendimentos, mudança de nome, cirurgia…”.

Apesar de seu anti-petismo, ele admite que Haddad e Manuela apresentam propostas para a população LGBT e que é a melhor opção nesse momento. “Eles lutam por nós, a Manu divulgou as várias propostas que tem para nós. Então fico muito mais confortável em votar nele”, declara.

Ele acrescenta que não é vergonha nenhuma rever o posicionamento e mudar o voto. “Tenho certeza que muita gente está com essa sensação de querer mudar o voto, diante da ameaça em que estamos nos sujeitando. Mas não tenha medo ou vergonha. Ainda dá tempo”. A votação será no dia 28 de outubro.

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