Professora Jaqueline Gomes de Jesus sofre agressão no Rio de Janeiro: “Agressor vestia boné verde e amarelo”

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A psicóloga, pesquisadora e professora do IFRJ Jaqueline Gomes de Jesus sofreu uma agressão na última quinta-feira (11), na região da Cinelândia, no Rio de Janeiro. Ela acredita que a violência possa ser motivada por cunho político, uma vez que foi candidata a deputada estadual pelo PT-RJ e uma das 52 travestis e mulheres trans que concorreram às eleições.

Ela registrou uma queixa por meio de um Comunicado de Ocorrência na Delegacia Online da Polícia Civil do Rio de Janeiro

Segundo Jaqueline, ela estava atravessando a Rua Evaristo da Veiga quando foi atingida por uma cotovelada violenta de um homem. Ela se desequilibrou e foi socorrida por duas pessoas que trabalhavam em uma banca de jornal. O agressor era um homem branco, usava boné verde e amarelo do Brasil e camisa da seleção brasileira.

“Enquanto eu me recuperava da dor e do susto, o senhor que me socorreu foi em direção ao homem perguntar porque tinha feito aquilo. O homem nada respondeu e seguiu seu caminho, sob olhares assustados de frequentadores do bar ao lado”, descreveu Jaqueline em suas redes sociais. Ela foi embora de taxi depois de tomar um medicamento.

Em casa, percebeu que o local atingido estava com vermelhidão e continuava doendo. Amigos e militantes refletiram que a agressão não foi um incidente, mas intencional. A professora havia acabado de concorrer a deputada estadual pelo PT-RJ, ganhou visibilidade na mídia em prol dos discursos dos direitos das mulheres, população negra e LGBTI e sofreu ataques durante a campanha.

“Esta área da cidade é uma onde atuei prioritariamente e onde meu rosto pode ter ficado mais conhecido, assim como meus discursos incisivos na defesa das mulheres, da população negra e LGBTI. Além disso, meus perfis nas redes sociais tiveram alcance de centenas de milhares de pessoas e essas páginas permanecem sob ataque sistemático de perfis conservadores bastante agressivos, agindo em massa e de forma coordenada com injúrias, xingamentos e práticas explícitas de transfobia e racismo contra mim, a militância com quem ajo e as população que defendo”, declara.

Nessa agressão física, ela declara que acredita que o agressor é eleitor do candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL), conhecido ao longo de sua trajetória por ser contra os direitos da população LGBT. “A conexão imediata que fazemos é que a descrição do agressor que me atingiu gratuitamente e silenciosamente na rua traz consigo os signos que os eleitores do candidato Jair Bolsonaro têm costumado utilizar. Além de ser óbvia a vulnerabilidade do meu corpo transvestigênere pelas ruas, despertando o ódio daqueles que nesse momento querem restringir as liberdades individuais e coletivas”, afirma.

No segundo turno das eleições presidenciais, mais de 50 ataques foram realizados por apoiadores de Bolsonaro contra eleitores do adversário, Fernando Haddad (PT). Dentre eles, está o assassinato da travesti Priscila, em São Paulo, cujas testemunhas alegam que o agressor gritava o nome de Bolsonaro. E de Laysa Fortuna, que foi assassinada a facadas em Aracaju, Sergipe, também por um homem que dizia que, se Bolsonaro vencer, mataria todas as travestis e mulheres transexuais. O candidato diz que não se responsabiliza pelas ações de seus apoiadores.

“Publicizo esse incidente, tendo em vista o momento de agressões sistemáticas que eleitores de HADDAD 13 têm sofrido em todo o Brasil, especialmente mulheres, negros e LGBTI’s. Fascistas não passarão!”, defende a professora.

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