Wyllys, Freixo e outros políticos repercutem despedida de João W. Nery: “Referência de luta”

jean wyllys

Diversos políticos fizeram homenagem à memória do psicólogo, escritor e militante trans pioneiro João W. Nery. Ele morreu nessa sexta-feira (26) aos 68 anos, no Rio de Janeiro, vítima de câncer. Os relatos destacam a referência de João na luta pelos direitos humanos, sobretudo dos homens trans.

+ Morre aos 68 anos João W. Nery, pioneiro no movimento de homens trans

Marcelo Freixo (PSOL), deputado federal com a segunda maior votação no Rio de Janeiro e a nona no país, declarou que soube com tristeza da morte de João e destacou a importância do escritor na luta pelos direitos humanos.

“É com tristeza que soubemos hoje do falecimento do psicólogo, escritor e militante trans João Nery! Grande referência para a luta LGBT, fará muita falta – principalmente em tempos de tanta intolerância. Por seu legado, e sua memória, seguiremos. João Nery, presente”, escreveu.

Sâmia Bomfim (PSOL), que foi eleita deputada federal por São Paulo, fez uma postagem em que menciona a morte e diz que João é pioneiro na luta em defesa dos direitos e da visibilidade da população trans no Brasil.

“Seu empenho e determinação para que fosse respeitada em lei a garantia da identificação de travestis e transexuais de acordo com sua identidade de gênero entrou para a história. Nossa solidariedade às pessoas do convívio de João Nery, suas amigas, amigos e toda a comunidade trans. João Nery presente”, concluiu.

Primeiro vereador assumidamente LGBT do Rio de Janeiro, David Miranda (PSOL) lamentou a morte de João e destacou momentos de sua trajetória, que atravessou um período de absoluta invisibilidade das identidades trans, narrada no livro Viagem Solitária, Ele destacou que João, depois de viver grande parte da vida sem citar que era homem trans, entendeu a importância de se afirmar trans homem, incentivar que outros homens trans lutem pela identidade e até realizar um mapeamento.

“Não perdemos apenas um homem trans militante e ativista, mas uma referência para muitos meninos trans, que dada importância o consideravam como um pai. Descanse em paz, guerreiro. Continuaremos a luta daqui”, escreveu David.

marcelo freixo
Marcelo Freixo e João W. Nery

Deputada federal pelo PT do Rio Grande do Sul, Maria do Rosário deixou palavras sobre João: “uma vida intensa pelo direito de ser ele próprio. O primeiro homem transexual no Br, afirmava: “sem um nome não existimos”. João Nery faleceu hoje. Sua força se projeta na defesa de direitos de pessoas lgbts e segue viva p/resistência necessária dos dias atuais”.

Talíria Petrone, eleita deputada federal pelo PSOL-RJ, afirmou que João é “uma dessas pessoas que seguem vivas e pulsando no coração de cada um que luta pela liberdade. Obrigada por tudo”. E frisou que agora, mais do que nunca, irá lutar pela aprovação de sua lei (a PL 5002/2013, a lei de Identidade de gênero) no Congresso.

JEAN WYLLYS

O deputado Jean Wyllys, que foi eleito deputado federal no Rio de Janeiro, declarou que foi um privilégio ter conhecido João, receber o afeto paternal e tê-lo homenageado em vida. Vale dizer que Jean é, ao lado de Erika Kokay (PT), autor da PL 5002/2013, a Lei João Nery, que visa garantir dentre outros direitos e retificação de nome e gênero pela autodeterminação. Jean disse que espera que a lei seja aprovada para fazer mais uma vez reverência ao amigo.

“Eu sinto uma tristeza muito grande! Ele era para mim como uma figura paterna, acolhedora. Havia entre nós uma empatia muito forte, similar a que tenho com meus parentes. Desde que nos conhecemos, temos mantido uma relação que vai além da afinidade entre nossos ativismos pela comunidade LGBT. Havia entre nós muito carinho”, escreveu.

Wyllys afirma que João contribuiu, por meio do pioneirismo de ser o primeiro homem trans a passar por cirurgia no país, para transformar toda maneira como a cultura de nossa sociedade percebe e aceita as pessoas trans. “Com seu trabalho intelectual, seus livros, palestras e diversas entrevistas e vídeos, ele gerou autoestima para as pessoas trans, tornando-se até analista e conselheiro de pessoas trans de todo país que lhe mandavam mensagens através das redes sociais”, conta.

Ele revela que João o convidou para escrever o prefácio de seu próximo livro, Velhice Transviada, que ainda será publicado. “Agora tenho que lidar com a tarefa de traduzir em palavras um enorme sentimento por este homem brilhante e generoso. João tinha talento, mas, sobretudo, me admirava sua vocação para devolver as outras pessoas o que ele tinha de conhecimento. Ele seguirá como uma inspiração para mim e, tenho certeza para muitos outros que enxergavam na sua bondade um símbolo do amor que há em nós LGBT’s. Eu o amava. Ele também me amava. De onde estiver será um anjo pra mim, um guardião das nossas vidas, sobretudo neste fim de semana marcado pela ameaça a nós, LGBT’s”.

CANDIDATAS TRANS

A advogada Luísa Stern, que neste ano tornou-se a primeira vereadora transexual de Porto Alegre, em uma ação afirmativa para o Dia das Mulheres, afirmou que recebeu com tristeza a notícia da morte de João, a quem chamou de “grande guerreiro e militante que serviu de exemplo para muita gente”.

“Deixo como homenagem a foto tirada no dia em que o conheci pessoalmente, na sessão de autógrafos do lançamento do livro Viagem Solitária em Porto Alegre, em 05/06/2012. Por uma dessas felizes coincidências do destino, foi no mesmo dia em que retirei a minha nova carteira de identidade, com o nome retificado. Por isso que a exibimos na foto. Um dia inesquecível, uma conquista inesquecível, um amigo inesquecível”, escreveu.

 


A professora Duda Salabert, que neste ano concorreu ao senado de Minas Gerais e que recebeu mais de 350 mil votos, disse que João foi a primeira pessoa que ouviu falar sobre transexualidade, há oito anos, em uma entrevista. “Mal sabia que o tal fascínio era na verdade o início de minha transição de gênero. Coisas do inconsciente. Obrigada, João, suas palavras regaram a semente que precisava florescer e frutificar”.

Linda Brasil, que foi candidata a deputada estadual pelo PSOL-SE e que recebeu 10.107 votos, também lamentou a perda e declarou que João “ressignificou o movimento trans no Brasil com a publicação do livro Viagem Solitária”. Ela diz que ele contribuiu para a visibilidade e emancipação dos homens trans no país.

No Rio de Janeiro, Giowana Cambrone, que foi candidata a deputada federal pela Rede, diz que “João partiu, deixando o exemplo de luta pela liberdade de ser”. “O guerreiro repousa agora da batalha contra o câncer. Ombreamos juntos em diversos espaços e tenho a felicidade de carregar na memória e no coração a lembrança de suas palavras generosas, do seu jeito afetuoso e os seus ensinamentos. Mas acima de tudo levo comigo o exemplo de quem lutou pela liberdade de ser”.

Vale dizer que além de políticos e candidatos, diversos militantes, ativistas, amigos e fãs fizeram homenagens nas redes sociais. Você confere alguns dos depoimentos clicando aqui.

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Giowana: “Compartilho com carinho esse registro que brincamos da subversão de ser quem se é para além dos códigos de expressão de gênero e usamos o batom de Verme Lho. É com alegria que lembro de ti, baluarte que tanto nos ensinou. Você foi tanto importante para tantos homens trans, tantos garotos que precisam de seu exemplo e sua coragem para serem felizes. #gratidão”

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