Ir para conteúdo

Em cartaz, filme Tamara aborda trajetória da 1ª mulher trans eleita deputada na Venezuela

tamara3

A trajetória de Tamara Adrián, a primeira mulher transexual a ser eleita deputada na Venezuela e da América Latina, virou filmes nas mãos de Elia K. Schneider. “Tamara” está em cartaz no Brasil e promete ser, mais que um filme sobre transexualidade, uma importante e sensível fonte informação sobre uma importante personagem histórica.

Na obra, Tamara é interpretada pelo ator cisgênero Luis Fernández. Eledá vida à personagem em dois momentos, uma vez que ela ainda é vista como Téo, um advogado bem-sucedido, casado, com dois filhos, que vive os questionamentos internos e externos de ser na verdade uma mulher.

Em dado momento, Tamara passa a ter contato com outras mulheres trans e travestis e decide ir em busca de sua verdadeira identidade. Um processo de descoberta, aceitação e consciência sobre a mulher mais importante de sua vida: ela mesma. “Quero ser a pessoa que sou, desde que nasci”, afirma Tamara no filme.

Segundo a “IdeasdeBabel”, Tamara traz “a transformação de uma mulher bem diante dos seus olhos”. Evidencia elementos humanos e os processos marcantes de uma mulher trans, que vão desde os dramas familiares, como o contato com a ex-mulher, os filhos, um novo amor, as buscas pelas transformações corporais, conflitos internos e as transfobias que insistem em aparecer quando troca a calça e o terno pelo vestido.

A diretora, que é conhecida por ter um olhar sensível às questões políticas e sociais, uma vez que é filha de sobrevivente do Holocausto, afirma que o que motivou a dirigir o filme foi a necessidade de aprofundar o debate. Ela reflete que se trata de uma população estigmatizada e que não recebe respeito de sociedades machistas e patriarcais, como a Venezuela, daí a importância de se falar sobre o assunto.

Elia frisa, contudo, que não se trata de uma abordagem que coloca a pessoa trans como vítima, mas heroína. “Quando se escreve um personagem que pertence a uma minoria, é importante não os retratar com uma espécie de pena. É como se esses personagens se tornassem inferiores. Ao contrário, são fortes, que lutam por seus direitos. Tamara é exatamente assim: além de sua força, é uma mulher que nunca olha para trás, está sempre interessada no progresso”.

0306597.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx

Ainda assim, algumas críticas vieram por ser mais uma obra sobre a população trans com escalação cisgênera para o papel principal – o ator cisgênero Luis Fernández, conhecido pela TV venezuelana, num momento em que há movimento mundial de artistas trans que carecem de oportunidades, pedem emprego e buscam representatividade. Vale dizer que mulheres trans aparecem no filme com teor documental.

Outro apontamento da imprensa internacional é para as diversas cenas de nudez frontal da personagem trans, o que genitalizaria a questão e faz lembrar a todo o momento as características biológicas frente à de identidade de gênero, mas que por outro lado, numa discussão mais aprofundada, reforça, evidencia e possivelmente naturaliza o direito ao corpo da mulher com falo.

Distribuído pela Lança Filmes, o filme trilhou com sucesso festivais internacionais, com 13 prêmios, dentre eles o de melhor filme, melhor ator e trilha no Festival Internacional de Cinema de Milão e no Festival de Cinema Latino e Ibérico da Universidade de Yale LIFFY, nos Estados Unidos. Agora, está em cartaz no Brasil.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: